NOSSA VISÃO: Semana de 6 a 10 de Julho de 2026

A semana de 6 a 10 de julho de 2026 ficará marcada como aquela em que a inflação finalmente deu a melhor notícia desde o início da guerra. Na sexta-feira (10), o IBGE divulgou o IPCA de junho: alta de apenas 0,16%, menos da metade do que o mercado esperava, e o menor resultado mensal desde outubro de 2025. Nos 12 meses até junho, a inflação recuou de 4,72% para 4,64%, o primeiro recuo nessa métrica desde fevereiro de 2026, quando o conflito começou. O mercado reagiu com intensidade: o Ibovespa disparou 2,97% na sexta e fechou a 177.866 pontos, o maior nível desde maio, acumulando alta de 2,18% na semana, a terceira consecutiva de alta. O dólar recuou a R$ 5,10, a menor cotação em quase um mês.


Mas a semana não foi apenas de boas notícias. O Focus registrou pela primeira vez em 16 semanas uma queda na projeção do IPCA para 2026 de 5,33% para 5,30%, mas o petróleo voltou a subir no meio da semana após novos ataques entre EUA e Irã na quarta-feira (8), reacendendo o alerta sobre os próximos índices de inflação. Nos EUA, a ata do Fed revelou divisão interna sobre o futuro dos juros e o prazo das tarifas sobre o Brasil vence em 15 de julho. Na China, o PMI de serviços desacelerou para o menor nível em 9 meses. E na zona do euro, o BCE manteve o viés de alta de juros, com a reunião de 22 e 23 de julho como próximo evento crítico. A grande surpresa positiva da semana foi o FMI, que elevou a projeção do PIB brasileiro para 2,4% em 2026, a maior revisão do ano.





1. Inflação: Focus registra primeira queda nas projeções do IPCA em 16 semanas — e IPCA de junho surpreende com alta de apenas 0,16%


semana trouxe a melhor notícia sobre inflação desde o início da guerra. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (6) mostrou, pela primeira vez em 16 semanas, uma queda na projeção do IPCA de 2026: a estimativa recuou de 5,33% para 5,30%. O IGP-M também cedeu, de 6,15% para 5,68%. As demais projeções foram mantidas: PIB em 1,99%, câmbio em R$ 5,20 e Selic em 14,00% ao ano.


A grande notícia da semana, porém, veio na sexta-feira (10): o IBGE divulgou o IPCA de junho, e o resultado surpreendeu o mercado inteiro. O IPCA subiu apenas 0,16% em junho, bem abaixo da projeção de 0,31% e desacelerou fortemente em relação ao mês anterior, quando havia subido 0,58%. Nos 12 meses até junho, a inflação recuou de 4,72% para 4,64%, o primeiro recuo nessa métrica desde fevereiro de 2026, quando a guerra começou. A queda foi puxada pelos alimentos, que recuaram 0,24% após subirem 1,33% em maio, e pelos combustíveis, que caíram 0,48% com o petróleo mais barato. O resultado reforçou as apostas de novo corte da Selic em agosto.


2 Juros: Selic em 14,25% — IPCA fraco reabre debate sobre corte em agosto e mercado revê trajetória


A Selic permaneceu em 14,25% ao ano. A grande questão da semana foi: o IPCA de junho muda o jogo para a reunião do Copom de 4 e 5 de agosto?


A resposta do mercado foi sim, com ressalvas. O resultado do IPCA reforçou a aposta de novo corte de 0,25 ponto percentual em agosto, que levaria a Selic para 14,00% ao ano. A média dos núcleos de inflação, os componentes que mostram a tendência estrutural dos preços, excluindo itens voláteis, recuou de 0,45% para 0,21% no mês, voltando a rodar abaixo do teto da meta em 12 meses, a 4,44%. Esse é exatamente o tipo de dado que o Banco Central acompanha de perto para calibrar o ciclo de cortes.


A ressalva, porém, é real: o petróleo voltou a subir ao longo da semana, com o Brent encerrando perto de US$ 72 o barril, ainda abaixo dos patamares da guerra, mas com viés de alta. Economistas alertaram que o IPCA de junho capturou preços de até o fim do mês, sem refletir essa nova pressão energética. O quadro fiscal complexo e a proximidade das eleições também foram citados como fatores que devem impedir uma reestabilização mais clara das expectativas de inflação para 2027 e 2028.


