RETROSPECTIVAS
No Brasil, a inflação ao produtor representada pelo IGP-M registrou alta de 0,42% em setembro, levemente acima da variação de 0,36% em agosto, conforme dados da FGV. Com o resultado, o indicador acumula queda de 0,94% no ano, mas mantém alta de 2,82% nos últimos 12 meses.
A pressão no mês veio principalmente do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que voltou a subir com o avanço dos preços de commodities e insumos industriais, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também contribuiu positivamente, refletindo o fim do bônus de Itaipu e os consequentes reajustes na energia elétrica. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou alta mais moderada, acompanhando o arrefecimento nos custos de materiais e serviços. Apesar da recuperação, o resultado ainda mostra um cenário de inflação controlada, com variações localizadas e efeito limitado sobre a tendência geral de preços.
Ainda sobre o tema inflação, o IPCA oficial subiu 0,48% em setembro, revertendo a deflação de agosto e ficando acima das projeções médicas. A principal pressão veio da energia elétrica, que teve aumento expressivo após o fim do desconto do Bônus de Itaipu. Também colaboraram para a alta itens de habitação, vestuário, saúde e educação, enquanto grupos como alimentos registraram queda ou alta menos expressiva.
Em agosto de 2025, o Brasil registrou 147.358 novas vagas formais, mantendo o ritmo de criação de empregos no ano e elevando o saldo acumulado para cerca de 1,5 milhão de postos. O resultado foi 38,4% menor que o observado em agosto de 2024, o que evidencia uma desaceleração relativa na geração de empregos.
Entre os setores, o destaque ficou para os serviços, que abriram mais de 81 mil vagas, enquanto comércio, indústria e construção também tiveram contribuição positiva; apenas o setor agropecuário registrou saldo negativo. Além disso, embora o mercado de trabalho continue com sinais de aquecimento, há alertas quanto à qualidade dos empregos criados: muitas das vagas foram de menor jornada ou níveis salariais mais baixos, o que pode indicar uma fragilidade nas contratações em termos de estabilidade e remuneração real.
A inflação ao consumidor na zona do euro acelerou para 2,2% ao ano em setembro, ante os 2,0% registrados em agosto, superando levemente as expectativas do mercado. Esse aumento foi puxado principalmente por preços de serviços e alimentos, enquanto o componente de energia registrou queda menor do que nos meses anteriores.
Ao comentar o cenário, Christine Lagarde, presidente do BCE, afirmou que o intervalo de risco para a inflação se estreitou, o que sugere menos probabilidades de oscilações extremas no indicador. Ela indicou que, com as taxas de política já em níveis sensatos, o banco central está bem posicionado para reagir caso surjam choques inesperados, mas não vê necessidade de ajuste imediato.
Ao longo da semana, teremos inflação ao produtor e consumidor da China, na terça feira, além do IBC-BR de agosto na quinta e inflação ao produtor dos Estados Unidos, também na quinta. Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.




Deixe um Comentário