NOSSA VISÃO: 22/04/2026

A semana de 13 a 17 de abril de 2026 começou como uma segunda-feira de nervos: as negociações de paz entre EUA e Irã haviam fracassado no fim de semana anterior, em Islamabad, e o petróleo disparava. Mas em poucas horas o clima virou. Donald Trump declarou que o Irã “quer fazer um acordo”, e o mercado respirou fundo. O Ibovespa cruzou os 198 mil pontos logo na segunda-feira, batendo novo recorde histórico. O 17º do ano, e o dólar tocou pela primeira vez em dois anos a marca simbólica abaixo de R$ 5,00. Na terça-feira, a euforia chegou ao auge: o índice alcançou 199.354 pontos na máxima intradiária, uma distância respirável dos 200 mil pontos.


Mas a semana não terminou como começou. A perspectiva de um cessar-fogo definitivo fez o petróleo despencar, e as ações da Petrobras sofreram quedas expressivas. O índice encerrou a sexta-feira em 195.733 pontos, recuando 0,81% na semana.






1 Inflação: expectativas estouram o teto da meta pela primeira vez no ano

O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 13 de abril pelo Banco Central revelou que a mediana das estimativas para o IPCA de 2026 subiu para 4,71%, a quinta alta consecutiva desde o início do ano e a primeira vez que essa projeção ultrapassa o teto da meta de 4,5%. Quatro semanas atrás, a estimativa estava em apenas 4,17%.


Na sexta-feira, 17 de abril, uma nova leitura do Focus já apontava para 4,80%, sexta alta consecutiva. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril nas semanas mais tensas do conflito, e esse choque de energia se transmitiu para combustíveis, fretes e alimentos. O grupo de alimentação, que representa mais de 20% do IPCA, absorveu boa parte desse impacto.



2 Juros: Selic em 14,75% e o Copom com data marcada para decidir

A taxa Selic permanece em 14,75% ao ano, patamar definido na reunião do Copom de 18 de março. Mas os olhos do mercado já estão voltados para a próxima reunião, marcada para 28 e 29 de abril. Essa será a primeira decisão oficial com todos os dados da guerra no Oriente Médio, o comportamento do dólar abaixo de R$ 5 e a nova leitura da inflação em mãos.


O consenso atual é de que o Copom deve cortar 0,25 ponto percentual na Selic, um passo mais cauteloso do que os 0,50 ponto que parte do mercado esperava semanas atrás. A razão é simples: com a inflação projetada acima do teto da meta, o Banco Central precisa ser cuidadoso. Cortar demais pode parecer descuido; não cortar pode sinalizar uma paralisia desnecessária num momento em que o petróleo recua.



3. Crescimento Econômico: Crescimento Econômico: PIB projetado em 1,85% e dólar fraco dá fôlego

O crescimento econômico brasileiro em 2026 segue projetado pelo mercado em 1,85%, de acordo com o Boletim Focus de 13 de abril. É uma estimativa modesta, abaixo dos 2,3% registrados em 2025, mas que reflete um equilíbrio delicado: juros ainda elevados contendo o crédito e o consumo, ao mesmo tempo em que o dólar mais fraco alivia a pressão sobre a inflação importada.


O fator mais positivo da semana para a economia real foi o câmbio. Com o dólar abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde março de 2024, há uma combinação favorável em curso: custo menor de combustíveis importados, redução de insumos industriais cotados em dólar, e alívio sobre alimentos ligados ao mercado externo.



4. Mercado de Capitais: Ibovespa bate 199 mil pontos e encerra semana com leve recuo

Foi uma semana cinematográfica para a bolsa brasileira. Na segunda-feira, 13 de abril, o Ibovespa superou os 198 mil pontos e fechou em 198.000,71 pontos, o 17º recorde histórico do ano. Na terça-feira, 14 de abril, o índice chegou à máxima intradiária de 199.354 pontos, tocando de perto o nível psicológico dos 200 mil.


Mas de quarta a sexta, o índice recuou em três pregões consecutivos, impulsionado principalmente pela queda das ações da Petrobras, que chegaram a ceder perto de 7% na sexta-feira, como reação à queda do petróleo no exterior. O índice encerrou a sexta, 17 de abril, em queda de 0,55%, aos 195.733,51 pontos, acumulando recuo de 0,81% na semana.


No mês, o Ibovespa ainda acumula alta de 4,41%, e no ano sobe impressionantes 21,48%. Vale lembrar que a entrada de capital estrangeiro na B3 reforça esse cenário: até o dia 15 de abril, o mês já registrava R$ 14,6 bilhões de entrada líquida estrangeira, com o saldo no ano positivo em R$ 68 bilhões.