3. Crescimento Econômico FMI eleva projeção do PIB do Brasil para 2,4% em 2026, a maior revisão do ano


A semana trouxe uma notícia expressiva sobre o crescimento da economia brasileira. Na quarta-feira (8), o Fundo Monetário Internacional divulgou nova atualização do relatório Perspectiva Econômica Mundial e elevou a projeção para o PIB do Brasil em 2026 de 1,9% para 2,4%, alta de 0,5 ponto percentual, a maior revisão positiva do ano. Para 2027, o FMI também revisou para cima, de 2,0% para 2,2%.


O FMI destacou que o crescimento do Brasil deve permanecer resiliente em 2026, citando o desempenho positivo do primeiro trimestre, a solidez do mercado de trabalho e o impacto favorável da condição de exportador líquido de petróleo — que transforma parte da guerra em receita. Para 2026, o Brasil ficou em linha com a média de crescimento da América Latina e Caribe, também projetada em 2,4%. O dado reforça a percepção de que o Brasil é uma das economias emergentes mais bem posicionadas para navegar o ambiente global incerto — e tem impacto direto nas projeções de longo prazo dos regimes previdenciários.


4. Mercado de Capitais: Ibovespa fecha semana com alta de 2,18% e volta aos 177 mil pontos, maior nível desde maio


A semana foi a terceira consecutiva de alta para o Ibovespa, a melhor sequência desde o período pré-guerra e encerrou com um pregão histórico na sexta-feira.


Na segunda-feira (6), a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo no domingo gerou um efeito negativo isolado: a Ambev caiu 2,52% com o entendimento de que haverá menos consumo de bebidas com o Brasil fora da competição. O Ibovespa fechou em queda, a 172.590 pontos, mas o dólar recuou ao menor nível desde 17 de junho, a R$ 5,13.


Na sexta-feira (10), o IPCA de junho foi o gatilho para um pregão extraordinário. O Ibovespa fechou em alta de 2,97%, a 177.866,37 pontos — ultrapassando os 178 mil pontos durante o dia pela primeira vez desde maio. O volume financeiro somou R$ 25,17 bilhões. Na semana, o índice acumulou ganho de 2,18% e, em julho, já avança 3,40%. A última vez que o Ibovespa havia superado os 178 mil pontos em pregão foi em 21 de maio.


5. Câmbio: Dólar recua a R$ 5,10 na sexta com IPCA fraco, menor cotação em quase um mês


O câmbio da semana foi dominado pelo dado de inflação de sexta-feira. Antes disso, a moeda americana tinha oscilado em torno de R$ 5,13 a R$ 5,16, pressionada pela incerteza geopolítica e pelo fortalecimento global do dólar diante da perspectiva de alta de juros nos EUA.
Na sexta-feira (10), com o IPCA de junho surpreendendo para baixo, o dólar à vista encerrou em queda de 0,31%, a R$ 5,1078, a menor cotação de fechamento desde 16 de junho, quando atingiu R$ 5,0894. Na semana, a moeda acumulou baixa de 1,18% e, no ano, recuo de 6,94%. O resultado do IPCA fortaleceu a perspectiva de novo corte da Selic em agosto, o que em tese reduz o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mas por ora o real continuou se valorizando, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro e pela melhora do humor global com ativos brasileiros.


EUA: Ata do Fed revela divisão interna e tarifas sobre o Brasil entram na reta final


Na segunda-feira (6), os EUA divulgaram dois indicadores relevantes: o PMI composto da S&P Global e o ISM de serviços de junho. Na quarta-feira (8), o principal evento da semana americana: a divulgação da ata da reunião do FOMC de 16 e 17 de junho, a primeira presidida por Kevin Warsh. O documento mostrou que houve consenso entre todos os dirigentes pela manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas divisão sobre o futuro: alguns membros avaliaram que existiam justificativas para um aperto monetário adicional, enquanto outros preferiram aguardar mais dados. O Fed destacou que os integrantes continuam vendo riscos significativos para a estabilidade de preços e que os riscos de deterioração do mercado de trabalho foram considerados um pouco menores.


