Destaque da semana
O período de 10 a 14 de agosto foi marcado pela divulgação da Ata do Copom e de indicadores de inflação e atividade no Brasil, pelos dados de inflação nos Estados Unidos, pela confirmação do crescimento da Zona do Euro no 2º trimestre e por um evento de grande relevância para os RPPS: o vencimento de R$ 258,5 bilhões em NTN-B em 15 de agosto, tratado em seção dedicada ao final deste relatório, com orientações específicas para os comitês de investimento. Todas as análises seguem os parâmetros de alocação e governança da Resolução CMN nº 5.272/2025.
Brasil — Copom e atividade econômica
A Ata da 280ª reunião do Copom, divulgada na terça-feira (11/08), manteve o tom cauteloso do comunicado de 05/08, que havia reduzido a Selic em 0,25 p.p., para 14,00% a.a. (quarto corte consecutivo, decisão unânime). O Comitê reconheceu a moderação gradual da atividade e a desaceleração da inflação, mas preservou o balanço de riscos com assimetria altista e não assumiu compromisso explícito quanto ao ritmo dos próximos cortes, mantendo a condução dependente da evolução dos dados. A próxima reunião ocorre em 15 e 16 de setembro.
IPCA de julho: alta de 0,07% no mês (ante consenso de 0,03%), levando o acumulado em 12 meses a 4,44% — desaceleração ante os 4,64% de junho e retorno para abaixo do teto da meta (4,50%). O resultado foi puxado pelo grupo Habitação (+0,99%, com energia elétrica residencial subindo 3,09% por reajustes tarifários), parcialmente compensado por quedas em Alimentação e bebidas (-0,67%) e combustíveis.
Atividade (PMS e PMC de junho): os indicadores de serviços e varejo do IBGE, divulgados na quarta (12/08) e quinta (13/08), devem confirmar a perda de tração da economia no 2º trimestre, com quedas esperadas de -0,2% e -1,4% no mês, respectivamente.
Expectativas de mercado (Focus): o consenso segue projetando Selic em 13,75% a.a. ao final de 2026 (mais um corte de 0,25 p.p.), com divergência quanto ao momento: o Focus aponta manutenção em setembro e corte em novembro, enquanto o mercado de opções da B3 já atribui maior probabilidade a uma nova redução já em setembro.
Balanços bancários (2T26): temporada de resultados movimentou a semana: Itaú Unibanco (lucro de R$ 12,4 bi, ROE de 24,3%) e Bradesco (R$ 7,1 bi, ROE de 16,2%) confirmaram melhora de rentabilidade, além de BTG Pactual, Banco do Brasil, Nubank, Pine, BMG e Banrisul.

Estados Unidos — Fed
O CPI de julho, divulgado na quarta-feira (12/08), veio em linha com o consenso: alta de 0,1% no mês, com o índice cheio desacelerando de 3,5% para 3,4% em 12 meses e o núcleo recuando de 2,6% para 2,5%. O resultado favorece a manutenção da postura de espera do Fed — hoje sob a presidência de Kevin Warsh, que assumiu em junho com uma comunicação mais enxuta — na faixa atual de 3,50% a 3,75% a.a. Após o payroll fraco de julho (-23 mil vagas), a probabilidade de alta de juros em setembro recuou de 67% para 41,9%, favorecendo a manutenção.
PPI de julho: divulgado na quinta (13/08), com consenso de alta de 0,2% no mês e desaceleração para 4,9% em 12 meses (ante 5,5%), ajudando a avaliar a persistência de pressões de custos no atacado.
Vendas no varejo de julho: saíram na sexta (14/08), com expectativa de alta modesta de 0,1% no mês, testando a resiliência do consumo das famílias americanas.
Contexto de risco: o cenário externo segue marcado por incertezas geopolíticas (conflito no Oriente Médio) e pela volatilidade nos preços de energia, fatores que mantêm um risco assimétrico para uma eventual retomada do ciclo de alta de juros nos EUA, ainda que não seja o cenário-base.
Zona do Euro e China — BCE e PBoC
Na Zona do Euro, a segunda leitura do PIB do 2º trimestre, divulgada na sexta (14/08) pelo Eurostat, confirmou o avanço de 0,4% no trimestre e de 1,0% em 12 meses — aceleração ante a estabilidade do 1º trimestre, mesmo com o choque de preços de energia no período. A produção industrial de junho, na quinta (13/08), veio estável (consenso de 0,0%), enquanto os PMIs finais de julho mostraram melhora tanto na indústria (51,9 pts) quanto em serviços (51,7 pts, retornando ao campo de expansão).
