junho, 2018

O que analisar antes de investir

Antes de escolher onde aplicar o capital disponível é fundamental que decidamos como estes recursos serão utilizado futuramente, pois essa decisão será determinante na hora de optar pelo tipo de investimento. Por isso, a importância de listar seus objetivos e direcionar para cada tipo de aplicação o dinheiro necessário para atender a cada propósito. Caso existam mais objetivos que sua capacidade de poupança, deve-se buscar eleger quais os mais importantes.

Os objetivos de investimento podem ser classificados em termos mais específicos, como, por exemplo, “compra de uma casa”, ou mais gerais, como, “formação de poupança para utilização futura” ou “aquela viagem dos sonhos”, etc. Porém, especificá-los melhor pode ajudar na hora de escolher o investimento mais adequado, principalmente se a cada um estiver associada uma estimativa de valor.

Conscientemente ou não, somos forçados a escolher entre quatro aspectos importantes no instante de optar pela melhor alternativa ao aplicar nosso dinheiro: o risco (possibilidade de não conseguir o retorno esperado), o retorno, a liquidez (a facilidade em resgatar a aplicação) e o valor mínimo para investimento.
Um conceito deve estar sempre em mente: é pouco provável que encontremos em uma única modalidade de investimentos estes quatro atributos perfeitamente alinhados. Senão vejamos, as aplicações em ações são consideradas alternativas de alta rentabilidade, porém a volatilidade (risco) é considerada alta. Já a caderneta de poupança combina alta liquidez e baixíssimo risco, contudo seu rendimento é considerado irrisório. Dependendo das circunstancias e da situação da economia, a poupança não conseguem nem repor a inflação.

E por falar em risco, uma das coisas mais importantes que devemos entender é que não existe retorno sem risco, ou seja, quanto maior ou menor o risco de um determinado investimento, maior ou menor o retorno esperado.

Então, o retorno de um investimento está diretamente associado aos riscos dos ativos e valores mobiliários que compõem a carteira de investimentos.

Esta possibilidade de escolha está representada no gráfico baixo.

Entendendo:

O início da reta pontilhada representa os ativos que costumam ser chamados de “Livres de Risco”. Este tipo de ativo, para uma taxa conhecida como taxa livre de risco, é geralmente representado por títulos do governo, pois estes apresentam baixo risco de default (inadimplência) e alta liquidez.

Conforme caminhamos para a direita na linha horizontal (risco), o grau de incerteza perante o retorno esperado aumenta, pois estaríamos investindo em ativos de maior risco, como fundos de investimento, dólar, ações, derivativos, etc. É importante que entendamos qual nível de risco é o mais adequado ao nosso perfil.

Conhecer nossa tolerância ao risco é fundamental para traçarmos uma estratégia de longo prazo. A nossa tolerância ao risco expressa a quantidade de volatilidade que conseguimos aceitar, resumidamente o quanto estamos dispostos a ganhar ou perder.

O quesito liquidez também é um aspecto muito relevante ao se optar por uma modalidade ou outra de investimento. Em que pese à facilidade de se comprar e vender uma ação de 1ª linha (as mais negociadas), por exemplo, saber o exato momento de realizar uma ou outra operação não é uma tarefa das mais fáceis: nesta modalidade de aplicação é aconselhável ter um horizonte de tempo de longo prazo, especialmente em função da volatilidade. Assim, para ter relativo sucesso neste segmento do mercado financeiro são necessários paciência e sangue frio.

Mas como fazer?

A grande dúvida da maioria das pessoas está em compreender como equilibrar estes fatores no momento de optar pela modalidade de aplicação mais adequada a sua necessidade, neste caso será aconselhável privilegiar o fator que melhor atenda aos nossos objetivos deixando os outros aspectos em segundo plano.

Mais uma vez, entenda que dificilmente conseguiremos combinar todos estes fatores em uma única modalidade de aplicação financeira.

Por exemplo, para acumular recursos objetivando uma renda extra na aposentadoria, a liquidez, ou seja, facilidade em resgatar o dinheiro não é prioridade, e sim, o rendimento da aplicação escolhida.

Como vimos acima, um rendimento maior, normalmente é acompanhando de maiores riscos.

No caso de uma reserva de recursos para aposentadoria uma alternativa interessante seria aplicar em títulos da dívida federal como a NTN-B Principal (Nota do Tesouro Nacional). Através do Tesouro Direto, é possível adquirir uma NTN-B Principal com vencimento em 2040, que tem como característica básica a proteção do capital contra a variação da inflação e ainda pagar juros prefixados (que em 13/06/2018 eram de 5,8666% ao ano).