Também na semana, os EUA aceleraram o prazo das tarifas sobre o Brasil: o representante comercial Jamieson Greer afirmou que uma decisão seria tomada “muito em breve”, com prazo legal vencendo em 15 de julho. Warsh reforçou o tom duro em fala pública, afirmando que a inflação americana segue “alta demais”. O conjunto dos dados americanos da semana, ata cautelosa, prazo tarifário e inflação resistente, mantém o Fed em modo de espera, sem sinalizar cortes de juros no horizonte próximo.


China: Petróleo volta a cair com OPEP+ elevando produção e Ormuz com fluxo crescente


A China divulgou no início da semana o PMI de serviços do Caixin/S&P Global referente a junho, publicado habitualmente nos primeiros dias do mês seguinte. O indicador caiu de 51,1 em maio para 50,6 em junho, marcando a expansão mais fraca desde setembro de 2024. O número permaneceu acima de 50, linha que separa expansão de contração, mas o ritmo de crescimento foi o mais lento em nove meses, refletindo o enfraquecimento da demanda e a queda dos novos pedidos de exportação em meio à frágil trégua no Oriente Médio.


O dado confirma o padrão que vem se consolidando na economia chinesa: o setor de serviços segue em expansão, mas perdendo força. A crise imobiliária persistente e a demanda interna ainda fraca continuam pressionando o consumo das famílias, mesmo com o PMI oficial da China tendo mostrado ligeira alta na atividade de serviços. Para o Brasil, o sinal de desaceleração chinesa é monitorado de perto: a China é o principal destino das exportações brasileiras de soja, minério de ferro e petróleo, e qualquer redução no ritmo de sua atividade impacta diretamente nossa balança comercial.


Zona do Euro. Ações europeias encerram sequência de quatro semanas de alta com tensões renovadas no Oriente Médio


Na segunda-feira (6), a diretora do BCE, Isabel Schnabel, discursou em evento em Roma ao lado do dirigente do Fed, Christopher Waller. Schnabel reforçou a postura de vigilância do banco central europeu diante de uma inflação que, em maio, estava em 3,2%, bem acima da meta de 2% e de um cenário energético ainda incerto após a guerra no Oriente Médio. A mensagem do BCE para a reunião de 22 e 23 de julho permanece a mesma: novas altas de juros estão na mesa se a inflação não ceder.


Do lado dos mercados, as bolsas europeias encerraram a semana sob pressão. As ações do continente interromperam uma sequência de quatro semanas consecutivas de alta, pressionadas pela correção do setor de tecnologia americano e pelo ressurgimento das tensões no Oriente Médio na quarta-feira (8), quando os EUA realizaram novos ataques contra o Irã em resposta a ataques iranianos contra navios mercantes no Estreito de Ormuz. Para o RPPS com exposição internacional, a combinação de BCE hawkish — isto é, com viés de alta de juros — e bolsas europeias voláteis exige monitoramento redobrado da carteira de diversificação internacional nas próximas semanas.


Conclusão


A semana entregou o que o mercado esperava há meses: um IPCA abaixo do esperado, uma bolsa em alta pelo terceiro pregão consecutivo e o FMI revisando o crescimento do Brasil para 2,4% em 2026, a maior revisão positiva do ano. São sinais concretos de que o pior do choque inflacionário da guerra pode estar ficando para trás. A média dos núcleos de inflação recuou de 0,45% para 0,21% em junho, voltando a rodar abaixo do teto da meta em 12 meses. O Ibovespa fechou a 177.866 pontos — maior nível desde maio e o dólar recuou a R$ 5,10. O Focus registrou a primeira queda na projeção do IPCA em 16 semanas, de 5,33% para 5,30%. O ciclo de cortes da Selic ganhou novo fôlego: o mercado precifica novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de 4 e 5 de agosto, que levaria a taxa para 14,00% ao ano.


A ressalva é real e não pode ser ignorada. Na quarta-feira (8), os EUA realizaram novos ataques contra o Irã em resposta a ataques iranianos a navios mercantes no Estreito de Ormuz, reacendendo a tensão que parecia estar arrefecendo. O petróleo voltou a subir, e os dados do IPCA de junho não capturaram esse novo movimento de alta nos combustíveis. O prazo das tarifas americanas sobre o Brasil vence em 15 de julho. O BCE mantém o viés de alta de juros para a reunião de 22 e 23 de julho. E a China desacelerou seu setor de serviços ao menor nível em 9 meses.


Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.


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