O primeiro semestre de 2026 terminou com um placar que resume bem o que foi vivido: Ibovespa com alta de 6,76% no semestre, mas queda de 8,24% no segundo trimestre, período que concentrou os efeitos mais duros da guerra entre EUA e Irã. A semana de 29 de junho a 3 de julho chegou com mais um capítulo do conflito: novos ataques entre as duas potências no fim de semana, seguidos de um novo cessar-fogo e retomada das negociações no Catar. O CAGED de maio trouxe um sinal de alerta: apenas 72.960 vagas formais criadas, o pior resultado desde 2020 e menos da metade das 175 mil esperadas pelo mercado. O IGP-M de junho, por sua vez, recuou 0,50%, e o Boletim Focus estabilizou o IPCA projetado para 2026 em 5,33% pela segunda semana consecutiva, após 15 altas seguidas.

No exterior, a grande surpresa foi o payroll americano de junho: apenas 57.000 vagas criadas, contra expectativa de 110.000, levando o mercado a reduzir as apostas em alta de juros pelo Fed em setembro. O resultado animou as bolsas globais e ajudou o Ibovespa a encerrar a semana em alta. Na zona do euro, o desemprego ficou em 6,2% em maio, abaixo do esperado e a inflação da Alemanha desacelerou, aliviando levemente a pressão sobre o BCE, que ainda mantém a reunião de 22 e 23 de julho como o próximo evento de atenção máxima.
1. Inflação: Focus mantém IPCA em 5,33% pela segunda semana seguida e IGP-M cai 0,50% em junho
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (29) trouxe relativa estabilidade nas projeções: a estimativa para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,33%, sem alteração pela segunda semana consecutiva, após 15 altas seguidas. A projeção para a Selic ao fim de 2026 também foi mantida em 14,00% ao ano. O PIB teve leve alta marginal, de 1,98% para 1,99%. O câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar.
Na mesma segunda-feira, a FGV divulgou o IGP-M de junho: queda de 0,50% no mês, revertendo a alta de 0,84% de maio. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,27% no ano e 3,16% em 12 meses. A queda foi puxada pelos preços ao produtor, que recuaram com a relativa estabilidade do petróleo nas últimas semanas. O IGP-M é um índice relevante para contratos de aluguel e acordos comerciais; quando ele cai, a pressão sobre esses custos diminui.
2 Juros: Selic em 14,25%, mercado projeta pausa no ciclo e debate corte apenas em agosto
A Selic permaneceu em 14,25% ao ano, nível definido pelo Copom em 17 de junho. A próxima reunião está marcada para 4 e 5 de agosto. O mercado, conforme o Questionário Pré-Copom divulgado na semana anterior, espera manutenção da taxa em agosto e setembro, com eventual retomada de cortes apenas no quarto trimestre, dependendo da evolução da inflação e da geopolítica.
O índice de confiança de serviços da FGV subiu 2,1 pontos em junho, para 90,8 pontos, o maior nível desde janeiro de 2026, indicando que o setor de serviços ainda mantém certo otimismo, mesmo com juros elevados. O governo anunciou na segunda-feira medidas de incentivo à adimplência das famílias, em iniciativa para aliviar o peso das dívidas sobre a renda dos consumidores. As medidas reforçam o esforço de sustentar o consumo interno em um ambiente de crédito caro.
3. Crescimento Econômico: CAGED registra apenas 72.960 vagas em maio, o pior resultado desde 2020
Na terça-feira (30), o Ministério do Trabalho divulgou o CAGED de maio: o Brasil abriu apenas 72.960 vagas formais de trabalho em maio, o menor saldo desde 2020 e bem abaixo da expectativa do mercado, que projetava 175 mil vagas. O resultado confirma a tendência de moderação no mercado de trabalho que vinha sendo sinalizada desde abril, quando o saldo havia sido de apenas 85.888 vagas.
A desaceleração do emprego formal é um dado de dupla leitura: por um lado, reduz a pressão inflacionária via renda, abrindo espaço para o Banco Central calibrar a Selic de forma mais gradual. Por outro, sinaliza que a guerra e os juros elevados já estão deixando marcas na capacidade das empresas de contratar. Com dois meses seguidos de resultados fracos no CAGED, o mercado de trabalho brasileiro está convergindo para o que os economistas chamam de “equilíbrio de baixa velocidade”; poucas contratações e poucas demissões.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa encerra segundo trimestre com queda de 8,24%, semestre ainda no positivo em 6,76%
A semana trouxe o encerramento do segundo trimestre de 2026 e o balanço não foi animador. O Ibovespa acumulou queda de 8,24% no segundo trimestre e de 1,01% no mês de junho. No semestre, porém, ainda registra ganho de 6,76%, sustentado pela forte alta do primeiro trimestre, quando o acordo de paz ainda era esperado com otimismo e o índice chegou a bater recordes acima dos 199 mil pontos.
Na segunda-feira (29), o Ibovespa operou em leve alta, acima dos 173,6 mil pontos, impulsionado pelo novo cessar-fogo entre EUA e Irã após ataques do fim de semana. Na quinta-feira (02 de julho), a bolsa fechou em alta após o payroll americano de junho vir bem abaixo do esperado, 57 mil vagas contra expectativa de 110 mil, reduzindo a pressão por alta de juros nos EUA e melhorando o humor global com ativos de risco.
