NOSSA VISÃO: 30/03/26

A semana de 23 a 27 de março de 2026 foi marcada por contrastes fortes entre o cenário interno e externo. No Brasil, o Banco Central iniciou um ciclo histórico de corte de juros, reduzindo a Selic em 0,25 p.p. para 14,75%, enquanto o IPCA-15 surpreendeu com alta de 0,44%, acima das expectativas. O Ibovespa acumulou ganho de 3,03%, o dólar recuou 1,38% e houve sinais de recuperação doméstica, mas sempre sob a sombra da guerra no Oriente Médio.


No exterior, o petróleo Brent fechou a US$ 112,57 e o WTI a US$ 99,64, refletindo a tensão entre EUA, Israel e Irã. A OCDE revisou para baixo o crescimento global e da zona do euro, enquanto o Banco Central da China manteve juros estáveis pelo décimo mês consecutivo. A Europa, dependente do GNL do Catar, enfrenta pressão inflacionária e o BCE já admite discutir alta de juros. Em resumo, foi uma semana em que os mercados oscilaram entre momentos de alívio e novas preocupações, mostrando como o Brasil e o mundo seguem interligados pela instabilidade geopolítica e econômica.






1. Inflação: IPCA-15 surpreende para cima e acende alerta, mas desacelera em relação a fevereiro

O IPCA-15 de março de 2026 foi divulgado pelo IBGE no dia 26 e registrou alta de 0,44%, abaixo dos 0,84% de fevereiro, mas acima da expectativa de 0,29%. Na comparação anual, o índice avançou 3,90%, também acima da projeção de 3,74%. Os principais impactos vieram de Alimentação e bebidas (0,88%) e Despesas pessoais (0,82%), com destaque para a alimentação no domicílio (1,10%) e altas expressivas do açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%) e carnes (1,45%). No grupo Transportes, as passagens aéreas subiram 5,94%, sendo o item de maior impacto individual.


Os combustíveis caíram 0,03%, puxados por reduções no gás veicular, etanol e gasolina, enquanto o óleo diesel subiu 3,77%. Apesar da desaceleração frente a fevereiro, o resultado ficou acima do esperado e preocupa por ainda não refletir totalmente os efeitos do conflito no Oriente Médio. Agentes do mercado projetam o IPCA cheio em 0,70%, contra 0,30% antes do conflito. No acumulado de 12 meses até março, a inflação foi de 3,90%, abaixo dos 4,10% de fevereiro, mas ainda acima da meta central de 3% do Banco Central.



2 Juros: Ata do Copom – petróleo será o termômetro do próximo corte da Selic

Na terça-feira (24), o Banco Central divulgou a ata da reunião do Copom de 18 de março, que detalhou o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando-a para 14,75% ao ano. O documento destacou a necessidade de serenidade e cautela diante do forte aumento da incerteza, reafirmando que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação. As projeções do Copom indicam IPCA de 3,9% em 2026 e 3,3% no 3º trimestre de 2027. O cenário externo, marcado pela guerra de EUA e Israel contra o Irã, foi apontado como principal fonte de risco.


O mercado reagiu dividido: havia 35% de probabilidade de novo corte de 0,25 p.p. em abril, 34,5% de chance de manutenção da Selic em 14,75% e 25% de possibilidade de corte de 0,50 p.p.. Já o Boletim Focus de 23 de março revisou para cima as expectativas: a inflação projetada para 2026 subiu de 4,10% para 4,17%, e a Selic esperada para o fim do ano passou de 12,25% para 12,50%, refletindo preocupações com a alta do petróleo, que encarece combustíveis e pressiona toda a cadeia produtiva.



3. Crescimento Econômico: BC reduz projeção do PIB e OCDE corta estimativa para o Brasil

Na quinta-feira (26), o Banco Central divulgou o Relatório de Política Monetária, mantendo a projeção de crescimento do PIB em 2026 em 1,6%, mesmo nível de dezembro, mas com maior incerteza devido aos conflitos no Oriente Médio. Já o Ministério da Fazenda prevê expansão de 2,3%, enquanto o mercado (Focus) projeta 1,84%, evidenciando uma postura mais conservadora do BC.