Na China, os dados de crédito de julho, divulgados na sexta (14/08), mostraram novos empréstimos bancários em queda líquida de 340 bilhões de yuans, abaixo da expectativa de alta de 280 bilhões e bem aquém da expansão de 1,61 trilhão em junho — reflexo da fraca demanda doméstica por crédito em meio à crise do setor imobiliário, com o M2 crescendo 7,7% em 12 meses. Em contraste, o comércio exterior seguiu forte: exportações de julho subiram 23,9% em 12 meses (acima da expectativa de 22,9%), impulsionadas pela demanda por bens de tecnologia no ciclo global de investimentos em IA.
Comparativo entre as principais economias
Brasil: Selic em 14,00% a.a.; IPCA em 4,44% (12m), de volta abaixo do teto da meta; ciclo de corte segue, mas sem compromisso explícito de ritmo.
Estados Unidos: Fed Funds em 3,50%–3,75% a.a.; CPI em 3,4% (12m); postura de espera favorecida pelo CPI em linha e pelo payroll fraco de julho.
Zona do Euro: BCE em 2,40% a.a.; PIB do 2T26 em +0,4% t/t (+1,0% a/a), mostrando resiliência ao choque de energia.
China: PBoC em política monitorada; crédito bancário fraco em julho, mas exportações seguem em forte expansão (+23,9% a/a).
Atenção especial — Vencimento de NTN-B em 15/08
O dia 15 de agosto concentra o maior vencimento de dívida pública federal de 2026: R$ 258,5 bilhões em NTN-B (NTN-B e NTN-B Principal com vencimento em 2026), conforme o cronograma de vencimentos do Banco Central (posição de 12/08). Desse total, cerca de R$ 12,9 bilhões correspondem a posições de pessoas físicas via Tesouro Direto (Tesouro IPCA+ 2026). O pagamento é automático — não há necessidade de resgate ou venda antecipada do título — e os recursos são creditados diretamente na conta da instituição custodiante, encerrando a posição sem reinvestimento automático em outro ativo.
Orientações para os RPPS
Reinvestimento não é automático — decisão do comitê é necessária. O vencimento extingue a posição em NTN-B 2026 na carteira do RPPS; os recursos ficam disponíveis em conta, sem alocação em outro ativo. A realocação deve ser deliberada e registrada em ata pelo comitê de investimentos, à luz da Política de Investimentos e dos limites por segmento da Resolução CMN nº 5.272/2025.
Preservar o casamento com o passivo atuarial. Como os passivos previdenciários dos RPPS são tipicamente indexados a INPC/IPCA acrescido de taxa real, recomenda-se priorizar a realocação em NTN-B de prazos intermediários e longos (Tesouro IPCA+ 2030, 2032, 2035, entre outros), preservando a proteção inflacionária e o alongamento de duration, em vez de concentração excessiva em pós-fixados atrelados à Selic/CDI apenas pelo patamar nominal elevado da taxa básica. Para fundos de vértice, priorizamos os vencimentos mais curtos entre 2028 e 2030, preservando o impacto da marcação a mercado nesta modalidade.
Atenção à pressão técnica no mercado secundário. O volume expressivo (R$ 258,5 bi) que retorna ao mercado nos dias seguintes ao vencimento pode gerar volatilidade temporária nas taxas de NTN-B de prazos mais longos, à medida que investidores institucionais reequilibram posições. Recomenda-se acompanhar a evolução das taxas indicativas (ANBIMA) antes de concentrar a realocação em um único momento, avaliando o escalonamento das compras ao longo das semanas seguintes (laddering) como alternativa a uma realocação integral imediata.
Enquadramento e limites. Reforça-se a necessidade de verificar o enquadramento da nova alocação nos limites por segmento e por emissor previstos na Resolução CMN nº 5.272/2025, especialmente em RPPS que já operam próximos aos limites de renda fixa pública indexada, garantindo aderência ao princípio de segurança, rentabilidade, solvência e liquidez que rege os investimentos do regime.
Implicações para os RPPS
O ambiente de juros reais elevados (Selic em 14,00% e IPCA em 4,44%) segue favorável para a renda fixa pública, mas o ciclo gradual de corte da Selic reforça a importância de travar prazos mais longos em NTN-B enquanto as taxas reais permanecem atrativas.
A resiliência da atividade global (PIB da Zona do Euro, exportações da China) reduz o risco de um cenário de desaceleração abrupta, mas a assimetria de riscos nos EUA (possibilidade de retomada do ciclo de alta de juros) recomenda cautela na exposição a ativos de risco internacionais.
O vencimento das NTN-B em 15/08 é o evento de maior relevância operacional da semana para os RPPS com posições em Tesouro IPCA+ 2026 — a recomendação central é decisão deliberada de reinvestimento, com preservação do casamento de duration com o passivo atuarial.

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