A semana de 18 a 22 de maio de 2026 começou com uma sequência que já virou rotina e que não pode mais ser ignorada: a décima alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026, que chegou a 4,92%, saindo de 3,91% em fevereiro. Em menos de três meses e meio, o mercado revisou a inflação brasileira para cima em 1 ponto percentual. O IGP-M, índice que reajusta aluguéis e contratos, acumula sua 11ª semana seguida de alta. E a projeção da Selic para o fim de 2026 subiu novamente, de 13% para 13,25% — quase 2 pontos percentuais acima do que se esperava antes da guerra.
Mas a semana também reservou surpresas positivas. A prévia do PIB mostrou que a economia brasileira cresceu 1,3% no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado desde 2024, provando que o país chegou ao conflito com fundamentos sólidos. Na quarta-feira dia 20 de maio, o Ibovespa registrou sua maior alta desde o início de abril, impulsionado por sinais concretos de avanço nas negociações de paz: dois petroleiros chineses cruzaram o Estreito de Ormuz e, na quinta-feira dia 21de maio, EUA e Irã chegaram a uma versão preliminar de acordo, com previsão de cessar-fogo imediato e reabertura de Ormuz com monitoramento partilhado. O petróleo chegou a cair quase 6% em um único dia. Na sexta, dia 22 de maio, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que há “bons sinais”, mas alertou que o acordo será “inviável” se o Irã insistir em cobrar pedágio pelo estreito. A paz está mais perto. Mas ainda não chegou.

1. Inflação: Focus registra décima alta consecutiva: IPCA chega a 4,92% e IGP-M acumula 11ª semana de elevação.
A semana começou com mais uma notícia preocupante para a inflação. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, dia 18 de maio trouxe a décima alta consecutiva nas projeções do IPCA para 2026.
A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,91% para 4,92%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4% pela terceira semana consecutiva. Em 2028, a expectativa avançou de 3,64% para 3,65%. No caso do IGP-M, a mediana para 2026 avançou de 5,60% para 5,63%, registrando a 11ª alta consecutiva.
Para entender o que essa sequência de altas significa na prática: em fevereiro, antes da guerra, o IPCA projetado para 2026 estava em apenas 3,91%. Em pouco mais de três meses, o mercado já revisou essa estimativa para quase 5%, uma alta de 1 ponto percentual que reflete diretamente o impacto do petróleo elevado sobre combustíveis, fretes e alimentos. O IGP-M, índice que mede a inflação no atacado e serve de base para reajuste de aluguéis e contratos, já acumula 11 semanas seguidas de alta, sinalizando que a pressão de custos na economia real não dá trégua.
2. Juros: Selic em 14,50%, mercado eleva projeção para o fim de 2026 e Copom de junho vira o evento do mês.
A Selic permaneceu em 14,50% ao ano. Não houve reunião do Copom na semana, mas o mercado não parou de revisar suas estimativas sobre os próximos passos da política monetária.
A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 13% para 13,25% ao ano. A elevação da Selic projetada para o fim do ano tem um significado claro: o mercado está apostando que o Banco Central vai cortar menos do que o planejado antes da guerra. Em fevereiro, a estimativa era de Selic encerrando 2026 entre 11% e 11,50%. Hoje, o consenso aponta para 13,25%, quase 2 pontos percentuais acima.
A próxima reunião do Copom está marcada para 17 e 18 de junho e será decisiva para calibrar o ritmo e a extensão do ciclo de cortes.
3. Crescimento Econômico: IBC-Br cai em março, mas primeiro trimestre cresce 1,3%, o melhor resultado desde 2024.
A prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), revelou que a economia brasileira cresceu 1,30% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses anteriores. Este resultado representa o melhor desempenho trimestral registrado desde o terceiro trimestre de 2024, mostrando que o país iniciou o período de instabilidade internacional em boa forma. Apesar desse saldo positivo no acumulado, o indicador apresentou uma retração de 0,70% no mês de março, um recuo mais intenso do que a queda de 0,20% estimada pelos analistas. Essa desaceleração pontual reflete os primeiros impactos dos conflitos globais sobre os custos das empresas, mas não anulou os ganhos anuais, que registraram uma alta de 3,10% em relação a março do ano anterior e um avanço de 1,80% no acumulado de 12 meses.
