abril, 2019

A importância do conhecimento e avaliação do perfil do investidor

Nós brasileiros, de uma maneira geral, temos grande dificuldade em lidar com dinheiro. O limitado conhecimento da matéria pode ser justificado por o assunto não ser tratado nas escolas, e ainda por termos convivido durante um longo tempo com índices de inflação extremamente elevados no período anterior a entrada em vigor do plano real. Estes fatores, mas não apenas estes, contribuíram para que a população não tenha criado o hábito de organizar sua vida financeira e desenvolver um planejamento para o futuro.

O processo de estabilização da nossa economia após a implantação do Real criou condições para que as pessoas pudessem perceber as vantagens de planejamento financeiro, tanto que o tema é tratado com mais profundidade pela mídia e percebe-se nas conversas do dia a dia a preocupação  com o assunto. Mas  apesar desta evolução, a falta de conhecimento ainda é evidente.

Para aqueles que conseguem vencer a primeira etapa do “obstáculo” o de  gastar menos do que ganha, o segundo passo parece ser o mais desafiador, pois  é,  como e onde obter as informações necessárias para elaborar um adequado planejamento financeiro.

Ultrapassada a barreira, por falta de conhecimento e uma certa dose de insegurança, esse “novo investidor” geralmente busca amparo nos conselhos dos gerentes de banco, com amigos habituados a aplicar no mercado financeiro, ou ainda em sites “especializados” em investimentos. O principal problema enfrentado neste tipo de aconselhamento é que, na grande maioria dos casos, as necessidades de quem está buscando a informação nem sempre são levadas em consideração, pois o gerente do banco está muito mais preocupado em buscar atingir suas metas, que na maioria dos casos conflitam com os objetivos do cliente. Já o amigo, na maioria das vezes, não tem um conhecimento assim tão aprofundado que permita uma orientação eficiente. Por sua vez, os sites que prometem ganhos extraordinários não são tão confiáveis assim.

Quando o investidor procura a melhor opção para aplicar suas economias, mesmo que intuitivamente, o mesmo deve estar atendo a  pelo menos três fatores na hora de decidir o destino de seu dinheiro: o risco da aplicação, o rendimento esperado e a liquidez, que é  a facilidade em converter o investimento em dinheiro.

As pessoas investem suas reservas por vários motivos. Uns acumulam recursos ao longo dos anos para criar um fundo para aposentadoria objetivando manter certa estabilidade financeira ao deixar o mercado de trabalho. Outras têm por objetivo acumular recursos para a educação dos filhos, para a compra de uma casa, para a aquisição de um carro, e mesmo para as viagens de férias ou para aumentar o patrimônio pessoal.

Assim, há um motivo pelo qual aquele investimento está sendo feito. Há um objetivo que o investidor deseja alcançar, razão pela qual estruturou e organizou suas finanças pessoais visando constituir uma reserva financeira.

Desta forma é preciso compreender que existe uma alternativa de investimento adequada a cada objetivo.

Além deste fatores, as pessoas tendem a reagir de maneira diferente quando expostos a determinadas situações. Uns se mostram conformados com determinado lucro, ainda que este possa ser considerado abaixo da média de mercado. Por outro lado, existem investidores que, na busca por um retorno maior, admitem não ter nenhum retorno ou até retornos negativos, desde haja a possibilidade de se obter um retorno maior.

Algo que deve ficar bem claro para quem está iniciando seus passos no caminho dos investimentos é que só existem duas modalidades de ativos: os de renda fixa e os de renda variável. Entretanto o mercado financeiro criou uma série de variantes, uma vez que os indivíduos apresentam diferentes perfis e objetivos. Para cada necessidade, existe uma variante de ativo financeiro. Logo, é primordial que o investidor antes de realizar a aplicação busque conhecer antecipadamente as características do investimento que deseja realizar por intermédio de profissionais ou canais sérios. Portanto , será necessário disponibilizar certas informações, que em alguns casos podem ser tratadas ou vistas como confidenciais.

