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Recebi uma herança: como escolher um planejador financeiro?

Recebi uma herança. Busquei a indicação de três profissionais de planejamento financeiro. Conversei com pessoas próximas que me informaram que este ainda é um mercado em desenvolvimento e sem parâmetros estabelecidos. Como saber se um trabalho de planejamento está sendo bem feito? O que esperar de um planejamento financeiro com excelência? (A.F.)

Por: Alexandre Canalini, CFP (Certified Financial Planner):

A oscilação do mercado de capitais, a integração e a rapidez com que os ativos passaram a incorporar novas informações e casos de recebimento de heranças tornaram a demanda por profissionais do setor ainda maior.

Um indivíduo que busque orientação financeira tem um grande desafio pela frente. Como avaliar um bom trabalho num segmento recente e sem padrões estabelecidos no Brasil?

Um planejamento financeiro inicia com um trabalho investigativo. Com a coleta das informações e o diagnóstico do cliente, é iniciada a fase de estruturação e posterior orientação. Durante todo processo de coleta de informações, estruturação e orientação, algumas diretrizes precisam ser adotadas para o desenvolvimento imparcial da atividade.

A orientação financeira, com frequência coloca o planejador em situações em que há conflito de interesse entre a melhor solução para o cliente e a recomendação mais rentável ao planejador. Em boa parte dos casos esse conflito surge nos preços dos produtos financeiros usados. Diante dessa situação, um bom planejador financeiro deve atuar com o compromisso de colocar o interesse do cliente em primeiro lugar não obtendo qualquer vantagem ou ganho pessoal com as indicações de produtos.

No momento em que é identificada a necessidade de uso de um produto financeiro, o planejador, ao fazer a indicação, deve agir com probidade, revelando qualquer conflito atual ou potencial que possa ocorrer entre a indicação feita e o seu interesse.

A relação construída entre um planejador financeiro e um cliente é fundamentada na confiança, tanto na prestação das informações relevantes, as quais o planejador deve confidencialidade, quanto na indicação de soluções financeiras. A transparência, a honestidade e a isenção tanto do planejador quanto do cliente são fatores cruciais para um bom planejamento financeiro. Agir com integridade é uma postura obrigatória do profissional.

Um planejador financeiro possui habilidades e conhecimentos de diversos temas. A competência desenvolvida ao longo de sua formação deve ser somada a postura profissional e a conduta diante de todos “stakeholders”. A conduta digna e o respeito entre as partes relacionadas somam na construção do profissional e nas suas orientações.

A sofisticação do mercado de capitais, especialmente na estruturação de operações e na criação de instrumentos derivativos, muitas vezes de difícil entendimento até mesmo para os profissionais do mercado financeiro, passou a exigir mais rigor e zelo por parte dos planejadores. O compromisso assumido por um planejador em um projeto o obriga a agir de forma diligente e com grande dedicação.

O planejador deve atender as necessidades de um cliente de forma direta, clara e transparente. É comum um profissional ser procurado numa situação que o cliente precisa somente de uma alocação de ativos ou uma reestruturação de portfólio. Nesses casos é importante atender ao escopo que a situação impõe e tratar de forma objetiva o trabalho desenvolvido.

Os institutos que promovem certificações aos profissionais do setor exigem mais do que a assinatura e concordância com um código de ética e conduta. Possuem procedimentos dinâmicos com constantes modificações, avaliações, estudos, apurações e punições de profissionais que violem as diretrizes éticas estabelecidas pelos certificadores.

Um trabalho de excelência em planejamento financeiro passa em primeiro lugar pela ética do profissional, antes de qualquer outro atributo ou desempenho que possa ser atribuído.

Fonte: Valor-Online

Sugestão: Denise Estrella

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