No cenário internacional, a OCDE reduziu as projeções de crescimento do Brasil para 1,5% em 2026 e 2,1% em 2027, citando impactos da guerra. Globalmente, o PIB mundial deve cair de 3,3% em 2025 para 2,9% em 2026, e a inflação do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo) foi revisada para 4,0%, 1,2 ponto percentual acima do previsto anteriormente.



4. Mercado de Capitais: Ibovespa recupera terreno com otimismo sobre cessar-fogo e acumula alta semanal de 3%

A semana foi marcada pela recuperação do Ibovespa, após perdas anteriores, impulsionada pela expectativa de negociações entre EUA e Irã. Na segunda-feira (23), o índice abriu em alta após publicação de Trump, e na terça (24) o Ibovespa à vista subiu 0,32%, fechando em 182.509,14 pontos, enquanto os futuros avançaram 0,81%, a 185.695 pontos. Já na quinta-feira (26), o índice recuou após o IPCA-15 surpreender para cima e o Banco Central realizar dois leilões de linha de US$ 1 bilhão para dar liquidez ao mercado cambial. Nesse mesmo dia, Trump anunciou a extensão por 10 dias, até 6 de abril, da pausa em ataques contra o Irã.


Na sexta-feira (27), o Ibovespa caiu 0,64%, fechando em 181.556,76 pontos, com máxima de 183.350,70 e mínima de 180.976,16, movimentando R$ 26,3 bilhões. Apesar da queda no último pregão, o índice acumulou alta semanal de 3,03%, refletindo o alívio com a possibilidade de negociação, embora o mercado siga cético diante da negativa do Irã sobre conversas diretas com os EUA.



5. Câmbio: Dólar recua com perspectiva de cessar-fogo e fluxo de entrada de capital

O dólar acompanhou a dinâmica do Ibovespa durante a semana, caindo com o otimismo sobre possíveis negociações de paz e voltando a subir quando o conflito mostrava sinais de persistência. Na sexta-feira (27), a moeda fechou em R$ 5,2392, queda de 0,35% no dia. No acumulado da semana, registrou baixa de 1,38%, e no ano já recua 4,55%. A máxima do dia foi de R$ 5,28 e a mínima de R$ 5,22, influenciada pela pausa de 10 dias nos ataques dos EUA ao Irã anunciada por Trump.


O movimento foi explicado pelo fluxo de entrada de recursos no país, inclusive para a bolsa, o que fortaleceu o real. O recuo semanal, saindo de cerca de R$ 5,31 na sexta anterior para R$ 5,24, trouxe alívio para a inflação brasileira, já que um real mais forte reduz o custo de importados, combustíveis e insumos industriais, ajudando a conter pressões de preços.



EUA: Trump anuncia pausa nos ataques ao Irã e envia plano de paz de 15 pontos

A semana nos EUA foi marcada por uma virada diplomática inesperada. Na segunda-feira (23), Trump afirmou que os EUA estavam em conversas com o Irã, e na terça (24) surgiram relatos de uma proposta de 15 pontos enviada a Teerã, incluindo alívio de sanções, cooperação nuclear civil, redução do enriquecimento de urânio e reabertura do Estreito de Ormuz. Porém, na quarta (25), as Forças Armadas iranianas negaram qualquer negociação, enquanto Israel e Irã continuaram trocando ataques aéreos.


Na quinta (26), Trump anunciou a extensão de 10 dias, até 6 de abril, da pausa em ataques contra instalações de energia do Irã, alegando pedido do governo iraniano. Já na sexta (27), o Irã negou ter feito tal solicitação, e a Guarda Revolucionária prometeu seguir tentando interromper a navegação na região. O petróleo Brent fechou a US$ 112,57, maior nível desde julho de 2022, e o WTI encerrou a US$ 99,64, após tocar US$ 100,04. Durante a semana, houve um breve alívio: o Brent chegou a cair 9,86% e o WTI 10,28%, com o barril americano atingindo US$ 88,13, mas a queda foi temporária diante da persistência do conflito.



China: Banco Central mantém juros e OCDE revisa crescimento para baixo

O Banco Central da China manteve suas taxas de juros estáveis pelo décimo mês consecutivo, com a taxa básica de cinco anos em 3,5% e a de um ano em 3%. A decisão reflete uma postura de espera diante dos impactos do conflito no Oriente Médio, já que cerca de 50% do petróleo consumido pela China passa pelo Estreito de Ormuz, atualmente com bloqueios parciais que elevam os custos de produção e transporte. Apesar disso, as exportações chinesas seguem resilientes, sustentadas pela demanda global por produtos industrializados.


