Na semana de 29 de dezembro de 2025 a 02 de janeiro de 2026, o cenário foi marcado pela virada do ano, com menor volume de negociações nos mercados e maior sensibilidade a dados pontuais, típica de períodos com feriados. Ainda assim, o período trouxe informações relevantes sobre inflação, juros, atividade econômica, comportamento da Bolsa e do dólar no Brasil, além de indicadores importantes no cenário internacional, como os dados de atividade da China, dos Estados Unidos e da Zona do Euro. Este relatório reúne esses temas de forma organizada e didática, oferecendo uma visão geral do momento econômico e servindo de apoio para análise e planejamento.

Inflação no Brasil: sinais mistos, mas com “alívio” nos preços ao produtor
Na última semana de 2025, o destaque de inflação veio do IGP-M (FGV), muito usado como referência em contratos (por exemplo, aluguel). Em dezembro, o IGP-M teve queda de -0,01%, depois de +0,27% em novembro. Com isso, o índice fechou 2025 com deflação acumulada de -1,05%. Em termos simples: esse indicador mostrou que, no conjunto do ano, os preços medidos pelo IGP-M terminaram mais “comportados”, sobretudo porque os preços no atacado (produtor) ajudaram a puxar o índice para baixo.
Juros no Brasil: Selic alta e manutenção “por mais tempo”
No campo dos juros, a mensagem principal seguiu sendo cautela. A Selic estava em 15%, mantida nas reuniões mais recentes, e o entendimento do mercado (capturado no Boletim Focus) era que a estratégia do Banco Central era segurar os juros em nível alto por um período prolongado para consolidar a convergência da inflação. No Focus publicado em 29/12, a mediana do mercado apontava Selic de 12,25% no fim de 2026 (como expectativa), o que indica que o mercado já “enxerga” cortes ao longo do tempo, mas de forma gradual, não imediata.
Crescimento e atividade no Brasil: emprego forte, mas fiscal no radar
Na parte de atividade, os dados de mercado de trabalho vieram fortes e ajudam a entender por que a economia seguia “rodando” apesar dos juros altos:
• Desemprego (PNAD/IBGE): 5,2% nos três meses até novembro — abaixo do que parte do mercado esperava. InfoMoney
• Caged (emprego formal): +85.864 vagas em novembro, número acima das projeções consultadas no noticiário. InfoMoney
Ao mesmo tempo, o lado fiscal também entrou no foco: o Tesouro informou déficit primário de R$ 20,172 bilhões em novembro no Governo Central. Traduzindo: o emprego ajudou a leitura de atividade, mas as contas públicas continuaram sendo observadas, porque fiscal influencia confiança, juros e câmbio.
Bolsa de Valores: fim de ano com baixa liquidez e virada de 2026 mais “travada”
A semana foi curta e com liquidez menor (menos negociações), típica de fim de ano e feriados, o que faz o mercado oscilar com mais facilidade.
• 29/12: Ibovespa fechou em 160.490,30 pontos (-0,25%);
• 30/12 (último pregão de 2025): fechou em 161.125,37 pontos (+0,4%) e encerrou 2025 com alta de 33,95% (melhor desempenho anual desde 2016, segundo o próprio noticiário);
• 02/01 (primeiro pregão de 2026): caiu -0,36%, fechando em 160.538,69 pontos, ainda com o mercado “voltando do feriado” e baixa liquidez.
Em resumo: foi uma transição de ano com ajustes técnicos e pouca liquidez; o “tom” do mercado ficou mais dependente de notícias pontuais e de dados de atividade.
Dólar: começou a semana com alta e terminou em queda
O comportamento do dólar no fim de 2025 e início de 2026 foi um exemplo clássico de como o mercado costuma se mover em períodos de baixa liquidez e ajustes técnicos típicos da virada do ano.
No dia 29/12, o dólar à vista fechou em R$ 5,5770, registrando alta. Já em 30/12, na última sessão de 2025, a moeda recuou para R$ 5,4890, uma queda de 1,58% no dia e acumulando desvalorização de 11,17% no ano. No primeiro pregão de 2026, em 02/01, o movimento de queda continuou: o dólar encerrou a sessão em R$ 5,4238, baixa de 1,19%.
Cenário internacional (China, EUA, e Zona do Euro)
A China chamou atenção porque o PMI industrial oficial subiu para 50,1 em dezembro, vindo de 49,2 em novembro, retornando para a faixa de expansão (acima de 50). Isso é relevante para o Brasil porque China influencia commodities e o humor global com emergentes.
Nos Estados Unidos, o mercado acompanhou a divulgação da ata do FOMC (Federal Reserve), documento que costuma trazer pistas importantes sobre como o banco central americano avalia a inflação e quais podem ser os próximos passos da política de juros. Além disso, o índice de confiança do consumidor de dezembro caiu para 89,1, ante 92,9 em novembro, refletindo maior cautela das famílias diante de incertezas econômicas, enquanto o índice de preços de casas de outubro mostrou alta de 0,4% no mês e cerca de 1,7% em 12 meses, indicando um avanço mais moderado no mercado imobiliário e menor pressão de preços no setor.
Por fim, na Europa, o dado que se destacou no fim da semana foi o PMI industrial da Zona do Euro, que saiu em 48,8 em dezembro (abaixo do esperado 49,2 e abaixo do 49,6 anterior). Como ficou abaixo de 50, o número sinaliza que a indústria europeia seguiu em contração. Isso ajuda a explicar por que o cenário global continuou com “crescimento desigual”: EUA mais resilientes, China buscando estabilização e Europa com mais dificuldade.
Conclusão
A semana de 29 de dezembro de 2025 a 02 de janeiro de 2026 foi marcada pela virada do ano, com menor volume de negociações e maior sensibilidade dos mercados a dados pontuais, um comportamento típico de períodos com feriados. Ainda assim, os indicadores divulgados ajudaram a reforçar a leitura do cenário econômico atual. No Brasil, a inflação medida pelo IGP-M de dezembro ficou praticamente estável (-0,01%), encerrando 2025 com deflação acumulada de -1,05%, enquanto a Selic permaneceu em 15%, com expectativa de cortes apenas graduais ao longo de 2026. A atividade econômica seguiu sustentada por um mercado de trabalho forte, apesar da atenção contínua ao cenário fiscal.
Nos mercados financeiros, a Bolsa de Valores encerrou 2025 com desempenho expressivo, mas iniciou 2026 com ajustes técnicos e oscilações moderadas, refletindo a baixa liquidez do período. O dólar, por sua vez, apresentou movimento de queda na virada do ano, após oscilar nos últimos pregões de 2025, evidenciando ajustes de posições típicos desse momento. No cenário internacional, os dados mostraram um quadro de crescimento desigual, com a China sinalizando estabilização da atividade, os Estados Unidos mantendo uma economia mais resiliente, ainda que com sinais de cautela do consumidor, e a Zona do Euro enfrentando dificuldades no setor industrial.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.
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