A semana de 22 a 26 de junho de 2026 chegou com uma novidade que o mercado esperava e outra que ele temia. O Boletim Focus registrou a 15ª alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026, que chegou a 5,33%, e a Selic projetada para o fim do ano subiu para 14,00%, sinal de que o mercado não espera mais cortes de juros expressivos em 2026. Nos EUA, o PCE, principal termômetro de inflação do Federal Reserve, superou 4% pela primeira vez em três anos, e o mercado passou a precificar 80% de chance de alta de juros americanos em setembro. Na China, o banco central manteve os juros pelo 13º mês consecutivo, e na zona do euro o BCE alertou que o cessar-fogo no Oriente Médio não é motivo para baixar a guarda, estimando que a guerra já reduziu o PIB europeu em 0,4 ponto percentual.

Na quinta-feira (25), os dados domésticos surpreenderam positivamente. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, com desaceleração puxada pelos alimentos e pela relativa estabilidade dos combustíveis, embora o componente de serviços siga pressionado. No mesmo dia, o Banco Central revisou para cima sua projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, citando aceleração da atividade e resiliência do mercado de trabalho. O Índice de Confiança da Indústria atingiu 100,1 pontos, acima do patamar de otimismo pela primeira vez no ano, e o Ibovespa encaminhou sua primeira semana positiva em dois meses, com três altas seguidas, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro de US$ 8,196 bilhões registrado em junho até o dia 19.
1. Inflação: Focus registra 15ª alta consecutiva e IPCA-15 de junho desacelera para 0,41%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (22) mostrou nova deterioração: a projeção do IPCA para 2026 subiu de 5,30% para 5,33%, marcando a 15ª alta consecutiva. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 avançou de 13,75% para 14,00%, três semanas seguidas de revisão para cima. A projeção do PIB subiu de 1,96% para 1,98%. O câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar.
O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, e desacelerou frente à alta de 0,62% em maio. Na base anual, o avanço foi de 4,80%, também abaixo dos 4,82% projetados pelo mercado. A desaceleração foi puxada pelos alimentos, que arrefeceram em junho, e pela relativa estabilidade dos combustíveis, dois fatores que tendem a ser voláteis e podem se reverter nos próximos meses. O ponto de atenção fica com o componente de serviços, que seguiu pressionado: esse grupo é o mais difícil de controlar porque depende do mercado de trabalho e do consumo das famílias, não do petróleo e sua resistência indica que a inflação de fundo ainda não cedeu de forma estrutural.
2 Juros: Ata do Copom confirma cautela e mercado eleva Selic projetada para 14% em 2026
Na terça-feira (23), o Banco Central divulgou a ata da reunião do Copom de 17 de junho, documento que detalha os motivos da decisão de cortar a Selic de 14,50% para 14,25% e sinaliza o caminho à frente. O mercado financeiro, antes da reunião do Copom da semana anterior, esperava que a Selic encerrasse 2026 em 14,00% e 2027 em 12,00%, conforme mostrou a mediana do Questionário Pré-Copom divulgado na quarta-feira (24). A maior parte dos agentes esperava que o BC cortasse 0,25 ponto percentual na reunião de junho, em linha com o que foi feito, e previa manutenção nas duas reuniões seguintes, em agosto e setembro.
O Boletim Focus da semana já antecipava esse movimento, elevando a Selic projetada para o fim do ano de 13,75% para 14,00%, sinal de que o mercado aguarda uma pausa no ciclo de cortes nas próximas reuniões.
3. Crescimento Econômico: BC eleva previsão do PIB de 2026 para 2,0% e confiança da indústria sobe para 100 pontos
Na quinta-feira (25), o Banco Central surpreendeu positivamente com a divulgação do Relatório de Política Monetária. O BC elevou sua projeção de crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2,0%, apontando que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.
Na sexta-feira (26), mais um dado positivo. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV subiu 3,0 pontos em junho, para 100,1 pontos. O indicador acima de 100 sinaliza que os empresários industriais estão, em média, otimistas com o cenário à frente. A combinação entre a revisão do BC e a melhora da confiança industrial mostra que a economia brasileira mantém resiliência estrutural, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados e inflação acima da meta.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem três altas seguidas e encaminha primeira semana positiva em dois meses
Após semanas difíceis, o Ibovespa mostrou recuperação. Na terça-feira (23), o índice registrou a terceira alta seguida, com bancos e Petrobras liderando os ganhos, na contramão do exterior. O alívio geopolítico, com imagens de negociadores americanos e iranianos trocando apertos de mão na Europa no fim de semana anterior, ajudou a reduzir o prêmio de risco e impulsionou os ativos brasileiros.
Na quinta (25), o índice voltou a subir, operando em alta de 1% acima dos 172,6 mil pontos, impulsionado pelo IPCA-15 abaixo do esperado e pelo PCE americano (principal termômetro de inflação utilizado pelo Federal Reserve para calibrar sua política de juros) em linha com as projeções. Por fim, na sexta (26), o fluxo cambial total positivo de US$ 8,196 bilhões em junho até o dia 19 foi divulgado pelo Banco Central, sinal de entrada consistente de capital estrangeiro no país.
