A semana trouxe uma combinação rara: o pior susto geopolítico em meses e o melhor resultado da bolsa em mais de dois meses.
O Irã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, e o dólar abriu a semana em R$ 5,18, a terceira derrota seguida do real. Mas Trump agiu rápido para conter a escalada, e o restante da semana trouxe uma sequência de dados relevantes: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, o PIB do primeiro trimestre foi revisado para R$ 3,3 trilhões, recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do mundo, e o Ibovespa encerrou a maior sequência negativa da sua história, oito semanas consecutivas no vermelho, com alta semanal de 1,25%.
Nos EUA, o CPI de maio subiu para 4,2% em 12 meses, o maior nível em três anos, e Trump reagiu dizendo “adoro a inflação”. Na China, o CPI ficou em 1,2% e o PPI atingiu 3,9%, maior alta desde 2022. E na zona do euro, o BCE revisou a inflação para 3% em 2026 e cortou a projeção de crescimento, confirmando o cenário de estagflação que a Europa tenta evitar.

1. Inflação: Focus registra 3ª alta consecutiva e IPCA de maio confirma desaceleração para 0,58%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (08 de junho) trouxe a projeção do IPCA para 2026 subindo de 5,09% para 5,11%, a terceira alta consecutiva. O IGP-M avançou de 6,00% para 6,10%, na 14ª alta consecutiva. Apesar da nova alta nas projeções, o dado oficial trouxe um respiro: o IPCA de maio de 2026 subiu 0,58%, desacelerando frente aos 0,67% de abril.
A combinação dos dois números mostra um quadro de transição: a inflação corrente está desacelerando mês a mês, mas o mercado ainda revisa as projeções anuais para cima, reflexo do acúmulo de pressão dos meses mais críticos da guerra (março e abril).
2 Juros: Selic em 14,50% — Focus eleva projeção para 13,50% em 2026 antes do Copom
A projeção do mercado para a taxa Selic voltou a subir no Boletim Focus divulgado na segunda (08 de junho de 2026). A estimativa para os juros básicos ao fim de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano, enquanto a previsão para 2027 avançou de 11,25% para 11,50%.
A semana antecedeu a reunião do Copom marcada para 17 e 18 de junho, a mais aguardada do ano. Com o IPCA de maio desacelerando para 0,58%, mas as projeções anuais ainda subindo, o Banco Central enfrenta um dilema clássico: os dados recentes melhoraram na margem, mas as expectativas de longo prazo continuam se deteriorando. A elevação da Selic projetada para 13,50%, mais de 2 pontos percentuais acima do que se estimava antes da guerra, sinaliza que o mercado já não espera uma normalização rápida dos juros, mesmo com a desaceleração recente da inflação mensal.
3. Crescimento Econômico: Brasil ultrapassa o Canadá e volta ao top 10 das maiores economias do mundo
O PIB do primeiro trimestre de 2026 subiu 1,1% e chegou a R$ 3,3 trilhões, ultrapassando o Canadá e recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do mundo. Os números dos dois trimestres anteriores também foram revistos para cima. O Ministério da Fazenda mantém a previsão de alta da economia em 2,3% para 2026.
A notícia é simbólica e relevante: voltar ao top 10 global mostra que, mesmo em meio à guerra, à inflação pressionada e aos juros elevados, a economia brasileira mantém um tamanho e uma resiliência que poucos emergentes conseguem sustentar. Para o RPPS, esse é um sinal de que a base econômica que sustenta a arrecadação, o emprego e o consumo no país continua sólida, o que reduz o risco de um cenário de estagnação prolongada, mesmo com os desafios de curto prazo.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa encerra sequência de 8 semanas negativas, a maior da história, com alta de 1,25%
A semana trouxe um alívio importante para o Ibovespa, mas começou difícil. Na segunda-feira (08 de junho de junho), o índice caiu 0,21%, para 168.668,72 pontos.
A virada veio ao longo da semana. Na sexta-feira (12 de junho de 2026), o Ibovespa terminou a sessão com queda de 0,21%, aos 171.134 pontos, mas na semana acumulou alta de 1,25%, encerrando uma série de oito perdas semanais consecutivas, a maior sequência negativa da história.
5. Câmbio: Dólar sobe para R$ 5,18 com terceira derrota seguida do real em meio à incerteza sobre a guerra
Na segunda-feira (08 de junho de 2026), o real teve a terceira derrota seguida, com o dólar comercial subindo 0,45%, para R$ 5,18. O movimento refletiu a tensão renovada no Oriente Médio: no fim de semana anterior, o Irã havia lançado mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, reacendendo o temor de uma escalada do conflito.
Ao longo da semana, contudo, o tom mudou. Israel anunciou suspensão temporária dos ataques ao Irã a pedido de Trump, e o petróleo recuou com a notícia. O alívio geopolítico ajudou o real a se recuperar parcialmente ao longo da semana, embora o nível de R$ 5,18 do início da semana ainda reflita o quanto o câmbio brasileiro permanece sensível a qualquer sinal de escalada ou desescalada no Oriente Médio, um padrão que se repete desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
EUA: CPI sobe para 4,2%, maior nível em três anos, e Trump diz “adoro a inflação”
Além da tensão geopolítica, a semana trouxe um dado econômico relevante: a inflação americana de maio. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,5% em maio frente a abril, em linha com o esperado, e acumulou alta de 4,2% em 12 meses, o maior nível desde abril de 2023. Em abril, o índice havia avançado 3,8% na base anual. A alta em energia se repete pelo terceiro mês consecutivo, refletindo o impacto do conflito no Oriente Médio: em três meses, o avanço foi de quase 20%.