As perspectivas para a continuidade do crescimento seguem sustentadas pela expansão da renda real das famílias e pelo avanço de medidas de estímulo financeiro, como os programas de renegociação de dívidas. Projeções de mercado indicam que esse pacote de incentivos ao crédito possui potencial para adicionar mais de 1,0 ponto percentual ao crescimento total do PIB ao longo deste ano
4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem maior alta desde o início de abril, mas guerra segura o índice abaixo dos 192 mil
O principal índice da Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) apresentou um movimento de recuperação após cinco semanas consecutivas em queda, trazendo um alívio temporário para os investidores. O momento de maior otimismo ocorreu na quarta-feira, dia 20 de maio, impulsionado pela divulgação da ata do Banco Central americano (Fed), pelos resultados corporativos globais históricos de empresas de tecnologia e por sinais iniciais de recuo nas tensões internacionais. A sinalização de progresso nas negociações diplomáticas e a movimentação de dois petroleiros chineses fora das áreas de conflito alimentaram a perspectiva de que o impasse global poderia ser solucionado de forma célere.
Contudo, o cenário de calmaria foi revertido na quinta-feira, dia 21 de maio, após o anúncio de novas diretrizes estratégicas por parte da liderança do Irã, que restringiram o envio de urânio enriquecido para o exterior. Essa decisão travou as negociações de paz, reavivando o temor de uma guerra prolongada e pressionando negativamente os ativos de maior risco, o que provocou a queda das ações e a elevação das taxas futuras de juros. Com a oscilação entre otimismo e prudência, a Bolsa encerrou o período sem forças para romper a barreira dos 192 mil pontos, patamar que se mantém como a máxima histórica recente do mercado.
5. Câmbio: Dólar oscila em torno de R$ 5; notícias da guerra ditam o ritmo do real
O câmbio da semana foi um espelho fiel do noticiário geopolítico: avançou quando surgiram sinais de acordo, recuou quando as negociações travaram.
A Comissão Europeia revisou sua previsão de crescimento do PIB da zona do euro para 0,90% em 2026, de 1,30% em 2025, com aceleração para 1,20% em 2027. O cenário europeu mais fraco contribuiu para aumentar a aversão ao risco global e pressionar o real.
O mercado manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o encerramento de 2026, abaixo dos R$ 5,25 projetados nas semanas anteriores, indicando que os analistas ainda veem espaço para valorização do real no longo prazo, especialmente se as negociações de paz avançarem e o petróleo ceder.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA, com a Selic em 14,50% contra taxas americanas entre 3,50% e 3,75%, segue sendo o principal fator de suporte para o real. Enquanto esse diferencial se mantiver elevado, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil tende a continuar positivo, servindo como amortecedor natural para o câmbio.
EUA: Negociações com o Irã avançam e versão preliminar de acordo surge na quinta-feira
As negociações internacionais viveram uma semana de forte oscilação, registrando avanços e recuos significativos. O adiamento de ações militares e a retomada parcial da circulação de navios fizeram o preço do barril de petróleo recuar ao patamar de US$ 104,15 (tipo WTI) e US$ 111,28 (tipo Brent). Na quarta-feira, dia 20de maio, a commodity chegou a despencar quase 6%, ignorando até mesmo uma redução expressiva de 7,863 milhões de barris nos estoques dos Estados Unidos, número bem maior do que a queda de 3 milhões esperada pelo mercado. O ponto alto ocorreu na quinta-feira, dia 21de maio, com a divulgação de um rascunho preliminar para um cessar-fogo que prevê a abertura monitorada do Estreito de Ormuz. Contudo, o governo americano alertou que as conversas podem travar caso o Irã insista em controlar permanentemente a navegação da rota estratégica.
No campo monetário, a ata do Banco Central americano (Fed) adotou uma postura mais rígida e trouxe um recado de alerta para os investidores. O documento revelou que as autoridades econômicas dos Estados Unidos discutiram, pela segunda reunião consecutiva, a possibilidade de realizar um novo aumento na taxa de juros caso a inflação global permaneça distante da meta estabelecida. O mercado financeiro interpretou o comunicado com prudência, consolidando a percepção de que os juros norte-americanos não serão reduzidos enquanto as pressões causadas pelos conflitos internacionais continuarem sustentando o preço do petróleo em patamares elevados.
China: Petroleiros chineses cruzam Ormuz;Pequim colhe os frutos da diplomacia discreta
A China teve uma semana relevante no front geopolítico, ainda que silenciosa nos comunicados oficiais. Dois petroleiros chineses saíram do Estreito de Ormuz na quarta-feira, dia 20 de maio, mostrando dados de navegação, um sinal concreto de que Pequim mantém canais privilegiados com Teerã, fruto da diplomacia discreta exercida nos bastidores desde o início do conflito.