Esta modalidade de investimento é garantida pelo Tesouro Nacional que recompra esses títulos de segunda a sexta-feira, a partir das 09;30hs até as 05:00hs, o que garante a liquidez destes ativos. É importante ressaltar que o valor de compra ou venda é o mesmo praticado pelo mercado. Porém é preciso estar atendo ao fato de que resgates antes do vencimento podem acarretar prejuízos para o investidor em função das oscilações nas taxas de juros de mercado, por este motivo é de vital importância tomar a decisão de investimento de forma consciente. No vencimento, este risco deixa de existir, pois a taxa a ser paga será a mesma combinada no momento da aplicação.

O investimento em ações, para acumular recursos para aposentadoria, pode ser também uma alternativa interessante, pois no longo prazo, em tese, podemos esperar que o preço da carteira de ações escolhida se recupere de eventuais recuos que por ventura tenham ocorrido no meio do caminho. Não cometa o erro de aplicar em ações, pensando em aposentadoria, o dinheiro que pode ser necessário para situações de emergência.

O horizonte de tempo é outro fator que deve ser pesado no momento de escolher a melhor alternativa para aplicar seus recursos. Pessoas mais novas tendem a ter uma capacidade maior para correr riscos em suas aplicações, pois seu horizonte de aplicação é maior. Por sua vez, uma pessoa de mais idade deveria evitar investimentos mais arriscados. Entretanto, esta situação vai depender, sobretudo, do perfil do investidor.

Tem gente que não suporta o menor nível de risco.

Por outro lado, se o objetivo é uma viagem de férias programada para o próximo ano, os recursos necessários deveriam ser aplicados em CDB corrigido pela variação do CDI ou um fundo DI, que garantem maior liquidez e menor volatilidade. Nesta situação deve-se priorizar a liquidez. Não podemos, neste caso, correr o risco de perder parte do dinheiro.

Se a viagem programada for para o exterior, a preocupação com o risco deve ser maior ainda, pois a variação dos preços da moeda estrangeira pode impedir que o objetivo seja alcançado. Um fundo cambial (que acompanha o vaivém da taxa de câmbio), seria a opção mais indicada, pode acontecer de não apresentar o retorno mais atrativo do mercado em muitas ocasiões, mas nestes casos rentabilidade é o que menos importa. O relevante nesta situação é que tenhamos a quantidade de dólares suficiente para que possamos realizar a viagem. Assim, caso o dólar suba ou caia 30% teremos a quantia necessária para cumprir nosso objetivo.

Formar uma reserva financeira para emergências também exige uma observação à parte. A grande maioria dos consultores financeiros recomenda que guardemos o equivalente a seis meses de nossas despesas mensais para situações imprevistas.

O que priorizar? Eis a questão!

Um aspecto que deve ser considerado é que nem todas as pessoas tem condições para acumular seis meses de suas despesas de uma hora para outra. Nos casos em que a renda for baixa, e a manutenção da família consumir boa parte dela, não haverá condições de se formar essa reserva no curto prazo.

Nessas situações, é indicada a elaboração de um planejamento e desta forma estabelecer em quanto tempo se pretende acumular tais recursos. Em um, dois ou três anos?

Reserva para emergência formada, o horizonte de tempo aumenta e desta forma é possível correr um pouco mais de riscos. Para esta reserva já formada, o retorno é importante, mas a “segurança” é ainda mais. Uma aplicação em titulo público corrigida pela variação da taxa Selic Over, um CDB atrelado a variação do CDI ou fundo de perfil conservador (DI ou Renda Fixa) são as alternativas mais indicadas.

O raciocínio neste caso seria: já temos uma reserva para seis meses podemos arriscar um pouco mais. Logo, para os recursos que pouparmos a mais, poderíamos pensar em investimentos um pouco menos conservadores.

Mas nada do que foi colocado anteriormente fará sentido sem o mínimo de conhecimento, pois é preciso entender que o mercado financeiro e de capitais, tem grande importância para o ambiente econômico, principalmente na medida em que os negócios enfrentam uma concorrência cada vez maior.

Aqueles dispostos a investir seus recursos nesse mercado, precisam estar atentos para que consigam trabalhar seu capital de melhor forma possível, seja para aplicar ou para financiar seus investimentos. Como o nosso mercado, assim como em outros países, está sempre em mutação, é necessário nos manter atentos e atualizados sobre tudo o que vem ocorrendo.

A experiência no mundo dos investimentos irá aprimorar a capacidade de empregar bem seu capital, fazendo com que o patrimônio líquido familiar possa crescer a cada dia.

A falta de conhecimento por sua vez irá limitar o acesso ao mercado de capitais, visto que um investidor racional jamais deverá aplicar seus recursos em um mercado ou produto que não conhece.

A lição que fica é: nunca vá na “onda do momento” ou confie naquela “dica quente”, e aplique seu dinheiro em uma modalidade de investimento que não conheça.

Fica a dica!