NOSSA VISÃO: Semana de 27 a 31 de Julho de 2026

1 Estados Unidos — Federal Reserve


O FOMC manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50%–3,75% em 29 de julho, pela quinta reunião consecutiva, mas a votação — 9 a 3 — expôs uma divisão inédita desde 2016, com três dirigentes defendendo uma alta de 0,25 p.p. diante da inflação persistente, agravada pelos preços de energia ligados ao conflito no Oriente Médio. Sob o novo presidente Kevin Warsh, que optou por reduzir a sinalização prévia de rumo da política monetária, o comitê destacou a solidez da atividade e do mercado de trabalho como justificativa para a manutenção. Já a estimativa inicial do PIB do 2º trimestre, divulgada em 30/07, mostrou desaceleração para 1,5% anualizado (ante 2,1% no 1º tri e abaixo da expectativa de mercado de 1,8%–2,1%), puxada pela queda do gasto público, ainda que o consumo das famílias tenha seguido resiliente. O núcleo do PCE, medida de inflação preferida do Fed, veio em 3,3% a/a em junho. A próxima reunião do FOMC está marcada para 15 e 16 de setembro.


Perspectiva: a divisão do comitê e a desaceleração do PIB sinalizam um Fed em encruzilhada — pressionado politicamente por cortes, mas monitorando riscos inflacionários ligados à energia. O mercado precifica possibilidade de alta ainda em 2026, cenário que, se confirmado, tende a sustentar o dólar forte e os yields de Treasuries mais longos.


2 Brasil — Banco Central e Copom


A Selic segue em 14,25% ao ano, com o Copom reunindo-se em 4 e 5 de agosto. O Boletim Focus de 27/07 trouxe a quarta queda semanal seguida na projeção do IPCA 2026, para 5,12% (ante 5,15% na semana anterior), enquanto a mediana para a Selic no fim do ano permaneceu estável em 14,00% pela quinta semana consecutiva — mantendo a leitura de juros elevados por mais tempo. O câmbio projetado para 2026 seguiu em R$ 5,20, e o PIB em 1,99%. No mercado de trabalho, o IBGE divulgou em 30/07 a taxa de desocupação de 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor patamar da série histórica para o período (iniciada em 2012), com 103,1 milhões de ocupados e rendimento médio real de R$ 3.738. No câmbio à vista, o dólar fechou a sexta-feira em R$ 5,069, com queda de 1,82% no mês, mesmo em meio à aversão a risco gerada pelas tensões no Oriente Médio. O Ibovespa encerrou a semana em alta de 2,27%, aos 177.999 pontos, maior fechamento desde 14 de maio, acumulando alta de 3,47% em julho.





Perspectiva: o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade reduzem a urgência de cortes agressivos da Selic, reforçando a leitura de manutenção no Copom de agosto. Sob a Resolução CMN nº 5.272/2025, RPPS seguem encontrando nos títulos públicos indexados e no carry trade doméstico um ambiente ainda favorável, ainda que o câmbio permaneça sensível a choques externos de petróleo.


3 Zona do Euro — Banco Central Europeu


Após manter a taxa de depósito em 2,25% na reunião de 23 de julho, o BCE viu dados mais fortes do que o esperado nesta semana: o PIB do 2º trimestre cresceu 0,4% frente ao trimestre anterior — o dobro da expectativa —, afastando o receio de recessão ligado à guerra e aos custos de energia. Já a inflação ao consumidor acelerou para 2,9% em julho (ante 2,8% em junho), na leitura preliminar da Eurostat, com o núcleo subindo para 2,5%, pressionada pelos preços do petróleo decorrentes do conflito no Irã. Autoridades do BCE sinalizaram que uma alta de juros permanece no radar para a reunião de 10 de setembro, ainda que os dados de julho isoladamente não devam ser decisivos, já que um novo IPC será conhecido antes daquele encontro.


