outubro, 2018

A SELIC e o seu bolso

Você em algum momento já deve ter se perguntado: mas afinal o que é essa tal taxa SELIC e para que serve?

Na verdade, a SELIC tem dois significados, primeiramente vamos entender o que é a SELIC Meta e qual a sua finalidade.

A SELIC Meta é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Nestas reuniões, os membros do Copom discutem uma série de fatores que afetam a economia.

A estimativa para a inflação, por exemplo, tem o objetivo de estabelecer qual será a taxa básica daquele período. São realizadas 8 reuniões anuais. A SELIC é utilizada para manter a inflação dentro do patamar especificado, pois o objetivo da política monetária é manter a inflação sobre controle.

Já a taxa SELIC Over é a taxa média ponderada das operações realizadas entre as instituições financeiras pelo prazo de um dia, com a garantia de Títulos Pública Federal. Resumidamente um banco toma dinheiro emprestado de outro oferecendo como garantia títulos públicos e se comprometendo a quitar o empréstimo no dia seguinte. Esta operação é conhecida como “Operação Compromissada”.

A Taxa SELIC, a partir de 01/01/1998 é divulgada em percentual ao ano, considerando o ano base de 252 úteis, ou seja, é calculada apenas sobre dias úteis.

Utilizada como paramento, pelos bancos, para fixar as taxa que cobrarão nos empréstimos ou as taxas que pagarão nas aplicações;

Calculada e divulgada diariamente pelo SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia, daí o nome Taxa SELIC.

Resumidamente quando acontece a elevação da SELIC os investidores preferem emprestar dinheiro ao governo, uma vez que o rendimento fica atrativo. Por outro lado, quando a SELIC cai, os investidores dão preferência por resgatar os recursos aplicados uma vez que o rendimento dos títulos públicos diminui e desta forma os recursos resgatados irão transitar pelos bancos que são “obrigados” a emprestar dinheiro ao consumidor em busca de obter um retorno maior. Desta forma, quanto maior a SELIC, mais “caro” será tomar dinheiro emprestado das instituições financeiras, pois que haverá menos dinheiro disponível

Pense em dinheiro como uma mercadoria como outra qualquer. Também neste caso será aplicada a lei de oferta e procura, ou seja, quanto menos dinheiro circulando mais caro será, maior a quantidade de dinheiro circulando menos ele custará.

Além de controlar o acesso ao crédito a SELIC também contribui para o controle de entrada e saída de investimentos estrangeiros. O investidor atraído por uma taxa de juros mais alta faz ingressar mais dinheiro no país e quanto maior a entrada de dólares no país, menor a cotação dessa moeda norte-americana e vice-versa.

As pessoas normalmente reclamam dos juros altos uma vez que diminuem o consumo, o que acaba prejudicando o comércio e a indústria, pois o consumo tende a diminuir em função da dificuldade de financiamento. A redução das vendas no comércio provoca queda nos pedidos à indústria que por sua vez reduz a produção, o que em um segundo momento tem como consequência a elevação do desemprego, provocando a retração da economia.

Outra consequência da elevação na taxa básica de juros é o ingresso no sistema financeiro brasileiro de capital estrangeiro que tem a única finalidade de aproveitar o momento de juros elevados. Como mostrado acima, isso provoca uma redução da diferença entre o Real e o dólar, pois se trata de capital especulativo. A redução da diferença entre o Real e o dólar torna o produto nacional menos atrativo, se comparado aos produtos estrangeiros, e desta forma reduz as exportações agravando ainda mais os reflexos sobre a economia. Como estes recursos podem sair daqui a qualquer momento vai provocar oscilação na moeda norte-americana.

O consumidor é afetado, pois a SELIC é o “termômetro” para a fixação das taxas de juros praticadas no país: cartões de crédito, empréstimo pessoal, cheque especial, crediário, poupança e as várias modalidades de aplicações financeiras disponíveis no mercado. Até o mercado de ações sofre os impactos das altas e baixas da SELIC.

Como a taxa SELIC Over surge dos empréstimos realizados entre bancos é a partir desta taxa média que as instituições financeiras irão definir qual taxa cobrarão para conceder um empréstimo ou qual a taxa irão pagar em um título de renda fixa. Quanto menor o patamar da SELIC, mais “barato” fica para o consumidor fazer um empréstimo ou comprar a prazo.

Contudo, essa relação não é direta. No momento em que a autoridade monetária (BC) reduz a SELIC Meta, essa queda não é repassada de imediato ao consumidor. Isso ocorre porque as instituições financeiras embutem nos financiamentos, os impostos (IOF), a inadimplência, suas despesas administrativas e ainda o seu lucro. A diferença entre a taxa que as instituições pagam para tomar dinheiro emprestado de seus clientes (títulos de renda fixa) e o que cobram no momento de conceder um empréstimo é o conhecido por “spread bancário”.

Por outro lado, os juros pagos pelas instituições financeiras também sofrem a influência da SELIC, pois as pessoas que conseguem um equilíbrio em sua vida financeira, ao poupar o excedente vai conseguir um melhor rendimento. De uma maneira geral, quanto maior a SELIC, maior o rendimento das aplicações de renda fixa (CDB, LCI, LCI e até a Caderneta de Poupança) no momento da aplicação.

Então, muita atenção com as altas e baixas da taxa SELIC na hora de tomar ou emprestar dinheiro no mercado financeiro.