5. Câmbio: Dólar oscila entre R$ 5,16 e R$ 5,20 em semana de dados de inflação no Brasil e nos EUA
O câmbio da semana foi ditado pelas expectativas de inflação nos dois lados do Atlântico. Na segunda-feira (22), o Ibovespa fechou em alta na contramão do exterior e o dólar recuou levemente, refletindo o fluxo de capital estrangeiro positivo para o Brasil. O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e realizou operações de swap cambial reverso (é uma ferramenta que o BC usa para equilibrar o mercado de câmbio quando o real está muito forte, sem precisar comprar ou vender dólares de verdade, apenas no mercado de contratos futuros) no valor de outros US$ 1 bilhão na sexta-feira (26) que garante liquidez ao mercado sem impacto líquido sobre as cotações. I
Na quinta-feira (25), o dólar comercial subia a R$ 5,20 nos primeiros negócios, antes de recuar após o IPCA-15 desacelerar mais do que o esperado e o PCE americano vir em linha com as estimativas. O real terminou a semana com desempenho misto: pressionado no início pelos dados do Focus, aliviado no meio da semana pelo IPCA-15 e pelo PCE, e novamente pressionado no fim pelo fluxo de saída de ações de tecnologia americanas que afetou ativos emergentes globalmente.
EUA: PCE supera 4% pela primeira vez em três anos e mercado precifica alta de juros em setembro
A grande novidade econômica da semana veio na quinta-feira (25): a divulgação do PCE, o índice de inflação preferido do Federal Reserve. O índice de preços PCE subiu 4,1% nos 12 meses até maio, o maior aumento e a primeira leitura acima de 4,0% desde abril de 2023. O PCE subiu 3,8% em abril. O índice teve alta de 0,4% em maio em relação ao mês anterior. A guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo, levando a um aumento nos custos da gasolina.
O dado consolidou uma mudança importante nas expectativas de mercado. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, teve alta de 3,4% em maio na base anual, ante 3,3% em abril. Os mercados financeiros precificam cerca de 30% de chance de alta de juros na reunião do Fed de 28 e 29 de julho e cerca de 80% de chance de alta na reunião de 15 e 16 de setembro. Para o Brasil, essa precificação é relevante: juros americanos mais altos reduzem o diferencial com a Selic e podem pressionar o real nas próximas semanas.
China: Banco central mantém juros pelo 13º mês consecutivo e emite alerta sobre desequilíbrio econômico
Na segunda-feira (22), a China divulgou sua decisão de política monetária. O banco central chinês manteve as taxas de empréstimo de referência pelo 13º mês consecutivo em junho, em linha com as expectativas. A LPR de um ano foi mantida em 3,00%, enquanto a LPR de cinco anos permaneceu em 3,50%. A estabilidade das taxas indica que as autoridades não têm pressa em afrouxar a política monetária, mesmo com a persistência de divergências econômicas mais amplas.
O presidente do banco central chinês, Pan Gongsheng, descreveu o cenário como uma “profunda reestruturação econômica”, reconhecendo que o crescimento dos empréstimos desacelerou nos últimos anos, mesmo com o financiamento por títulos ganhando força. O padrão de “duas velocidades” persiste: dados econômicos recentes mostram o setor industrial impulsionado pela resiliência das exportações, mas com a demanda interna se deteriorando em meio a uma crise imobiliária que já dura anos. Para o Brasil, a China estável, mesmo que com desequilíbrios internos, sustenta a demanda por commodities que são o pilar da nossa balança comercial.
Zona do Euro: Inflação confirma alta para 3,2% em maio, dado final supera abril
A zona do euro encerrou a semana com dois dados relevantes. O primeiro foi o alerta de um economista do próprio BCE: o BCE precisará continuar aumentando as taxas de juros, já que os preços da energia permanecem altos e um cessar-fogo no Oriente Médio não é motivo para que as autoridades monetárias baixem a guarda.
O segundo foi um estudo técnico do BCE que quantificou o impacto da guerra na economia europeia. O economista do BCE Johannes Gareis estimou que a guerra no Oriente Médio deve reduzir o crescimento do PIB real da zona do euro em cerca de 0,4 ponto percentual ao longo do primeiro ano, com base em análise de choques do petróleo desde 1985. O ataque ao Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz encareceram o combustível para a zona do euro, que é importadora de energia, levando o BCE a reduzir suas estimativas de crescimento duas vezes desde março e a aumentar os custos dos empréstimos neste mês.
Conclusão
A semana trouxe um sinal raro e bem-vindo: a inflação mensal começou a ceder. O IPCA-15 de junho subiu apenas 0,41%, abaixo do esperado, puxado pela desaceleração dos alimentos e pela estabilidade dos combustíveis. O Banco Central revisou para cima sua projeção do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, e a confiança da indústria superou os 100 pontos pela primeira vez no ano. O Ibovespa encaminhou sua primeira semana positiva em dois meses, com entrada de US$ 8,196 bilhões em capital estrangeiro em junho até o dia 19. São sinais de que os fundamentos brasileiros seguem firmes, mesmo com a inflação acumulada ainda acima da meta e a Selic projetada para encerrar 2026 em 14,00%, nível que indica pausa no ciclo de cortes nas próximas reuniões de agosto e setembro.
No exterior, o cenário exige atenção redobrada. Nos EUA, o PCE superou 4% pela primeira vez em três anos, e o mercado precifica 80% de chance de alta de juros americanos em setembro, o que reduziria o diferencial de juros com o Brasil e poderia pressionar o real nas próximas semanas. Na China, o banco central manteve os juros pelo 13º mês consecutivo, sinalizando cautela diante de uma economia de “duas velocidades”: indústria forte, consumo interno fraco. E na zona do euro, o BCE alertou que a guerra já reduziu o PIB europeu em 0,4 ponto percentual e que o cessar-fogo não é motivo para abandonar o aperto monetário.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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