fevereiro, 2011

Lucro de R$ 35 bi da Petrobras é o maior da história do país

O lucro líquido da Petrobras (PETR3 e PETR4) em 2010 foi de R$ 35,189 bilhões, uma alta de 17% em relação a 2009, quando atingiu R$ 30,051 bilhões.

Esse número representa o maior da história entre as empresas brasileiras, de acordo com a consultoria Economatica.

O resultado considera apenas os números das empresas de capital aberto (com ações negociadas em Bolsa, por exemplo).

O segundo lugar na lista também é da própria Petrobras, atingido em 2008, quando lucrou R$ 32,9 bilhões.

Em terceiro, vem a Vale, cujo lucro em 2010 atingiu R$ 30,1 bilhões. O lucro da Vale foi divulgado na quinta-feira à noite.

No quarto trimestre de 2010, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 10,60 bilhões, ante lucro de R$ 7,66 bilhões em igual período de 2009.

Estimativa média de cinco analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters indicava lucro de R$ 8,83 bilhões no quarto trimestre.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa, que mede a capacidade de geração de caixa, foi de R$ 14,58 bilhões de outubro a dezembro, contra R$ 14,32 bilhões registrados no quarto trimestre do ano anterior.

Lucro da Vale atinge recorde de R$ 30 bilhões em 2010

A mineradora Vale VALE5 registrou em 2010 o maior lucro da sua história após ganhos no quarto trimestre de R$ 10 bilhões, comparados aos R$ 2,7 bilhões registrados no mesmo período em 2009. O elevado preço do minério de ferro e a demanda da China foram os principais destaques do resultado.

A empresa informou que no ano bateu recordes de receitas operacionais, lucro operacional, margem operacional, geração de caixa e lucro líquido. Em 2010, o preço médio realizado do minério de ferro foi de US$ 103,50 a tonelada contra US$ 55,99 um ano antes. O preço médio da pelota subiu de US$ 73,75 por tonelada para US$ 161,29 em um ano.

Já no quarto trimestre de 2010 o preço médio realizado do minério subiu para US$ 121,34 a tonelada e das pelotas foi a US$ 179,53 a tonelada.

No quarto trimestre, o Ebtida (lucro antes juros, impostos, amortizações e depreciações) subiu para R$ 14,6 bilhões contra R$ 3,7 bilhões um ano antes. A receita cresceu para R$ 26,9 bilhões, mais que o dobro dos R$ 12 bilhões do quarto trimestre de 2009.

A receita operacional em 2010 alcançou recorde histórico de R$ 85,3 bilhões, 71,3% acima dos R$ 49,8 bilhões em 2009. No quarto trimestre a receita foi recorde em R$ 26,9 bilhões.

A volta à normalidade das operações de níquel no Canadá foi apontada pela empresa como o principal motivo do maior volume de vendas.

No ano, as vendas para a Ásia representaram 52,2% da receita, sinalizando leve queda em relação aos 55,6% registrados em 2009, quando o mundo se recuperava da crise iniciada em 2008.

As Américas participaram com 24,3% da receita, praticamente estável em relação a 2009, enquanto a Europa demonstrou maior reação e subiu de 16,2%o para 19% em um ano, “recuperando o espaço perdido durante a recessão”, afirmou a Vale. A China foi responsável por 32,3% da receita anual e o Brasil por 16,8%.

O aumento do preço do minério, no entanto, provocou aumento de gastos para a companhia. O custo dos produtos vendidos (CPV) aumentanto em R$ 1,381 bilhão na comparação trimestral, alcançando R$ 10,385 bilhões no quarto trimestre. O CPV totalizou R$ 33,756 bilhões em 2010, R$ 6,006 bilhões a mais do que 2009, impactado pelo maior volume de vendas.

Pela contabilidade norte-americana a Vale lucrou US$ 5,9 bilhões, contra US$ 1,5 bilhão no mesmo peíodo há uma ano.

Produção

O volume vendido de minério de ferro e pelotas totalizou 294,414 milhões de toneladas métricas (Mt) em 2010, comparado a 296,241 Mt em 2008, mostrando uma forte recuperação a partir dos 247,261 milhões de toneladas métricas embarcadas em 2009, informou a companhia.

Em 2010, os embarques de minério de ferro somaram 254,902 Mt, 3,4% abaixo do volume de vendas recordes em 2008. Embarques de pelotas totalizaram 39,512 Mt em 2010, os maiores da história da Vale, ultrapassando o recorde anterior de 33,670 Mt de 2007.

Nova Bolsa deve beneficiar investidores, dizem analistas

Bolsa de Valores brasileira está prestes a ganhar um concorrente. A americana Bats (Better Alternative Trading System), que é uma plataforma eletrônica, e a gestora de recursos Claritas estão estudando vir para o Brasil como uma nova Bolsa.

Nos Estados Unidos, a Bats disputa espaço com a Bolsa de Nova York e a Nasdaq (que reúne as ações de empresas de tecnologia). Juntas, Bats e Claritas devem trazer uma opção de compra e venda de ações e títulos para concorrer com a BM&FBovespa.

Até agora, a Bolsa brasileira domina o mercado de capitais. A Bats usaria a Bovesba (Bolsa de Valores de Bahia, Sergipe e Alagoas) para começar a operar. A Bovesba é a única das antigas Bolsas brasileiras que não se uniu à Bovespa.

O mercado financeiro de uma maneira geral vê com bons olhos a possível chegada da concorrente.

“É uma concorrente de alta credibilidade no mercado – altamente positivo face a concentração de quase a totalidade das operações na BM&FBovespa”, diz Carlos Alberto Di Agustini, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo (FGV/SP).

Para Agustini, porém, é preciso esperar para ver qual será a estratégia da Bats. “Ainda não está claro como eles vão atrair clientes e empresas, assim como quais serão os mercados de atuação.”

Pelo menos uma coisa é certa, afirma o professor: “os preços da BM&FBovespa tenderão a cair e quem ganha com isso são os investidores e as empresas participantes”. Desvantagem da chegada da Bats? “Nenhuma”, afirma ele.

O economista da corretora Gradual, André Perfeito, também está confiante na concorrência. “A competição diminui os preços e aumenta a qualidade do serviço. Isso pode se traduzir em emolumentos e taxas menores, sem contar em estabilidade maior do sistema”, afirma Perfeito.

Segundo ele, atualmente a Bats negocia 10% das ações norte-americanas e 10% do índice londrino FTSE 100 (reúne as 100 empresas mais negociadas), e mais ou menos 5% do mercado Europeu.

Há também quem duvide de que a concorrência vá de fato acontecer.

“A nova Bolsa não deve causar impacto significativo no mercado de imediato. A Bovespa gira em torno de R$ 6 bilhões por dia, apenas com ações, o que é relativamente pouco para entrada de um novo player, dada a necessidade considerável de investimento inicial”, afirma Osmar Camilo, analista da corretora Socopa.

Tecnicamente, diz Camilo, a legislação brasileira exige que uma nova Bolsa seja verticalizada. “Ela deve oferecer plataforma de negociação e central depositária. Nos EUA, não há esse tipo de exigência, daí a comparação do crescimento da Bats lá com seu potencial aqui fica complicado”, afirma o analista.

Lá fora

Segundo Agustini, da FGV/SP, as três principais Bolsas americanas (Nasdaq, NYSE e CME – Bolsa de mercadorias baseada em Chicago) competem em preços e serviços.

“Houve mais facilidade nos processos de abertura de capital para as empresa e um maior incentivo ao desenvolvimento do mercado de capitais”, diz.