Brasil — Copom e cenário doméstico
A Selic segue em 14,00% ao ano, nível fixado na 280ª reunião do Copom (4 e 5/08), sem reunião do comitê nesta semana — o próximo encontro está marcado para 16 de setembro. A ata da decisão, divulgada em 11/08, reforçou o tom de cautela do Banco Central, sinalizando que a magnitude do ciclo de calibração seguirá dependente de novos dados, sem pressa para acelerar novos cortes.
• O IPCA acumulado em 12 meses fechou julho em 4,44%, dentro da banda de tolerância da meta, mas ainda acima do centro de 3%; o Boletim Focus projeta a Selic encerrando 2026 em 13,75%.
• O Ibovespa encerrou a sexta-feira (21/08) aos 171.031 pontos, maior patamar desde 10/08, acumulando alta semanal de 2,45%, impulsionado por bancos e Vale (VALE3) em meio a um exterior mais construtivo.
• O dólar fechou a semana perto de R$ 5,14/5,15, com viés de queda ante o real, refletindo o diferencial de juros ainda elevado entre Brasil e Estados Unidos e a melhora do apetite a risco global.
• No radar político, pesquisa BTG/Nexus (18/08) mostrou empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno para as eleições de outubro — fator a monitorar como risco fiscal de médio prazo para a curva de juros local.

Estados Unidos — Federal Reserve
A Reserva Federal mantém os Fed Funds na faixa de 3,50% a 3,75%. A ata da reunião de julho do FOMC, divulgada em 19/08, expôs uma divisão incomum no comitê: três dirigentes regionais dissentiram a favor de uma alta de juros, uma marca elevada de resistência interna para o segundo encontro do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, no cargo desde 22/05/2026.
• O mercado precifica hoje uma probabilidade de cerca de 1 em 3 para uma alta de juros na reunião de setembro (16/09), reflexo da inflação ainda resistente e da postura mais hermética de comunicação adotada por Warsh.
• Dados de atividade surpreenderam positivamente: o PMI composto preliminar de agosto (S&P Global) subiu, com o setor de serviços no maior nível desde dezembro de 2024, sugerindo crescimento do PIB no 3T26 acima do ritmo anualizado de 1,5% do trimestre anterior.
• Todas as atenções se voltam para o Simpósio de Jackson Hole, marcado para 27 a 29/08 — ver seção especial abaixo.
Zona do Euro e China
Zona do Euro: o PMI composto preliminar de agosto avançou a 52,1 pontos, máxima em nove meses, com a indústria no melhor ritmo em 54 meses; o dado sinaliza crescimento do PIB de cerca de 0,3% no 3T26 e reforça o debate sobre o próximo passo do BCE, com parte do mercado não descartando novos ajustes de juros diante da inflação de serviços ainda elevada.
China: o PBoC manteve as taxas de referência (LPR) inalteradas em 20/08 pelo 15º mês consecutivo — 3,00% para 1 ano e 3,50% para 5 anos — decisão unânime entre analistas. Pequim segue priorizando estímulo fiscal em detrimento de afrouxamento monetário, diante de sinais de perda de fôlego em produção industrial, varejo e crédito no início do 3T26.
Especial: Simpósio de Jackson Hole (27 a 29/08) — o que observar
O Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole, promovido pelo Fed de Kansas City, ocorre entre 27 e 29 de agosto, com tema voltado à inovação financeira e seus efeitos sobre pagamentos e política monetária. O evento ganha relevância adicional por marcar a primeira apresentação de Kevin Warsh como presidente do Fed, em 28/08, a apenas 19 dias da decisão do FOMC de setembro.
• Diferente de Powell, Warsh tem adotado comunicação deliberadamente mais reservada; o discurso tende a ser a principal fonte de sinalização de política monetária até a reunião de setembro, com potencial de gerar volatilidade relevante em juros, câmbio e bolsas globais.
• Para RPPS: recomenda-se cautela na tomada de posições direcionais em ativos sensíveis a juros globais (multimercados macro, fundos cambiais e renda fixa internacional) até a divulgação do discurso, evitando concentração de rebalanceamentos justamente na semana do evento.
• Sugere-se reforçar o acompanhamento da curva de juros doméstica no pós-evento, dado o efeito de contágio histórico de Jackson Hole sobre o diferencial de juros Brasil-EUA e, por consequência, sobre o câmbio e o custo de rolagem da dívida pública local.
Implicações para os RPPS
• Selic estável em patamar elevado mantém a atratividade de títulos públicos pós-fixados (LFT/Tesouro Selic) e CDBs/DPGE indexados ao CDI, em linha com os limites de renda fixa da Resolução CMN nº 5.272/2025.
• A valorização do Ibovespa na semana e a melhora dos PMIs globais oferecem janela tática para revisão da exposição em renda variável dentro dos sublimites regulamentares, sem abandonar a disciplina de rebalanceamento estrutural do plano de investimentos.
• Recomenda-se prudência na exposição a ativos de juros pós-fixados internacionais e fundos cambiais na semana de Jackson Hole (27-29/08), dado o potencial de volatilidade em torno da estreia de Kevin Warsh como presidente do Fed.
• O cenário eleitoral brasileiro (empate técnico Lula x Flávio Bolsonaro) reforça a importância de manter buffers de liquidez e monitorar o prêmio de risco fiscal embutido na curva de juros doméstica ao longo do segundo semestre.

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