Segundo a OCDE, o crescimento do PIB da China deve cair para 4,4% em 2026 e 4,3% em 2027, mantendo previsões anteriores. O organismo destacou que a guerra intensifica os riscos externos, mas o forte investimento em tecnologia atua como contrapeso. No cenário global, a incerteza reforça a cautela de Pequim em adotar novos estímulos econômicos.



Zona do Euro. BCE mantém juros mas revisa inflação para cima e admite possíveis altas em 2026

Na semana, o cenário europeu foi fortemente impactado pela guerra no Oriente Médio. A inflação do G20 deve ser 1,2 ponto percentual mais alta em 2026, chegando a 4,0%, antes de recuar para 2,7% em 2027. O PIB da zona do euro deve cair para 0,8% em 2026, pressionado pelos altos preços da energia. A Europa é especialmente vulnerável devido à dependência de energia importada, sobretudo do GNL (gás) do Catar, e pela proximidade geográfica com a zona de conflito, que eleva custos de seguro marítimo e frete.


O Banco Central Europeu havia encerrado seu ciclo de cortes de juros com a taxa em 2,00% ao ano, mas agora enfrenta dilema: a inflação voltou a subir com o petróleo, enquanto a atividade econômica desacelera. Fontes internas indicaram que o banco pode discutir alta de juros em abril ou junho, uma mudança em relação ao cenário de apenas um mês atrás, quando se esperavam novos cortes. A semana terminou com os mercados europeus em queda, sem perspectiva clara de resolução do conflito e com os preços de energia novamente em alta após o Irã negar negociações diretas com os EUA.



Conclusão:

A semana de 23 a 27 de março de 2026 mostrou como o Brasil e o mundo estão presos entre sinais de recuperação e riscos externos cada vez mais intensos. No cenário doméstico, o Banco Central iniciou o ciclo de cortes de juros, reduzindo a Selic para 14,75% ao ano, enquanto o Ibovespa subiu 3,03% e o dólar recuou 1,38%, fechando em R$ 5,24. Por outro lado, o IPCA-15 avançou 0,44%, acima das expectativas, e o Boletim Focus revisou a inflação para 4,17% e a Selic projetada para o fim do ano para 12,50%. O Banco Central também reduziu sua projeção de crescimento do PIB para 1,6%, reforçando uma postura conservadora diante da instabilidade global.


No exterior, os EUA anunciaram uma pausa de 10 dias nos ataques ao Irã e apresentaram uma proposta de paz de 15 pontos, mas o Irã negou negociações diretas. O petróleo Brent fechou a US$ 112,57 e o WTI a US$ 99,64, patamares elevados que mantêm pressão inflacionária. A China manteve os juros estáveis pelo décimo mês consecutivo, aguardando os efeitos do bloqueio no Estreito de Ormuz, enquanto a Europa enfrenta o dilema do BCE: inflação em alta puxada pela energia e atividade econômica em desaceleração, com possibilidade de alta de juros já em abril ou junho. Foi uma semana em que os mercados oscilaram entre esperança e cautela, refletindo a busca global por uma saída para a crise.


Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.



Estrutura de Alocação de Recursos

A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:



Curto prazo garante liquidez imediata;


Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;

Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.



Deixe um Comentário

Repetir o Post


Arquivos
  • setembro 2026
  • agosto 2026
  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • janeiro 2015
  • dezembro 2014
  • novembro 2014
  • outubro 2014
  • setembro 2014
  • agosto 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • fevereiro 2014
  • janeiro 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • outubro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • abril 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • dezembro 2012
  • novembro 2012
  • outubro 2012
  • setembro 2012
  • agosto 2012
  • julho 2012
  • junho 2012
  • maio 2012
  • abril 2012
  • março 2012
  • fevereiro 2012
  • janeiro 2012
  • dezembro 2011
  • novembro 2011
  • outubro 2011
  • setembro 2011
  • agosto 2011
  • julho 2011
  • junho 2011
  • maio 2011
  • abril 2011
  • março 2011
  • fevereiro 2011
  • janeiro 2011
  • dezembro 2010
  • novembro 2010
  • outubro 2010
  • setembro 2010
  • agosto 2010
  • julho 2010
  • junho 2010