A reação do presidente Trump ao dado chamou atenção. Questionado sobre a aceleração da inflação, Trump disse não estar preocupado e classificou os números como “ótimos”, afirmando: “Eu adoro a inflação.” Para o mercado, porém, o dado é motivo de cautela: economistas avaliam que não há espaço para cortes de juros nos EUA neste ano, com possibilidade inclusive de o Fed voltar a subir os juros. A projeção predominante é de manutenção da taxa no intervalo de 3,5% a 3,75% até o fim de 2026, cenário que impacta diretamente os mercados emergentes, com reflexos na saída de capital da bolsa brasileira e na variação do câmbio. Combinado com o ataque do Irã a Israel no domingo anterior, o CPI reforça o ambiente de cautela que pressionou o real e o Ibovespa no início da semana.
China: Inflação ao consumidor fica abaixo do esperado e preços ao produtor atingem maior alta em quase 4 anos
Na quarta-feira (10 de junho de 2026), a China divulgou seus dados de inflação de maio. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) mede a variação dos preços pagos pelas famílias por bens e serviços no varejo, é a inflação que o consumidor sente no dia a dia. Ele subiu 1,2% na comparação anual, levemente abaixo da expectativa de 1,3% e caiu 0,1% frente a abril.
Já o PPI (Índice de Preços ao Produtor) mede a variação dos preços na saída das fábricas, ou seja, quanto as empresas cobram entre si antes que o produto chegue ao consumidor final, funcionando como um termômetro antecipado de pressões inflacionárias. O PPI subiu 3,9% na comparação anual, o maior nível desde julho de 2022, com os preços da energia pressionando os custos dos fabricantes. Os preços da gasolina acumulam alta de 23,5% em 12 meses, enquanto os alimentos caíram 1,7%, com a carne suína recuando 16,1%, fator que ajuda a conter a inflação geral por enquanto.
O quadro reflete o dilema global: o PPI em alta mostra o custo do petróleo da guerra chegando às fábricas, mas o CPI fraco indica que as empresas ainda não conseguem repassar esses custos aos consumidores, pressionando suas margens. Com o Estreito de Ormuz só devendo normalizar no terceiro trimestre de 2026, o cenário de custos energéticos elevados deve persistir.
Zona do Euro. BCE revisa inflação para 3% em 2026 e reduz projeção de crescimento
Na quinta-feira (11), na sequência da histórica alta de juros da semana anterior, o Banco Central Europeu divulgou suas novas projeções macroeconômicas e o quadro piorou em ambas as frentes. Para a inflação, o banco passou a prever 3% em 2026 (ante 2,6% estimados anteriormente) e 2,3% em 2027 (acima dos 2% projetados em março). Para 2028, a expectativa recuou de 2,1% para 2%, em linha com a meta da instituição.
Para o crescimento, o movimento foi inverso. O Banco Central Europeu cortou a projeção do PIB da zona do euro de 0,9% para 0,8% em 2026 e de 1,3% para 1,2% em 2027. Para 2028, a estimativa foi elevada de 1,4% para 1,5%. As revisões confirmam o diagnóstico que vinha se desenhando nas últimas semanas: o choque de energia da guerra no Oriente Médio pressiona os preços e enfraquece a atividade ao mesmo tempo, o cenário de estagflação que o BCE tentava evitar.
Conclusão
A semana resume bem o momento atual: a guerra continua sendo o fator que move os mercados de um dia para o outro, mas os fundamentos brasileiros seguem mostrando resiliência.
O susto do fim de semana, com o Irã atacando Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, levou o dólar a R$ 5,18 logo na abertura da semana, mas a rápida intervenção de Trump evitou uma escalada maior. A partir daí, os dados domésticos surpreenderam positivamente: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, o PIB do primeiro trimestre confirmou o Brasil entre as dez maiores economias do mundo, com R$ 3,3 trilhões, e o Ibovespa rompeu a maior sequência de perdas semanais da história com alta de 1,25%. Ainda assim, o Boletim Focus elevou a projeção da Selic para 13,50% em 2026, sinal de que o mercado ainda não vê uma normalização rápida dos juros, mesmo com a inflação mensal desacelerando.
No exterior, o cenário é de cautela redobrada. Nos EUA, o CPI subiu para 4,2% em 12 meses, maior nível em três anos, reduzindo ainda mais o espaço para cortes de juros pelo Fed. Na China, o PPI atingiu 3,9%, a maior alta desde 2022, mostrando que os custos da guerra já chegam às fábricas, mesmo com o consumo interno ainda fraco. E o BCE revisou sua inflação para 3% com crescimento mais fraco, o pior dos cenários para qualquer banco central.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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