Destaque da semana
O evento que definiu o tom da semana foi o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole (28/08): tom mais hawkish que o esperado, reconhecendo que a inflação segue elevada e que o Fed “ainda tem trabalho a fazer”. O mercado passou a precificar probabilidade majoritária de alta de juros na reunião de setembro, revertendo expectativas anteriores de corte.
• No Brasil, a Selic seguiu em 14,00% a.a. (sem reunião do Copom nesta semana; próximo encontro em 16/09), enquanto o Ibovespa emendou a 8ª alta consecutiva (+2,7% na semana, aos 175.664,62 pontos), driblando a piora do humor externo pós-Jackson Hole. O dólar subiu 1,0% na semana, a R$ 5,1965.
• O cenário eleitoral ganhou relevância: pesquisa Gerp (21 a 25/08) mostrou o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente Lula num eventual 2º turno (47% a 42%), primeira leitura em que a oposição aparece fora da margem de erro — fator que reforça o prêmio de risco fiscal de médio prazo a ser monitorado pelos comitês de investimento
Foco da Semana: Simpósio de Jackson Hole e o giro hawkish de Kevin Warsh
Em sua primeira participação em Jackson Hole como presidente do Fed, Kevin Warsh evitou fornecer “forward guidance” explícito, mas deixou claro que os dados de inflação do verão — embora melhores que o esperado — não indicam, em sua leitura, uma melhora consistente das tendências subjacentes de preços. A reação dos mercados foi imediata: os rendimentos dos Treasuries de 2 anos saltaram mais de 12 pontos-base, a 4,356%, enquanto o de 10 anos avançou cerca de 5 pontos-base, a 4,726%. A maioria dos investidores passou a esperar uma alta de juros já na reunião de setembro.
Para carteiras de RPPS, o episódio reforça a importância de acompanhar de perto a curva de juros americana como termômetro de apetite a risco global, dado seu efeito de contágio sobre o câmbio e sobre os prêmios de risco de mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Panorama Comparativo por Bloco Econômico
Brasil / Copom: Selic mantida em 14,00% a.a.; próxima decisão em 16/09. CAGED de julho mostrou criação de 58.568 vagas formais, abaixo do esperado pelo mercado. Ibovespa acumulou alta de 2,7% na semana (175.664,62 pontos); dólar subiu 1,0%, a R$ 5,1965. Cenário eleitoral mais acirrado (Flávio Bolsonaro à frente de Lula em pesquisa de 2º turno) eleva o prêmio de risco fiscal a monitorar.

EUA / Fed: Discurso hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole elevou os rendimentos dos Treasuries em toda a curva e o mercado passou a precificar alta de juros em setembro. O PMI composto atingiu a máxima em 52 meses, com serviços em 56,8 pontos (máxima em 20 meses) e indústria desacelerando a 53,2 pontos (mínima em 5 meses).
Zona do Euro / BCE: PMI composto subiu a 52,1 pontos em agosto, maior nível em 9 meses, superando o consenso. O PMI industrial avançou a 52,8 pontos, máxima em 51 meses, enquanto o de serviços permaneceu estável em 51,7 pontos, indicando expansão consolidada da atividade econômica.
China / PBoC: O PBoC manteve as taxas de referência para empréstimos (LPR) inalteradas — 3,0% para 1 ano e 3,5% para 5 anos —, nível em que se encontram desde maio de 2025. Pequim segue priorizando instrumentos estruturais e de liquidez de curto prazo em vez de cortes tradicionais nas taxas de referência.
Implicações para RPPS
• O giro hawkish do Fed em Jackson Hole reforça a atratividade relativa de títulos públicos indexados ao IPCA e à Selic diante de um cenário de juros reais elevados tanto no Brasil quanto nos EUA — recomenda-se manter disciplina de alocação em ativos pós-fixados e IPCA+ como colchão de proteção.
• O acirramento da disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro é fator de atenção de médio prazo para o prêmio de risco fiscal doméstico; comitês de investimento devem monitorar o reflexo desse cenário na curva de juros e no câmbio nas próximas semanas, ainda sem necessidade de mudanças táticas imediatas.
• A elevação dos rendimentos de Treasuries e a maior volatilidade externa recomendam cautela na extensão de duration em posições de renda fixa internacional, priorizando-se vencimentos mais curtos até que o balanço de riscos do Fed para setembro fique mais claro.

Deixe um Comentário