A passagem dos navios chineses é mais do que um dado logístico. Ela confirma que o Irã está honrando os acordos pontuais com a China, seu principal comprador de petróleo, mesmo enquanto bloqueia o tráfego geral pelo estreito. Para a China, garantir o fluxo de energia é prioridade estratégica: o país depende de Ormuz para cerca de 50% do seu petróleo importado. Para o Brasil, a capacidade chinesa de manter o abastecimento energético sustenta a demanda por commodities brasileiras: soja, minério de ferro e petróleo, que são o motor da nossa balança comercial.
Do lado econômico, a China segue monitorando os efeitos da guerra sobre seus custos industriais e seu ritmo de crescimento. O PIB de 5% no primeiro trimestre de 2026 deu fôlego, mas a desaceleração nas exportações, que cresceram apenas 2,5% em março, contra 21,8% em janeiro-fevereiro, mostra que a guerra já começa a deixar marcas na cadeia produtiva chinesa.
Zona do Euro. Comissão Europeia revisa crescimento para baixo e tensões no BCE aumentam às vésperas de junho
A Europa encerrou a semana com dados que reforçam o dilema que o Banco Central Europeu precisará resolver em junho: inflação acima da meta e crescimento cada vez mais fraco.
A Comissão Europeia revisou sua previsão de crescimento do PIB da zona do euro para 0,90% em 2026, de 1,3% em 2025, com aceleração para 1,20% em 2027. Em suas últimas previsões, em novembro, as expectativas eram de 1,20% e 1,40%, respectivamente.
A revisão para baixo confirma o que os dados vinham sinalizando há semanas: a guerra no Oriente Médio está travando a recuperação europeia. O encarecimento da energia eleva os custos de produção, reduz o poder de compra das famílias e força as empresas a segurar investimentos. Ao mesmo tempo, a inflação em 3%, a maior desde setembro de 2023, impede que o BCE adote uma postura mais flexível para estimular o crescimento.
O mercado continua precificando pelo menos uma alta de juros pelo BCE em junho, com grande probabilidade de uma segunda alta até dezembro. A reunião de 30 de junho será a mais importante do banco central europeu em anos e seu resultado terá impacto direto sobre os títulos europeus e sobre os ativos globais de renda fixa.
Conclusão
A semana que passou pode ser descrita em uma frase: a guerra chegou mais perto do fim e o mercado já está precificando esse cenário, mas com cautela.
A versão preliminar de acordo entre EUA e Irã, divulgada na quinta-feira, dia 21 de maio, foi o evento mais relevante desde o cessar-fogo de abril. Com previsão de cessar-fogo imediato e reabertura do Estreito de Ormuz com monitoramento partilhado, o documento representa o avanço mais concreto em semanas de negociação. O petróleo chegou a cair quase 6% em um único dia. O Ibovespa registrou sua maior alta desde o início de abril. E o real se valorizou, mantendo o dólar próximo de R$ 5,00.
Mas o acordo ainda não está assinado e o mercado aprendeu, ao longo de quase três meses de guerra, a não comemorar antes da hora. O impasse sobre o urânio iraniano persiste. O secretário Rubio deixou claro que pedágio no Estreito de Ormuz é linha vermelha para os EUA. E a décima alta consecutiva do IPCA no Focus, que chegou a 4,92% para 2026, lembra que as cicatrizes da guerra nos preços não somem com a assinatura de um documento. A Selic projetada para o fim de 2026 já está em 13,25%, quase 2 pontos percentuais acima do que o mercado esperava antes do conflito. O Copom de junho será decisivo: se o acordo se confirmar e o petróleo ceder, pode haver espaço para acelerar os cortes. Se o acordo rachar, o ciclo de afrouxamento perde força. Por fim, a reunião do BCE em junho, com a zona do euro crescendo apenas 0,90% em 2026 e inflação em 3%.
Seguimos monitorando de perto cada variável que impacta o patrimônio do RPPS. Nosso compromisso é com análises claras, decisões fundamentadas e ajustes oportunos, sempre com foco no que importa: garantir que o regime cumpra sua missão de pagar os benefícios dos servidores com segurança, pontualidade e sustentabilidade no tempo.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
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Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

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