Uma forma de se proteger das indicações que podem causar desconforto e dor de cabeça no futuro é se habituar, antes de escolher a modalidade de aplicação, a se perguntar:

  • Por que motivo eu estou querendo aplicar recursos no mercado financeiro? Ou seja, qual o meu objetivo do investimento.
  • Qual o meu horizonte de tempo? Em resumo, por quanto tempo posso ficar com meu dinheiro aplicado ou quando pretendo utilizar estes recursos.
  • Qual o retorno esperado? Que rentabilidade deseja neste investimento? Lembrando sempre que quanto maior a rentabilidade desejada, maiores serão os riscos a serem corridos.
  • Qual a volatilidade da aplicação?  Em outras palavras, qual a possibilidade de o retorno do investimento variar, para mais ou para menos, ao longo do tempo?
  • Em caso de retorno abaixo da expectativa ou prejuízo, como isso afetará minha situação financeira? Eu tenho condições de absorver o resultado?
  • Há a possibilidade de necessitar dos recursos antes da data preestabelecida para o resgate?
  • Em caso de extrema necessidade, posso solicitar o resgate do investimento antes do prazo combinado para o vencimento da operação (liquidez)?

Uma alternativa que não deve ser desprezada, antes da tomada de decisão de realizar qualquer movimento é procurar a ajuda de um profissional, pois este certamente poderá contribuir para que as suas perguntas tenha as respostas devidas para que assim possa aplicar seus recursos da melhor forma possível.

Este profissional, conhecido por uns como planejador financeiro ou, popularmente, consultor de investimentos, possui os conhecimentos necessários para orientar o investidor no sentido de aplicar seus recursos nos ativos mais adequados ao seu perfil e objetivos.

Um outro aspecto que precisa ser destacado é que, atualmente, tanto o planejador financeiro quanto o gerente ou qualquer outro profissional que faça a recomendação de investimento deve cumprir um procedimento legal que é a avaliação do perfil do investidor.

Desde de novembro de 2013, com a publicação da Instrução CVM 539, o mercado passou a contar legalmente com uma medida denominada API – Análise do Perfil do Investidor, que tem por objetivo ajudar o investidor a encontrar os produtos adequados aos seus objetivos e perfil. De uma maneira geral, trata-se de um questionário que deve abordar informações relevantes sobre a condição financeira, idade, quantidade de recursos que os clientes dispõem para investir, para que pretendem utilizar o capital que estão investindo, em quanto tempo etc.

As respostas agrupadas revelam o perfil do investidor e, em algumas situações, já direcionam para os produtos de investimentos mais adequados ao objetivo e perfil de risco do investidor. Isso oferece maior segurança para ao cliente, no momento de investir seus recursos.

No exterior, a API é conhecida como suitability e é bastante aplicada em países onde o mercado de investimentos são mais desenvolvidos.

Voltando ao papel do planejador financeiro, as pessoas ainda acreditam que a função de um destes profissionais é o de buscar “o máximo retorno em um investimento”, quando, na verdade, o papel principal é o de colaborar para que o investidor consiga atingir seus objetivos da maneira mais adequada, buscando o maior ganho possível e dentro de um perfil de risco adequado.

Em se tratando de investimento, ou aplicação financeira, como queiram, o cidadão comum ainda mostra muito receio e desconhecimento. Por esta razão, ainda há muita hesitação em buscar o auxílio de um consultor especializado. A evolução do processo de interesse pelo mercado financeiro fará com que a utilização dos serviços deste profissional seja cada vez mais requisitada.

O mercado financeiro e de capitais tem grande importância para o ambiente econômico, principalmente na medida em que os negócios enfrentam uma concorrência cada vez maior.

Aqueles dispostos a investir seus recursos nesse mercado, precisam estar atentos para que consigam trabalhar seu capital de melhor forma possível, seja para aplicar ou para financiar seus investimentos.

Como o nosso mercado, assim como em outros países, está sempre em mutação, é necessário nos manter atentos e atualizados sobre tudo o que vem ocorrendo.

A experiência no mundo dos investimentos irá aprimorar a capacidade de empregar bem seu capital, fazendo com que o patrimônio líquido familiar possa crescer a cada dia.

A falta de conhecimento por sua vez irá limitar o acesso ao mercado de capitais, visto que um investidor racional jamais deverá aplicar seus recursos em um mercado ou produto que não conhece.

A busca por conhecimento, aliada aos serviços prestados por bons e competentes profissionais, será o marco para que o brasileiro possa compreender melhor os produtos de investimento a disposição no mercado e passar a investir melhor os seus recursos, de acordo com suas necessidades e perfil de risco.

A economia e o país só tem a ganhar como isso.