5. Câmbio: Dólar fecha junho com alta de 2,23%, mas recua após payroll fraco nos EUA
O câmbio da semana foi marcado por dois movimentos opostos. Na segunda-feira (29), o dólar subia frente ao real em meio à renovação das tensões geopolíticas, EUA e Irã haviam trocado novos ataques no fim de semana, antes de concordarem em suspender as hostilidades. O câmbio encerrou junho com alta acumulada de 2,23% no mês, revertendo parte da valorização do real do período pré-acordo de paz.
Na quinta-feira (02 de julho), o payroll americano de junho fraco mudou o humor do mercado. O dólar recuou, e o Ibovespa fechou em alta. O real, que havia acumulado queda de 6,04% do dólar no acumulado de 2026, mantém posição de uma das moedas emergentes de melhor desempenho no ano, mesmo com a volatilidade do segundo trimestre.
EUA: Novo cessar-fogo, payroll de junho frustra e Fed mantém cautela
A semana americana começou com novo episódio de tensão no Oriente Médio: EUA e Irã trocaram ataques no fim de semana antes de concordarem em suspender as hostilidades e retomar as negociações no Catar na terça-feira. A retomada da via diplomática veio após dias de ataques recíprocos, iniciados depois que um projétil iraniano atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz. Na quarta-feira (1º de julho), Kevin Warsh participou do painel de política monetária do Fórum de Sintra, na Europa, e reforçou o tom duro: a inflação americana segue “alta demais”.
A grande surpresa veio na quinta-feira (2): o payroll de junho dos EUA criou apenas 57.000 vagas, bem abaixo das 110.000 esperadas pelo mercado. Os dados de abril e maio também foram revisados para baixo, com corte conjunto de 74 mil postos. A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% em junho, mas acompanhada de forte encolhimento de 720 mil pessoas na força de trabalho, reflexo das políticas de controle migratório do governo Trump, que reduziram a oferta de mão de obra disponível. O resultado foi lido como alívio pelo mercado: com emprego mais fraco, o Fed tem menos pressão para subir juros, e as apostas em alta de taxas em setembro recuaram significativamente.
China: Retomada de ataques EUA-Irã ameaça abastecimento energético e afeta fluxo de Ormuz
A China viveu uma semana de incerteza renovada. A retomada dos ataques entre EUA e Irã no fim de semana anterior, que resultou em um projétil atingindo um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, ameaçou novamente o fluxo de energia para Pequim, que depende da rota para cerca de 50% do seu petróleo importado. Apesar disso, a China manteve seus canais diplomáticos com Teerã e seguiu recebendo tratamento diferenciado para o trânsito de seus navios pelo estreito.
Do lado econômico, o PMI industrial da China, divulgado na quarta-feira (1º de julho), seguiu como indicador de atenção. O índice reflete o humor dos gerentes de compras das fábricas chinesas: acima de 50 indica expansão, abaixo indica contração. O padrão de “duas velocidades” persiste: exportações de tecnologia sustentadas pela demanda global por inteligência artificial, mas consumo interno ainda fraco, refletindo a crise imobiliária e a cautela das famílias. Para o Brasil, a China resiliente, mesmo com desequilíbrios, sustenta a demanda por soja, minério de ferro e petróleo, pilares da nossa balança comercial.
Zona do Euro. Desemprego fica em 6,2% em maio e inflação da Alemanha desacelera, BCE mantém postura de vigilância
A zona do euro trouxe dois dados relevantes na semana. Na quinta-feira (02 de julho), a Eurostat divulgou que a taxa de desemprego da zona do euro permaneceu em 6,2% em maio, abaixo dos 6,3% esperados pelo mercado. O dado de abril foi revisado para baixo, também para 6,2%, de 6,3% originalmente. A Eurostat estima que havia 10,986 milhões de desempregados na zona do euro em maio.
A desaceleração da inflação na Alemanha, maior economia do bloco, também foi destaque na semana, contribuindo para o bom desempenho das bolsas europeias no encerramento do trimestre, com o índice pan-europeu subindo 0,97%. Para o BCE, o dado de desemprego estável e a inflação alemã mais comportada oferecem um cenário levemente menos tenso do que nas últimas semanas, embora a inflação da zona do euro em 3% siga bem acima da meta e a reunião de 22 e 23 de julho permaneça como o próximo evento de atenção máxima para os mercados.
Conclusão:
O primeiro semestre encerrou com sinais mistos e o início do segundo já trouxe novos desafios. O CAGED de maio registrou apenas 72.960 vagas formais, o pior resultado desde 2020, confirmando que a guerra e os juros elevados já deixam marcas no mercado de trabalho. O Ibovespa acumulou queda de 8,24% no segundo trimestre e o dólar fechou junho com alta de 2,23%, revertendo parte dos ganhos do real. Ao mesmo tempo, o Focus estabilizou o IPCA projetado para 2026 em 5,33% pela segunda semana seguida, após 15 altas consecutivas, e o IGP-M recuou 0,50% em junho, sinais de que a inflação pode estar encontrando um teto, ainda que elevado.
No exterior, o payroll americano fraco, 57.000 vagas criadas contra 110.000 esperadas, reduziu a pressão por alta de juros nos EUA e trouxe alívio aos mercados globais, incluindo o Ibovespa, que fechou a semana em alta. Na zona do euro, o desemprego estável em 6,2% e a inflação alemã desacelerando oferecem um respiro ao BCE antes da reunião de 22 e 23 de julho.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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