Perspectiva: o crescimento acima do esperado somado à inflação em aceleração inverte a leitura de pausa prolongada e reabre a possibilidade de um ciclo de altas na zona do euro, cenário que, se confirmado, tende a fortalecer o euro e pressionar ativos de renda fixa europeus.


4 China — Banco Popular e Politburo


Os PMIs oficiais de julho surpreenderam negativamente: o industrial recuou de 50,3 para 49,2 e o composto, de 50,6 para 49,3, ambos entrando em zona de contração e reforçando os sinais de perda de fôlego após o esgotamento do ‘export rush’ que sustentara o 2º trimestre. Em reunião de 30 de julho, o Politburo do Partido Comunista prometeu medidas de estímulo direcionadas e ajustes contracíclicos para sustentar a economia no segundo semestre, após o PIB do 2º trimestre ter desacelerado para 4,3% a/a — o pior resultado trimestral desde 2011, ainda que o acumulado do semestre (4,7%) permaneça dentro da meta oficial de 4,5%–5,0% para o ano.


Perspectiva: a contração dos PMIs aumenta a pressão por estímulo fiscal e monetário mais substancial nos próximos meses; a ausência, até aqui, de medidas agressivas reflete a prioridade de Pequim em conter o excesso de capacidade industrial, mas o cenário deve ser monitorado de perto por seu impacto sobre a demanda de commodities.


5 Panorama Comparativo


EUA (Fed): 3,50%–3,75% · manutenção (29/07, 9×3) · PCE núcleo 3,3% a/a (jun) · dissenso por alta, divisão inédita desde 2016
Brasil (BCB): Selic 14,25% · próximo Copom 04–05/08 · Focus: IPCA 2026 em 5,12%, Selic 2026 estável em 14,00% (5ª semana)
Zona do Euro (BCE): Depósito em 2,25% · manutenção (23/07) · CPI 2,9% a/a (jul, prévia) · sinalização de possível alta em 10/09
China (PBoC): Taxas de referência estáveis · Politburo (30/07) promete estímulo direcionado · PMI industrial 49,2, em contração


6 Implicações para Carteiras RPPS


A manutenção da Selic em patamar elevado e a expectativa de estabilidade até o fim do ano seguem favorecendo a alocação em títulos públicos indexados (NTN-B, LFT) na composição dos RPPS, com carrego real atrativo sob a Resolução CMN nº 5.272/2025. A escalada intermitente do conflito no Oriente Médio — com o Brent oscilando entre US$ 85 e a casa dos US$ 100 ao longo de julho — mantém elevada a volatilidade cambial e de commodities, recomendando cautela em posições de maior duration e monitoramento do hedge cambial em ativos no exterior. A possível reversão do BCE para um viés de alta e a divisão inédita no Fed introduzem um risco adicional de reprecificação nas curvas globais, o que reforça a importância de diversificação e de revisão periódica dos limites de exposição por segmento, conforme a política de investimentos de cada regime.


Deixe um Comentário

Repetir o Post


Arquivos
  • setembro 2026
  • agosto 2026
  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • janeiro 2015
  • dezembro 2014
  • novembro 2014
  • outubro 2014
  • setembro 2014
  • agosto 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • fevereiro 2014
  • janeiro 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • outubro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • abril 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • dezembro 2012
  • novembro 2012
  • outubro 2012
  • setembro 2012
  • agosto 2012
  • julho 2012
  • junho 2012
  • maio 2012
  • abril 2012
  • março 2012
  • fevereiro 2012
  • janeiro 2012
  • dezembro 2011
  • novembro 2011
  • outubro 2011
  • setembro 2011
  • agosto 2011
  • julho 2011
  • junho 2011
  • maio 2011
  • abril 2011
  • março 2011
  • fevereiro 2011
  • janeiro 2011
  • dezembro 2010
  • novembro 2010
  • outubro 2010
  • setembro 2010
  • agosto 2010
  • julho 2010
  • junho 2010