5. Câmbio: Dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde março de 2024

O câmbio foi o ativo mais expressivo da semana. Logo na segunda-feira (13 de abril), o dólar encerrou a R$ 4,998, quebrando pela primeira vez desde março de 2024 a barreira psicológica dos cinco reais. Na sexta-feira, 17 de abril, o dólar encerrou em R$ 4,9836, com queda de 0,53% na semana e recuo de 9,21% no ano.


O que explica essa valorização tão expressiva do real? Três vetores que se reforçam: o diferencial de juros elevado (com a Selic em 14,75%, o Brasil oferece uma das maiores taxas reais do mundo), o fluxo estrangeiro robusto para renda fixa e renda variável, e a queda do dólar globalmente (o índice DXY operava em torno de 98 pontos).



EUA: Cessar-fogo anunciado na terça, mas Ormuz ainda fechado e negociações frágeis

A semana americana foi marcada pelo início da temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026. Na segunda-feira (13), o Goldman Sachs abriu os balanços com lucro por ação de US$ 17,55, superando a estimativa média dos analistas de US$ 16,49. Na terça (14), foram JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo e Johnson & Johnson. O JPMorgan registrou crescimento de receita e lucro de cerca de 7%, reforçando a resiliência do sistema financeiro americano.


No campo da política monetária, o Federal Reserve (Fed) mantém as taxas de juros estáveis. Destaque da semana foi a declaração da ex-presidente do Fed, Janet Yellen, que afirmou ver como possível um corte de juros ainda em 2026, caso o petróleo continue recuando com a reabertura do Estreito de Ormuz. O FMI, reunido em Washington nessa semana, revisou para baixo as perspectivas de crescimento global em função da guerra.



China: PIB cresceu 5% no primeiro trimestre e superou expectativas

A surpresa positiva da semana veio de Pequim. Na quinta-feira,16 de abril, o Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) divulgou que o PIB chinês cresceu 5,0% no primeiro trimestre de 2026, acima dos 4,8% projetados pelos analistas. O resultado é 0,5 ponto percentual acima do desempenho do último trimestre de 2025. O valor absoluto do PIB no período somou 33,4 trilhões de yuans (aproximadamente US$ 4,87 trilhões).


O grande motor desse crescimento foi o setor de alta tecnologia, que expandiu 12,5% e respondeu por 32,6% de todo o crescimento industrial do período. Equipamentos de impressão 3D (+54%) e baterias de lítio (+40,8%) lideraram a produção.


No entanto, as vendas no varejo cresceram apenas 1,7% em março, abaixo do esperado, revelando que a demanda doméstica ainda enfrenta dificuldades. A China absorveu o impacto energético da guerra melhor que outros países asiáticos, graças às suas reservas estratégicas e diversificação de fontes de petróleo, mas o risco de desaceleração persiste se o conflito se prolongar.



Zona do Euro. Inflação salta para 2,5% em março e BCE cogita alta de juros

A Europa vive um dilema claro: a guerra no Oriente Médio provocou um choque de energia que pressionou a inflação para cima, mas a economia da zona do euro ainda apresenta crescimento frágil. O BCE manteve as taxas de juros em 2% na reunião de março, e a ata divulgada nesta semana confirmou que a tendência é manter as taxas na reunião de 29 e 30 de abril.


O mercado já antecipa novos aumentos de juros na Europa. Isso ocorre porque a inflação prevista para 2026 deu um salto, passando de 1,7% para 2,6%. Com a Euribor (termômetro do custo do dinheiro) em seus níveis mais altos, a expectativa é que o Banco Central Europeu suba os juros pelo menos duas vezes neste ano, começando em junho. O objetivo, reforçado por recomendações do FMI, é elevar a taxa em 0,50 ponto percentual ao longo do ano, para garantir que a economia não perca o equilíbrio diante da alta de preços.



Conclusão

A semana de 13 a 17 de abril entregou o que o mercado mais aguardava, novos recordes históricos, mas também lembrou que nenhum movimento de alta é linear. O Ibovespa tocou 199.354 pontos na terça-feira e encerrou a semana em 195.733 pontos, recuando 0,81%. O dólar fechou abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez em dois anos, acumulando queda de 9,21% no ano. E o Boletim Focus, pela sexta semana seguida, revisou a inflação para cima: 4,80%, superando o teto da meta.


O cenário externo combinou surpresas positivas. PIB da China de 5%, com alertas relevantes (BCE projetando altas de juros a partir de junho e FMI revisando para baixo o crescimento global). Os EUA iniciaram a temporada de balanços do 1T26 com resultados sólidos dos grandes bancos.


O recado para o gestor do RPPS é preciso: o ambiente é de oportunidade real, mas com volatilidade que exige disciplina. A carteira estruturada nos três pilares de segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional está posicionada para esse ambiente. Seguimos monitorando de perto cada variável e faremos os devidos ajustes na alocação sempre que as condições exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.



Estrutura de Alocação de Recursos

A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:



Curto prazo garante liquidez imediata;
Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
Longo prazoprotege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.



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