RETROSPECTIVAS
Entre os destaques da última semana, tivemos o índice brasileiro que é tratado como uma prévia do PIB, o IBC-Br, que caiu 0,5% em julho de 2025 em comparação com o mês anterior. Este é o terceiro mês seguido de retração, além de ter sido abaixo das expectativas do mercado (−0,2%). Apesar desse recuo mensal, o IBC-Br ainda mostra um crescimento de 1,1% em relação ao ano anterior. A queda mensal reflete o impacto dos juros altos sobre consumo, crédito e atividade econômica em vários setores, sinalizando uma moderação mais forte do que muitos esperavam para o segundo semestre.
Na decisão brasileira da super quarta, o Copom considerou que a manutenção da Selic em 15% por um período prolongado é a estratégia mais adequada para assegurar a estabilidade dos preços, mas sinalizou que eventuais ajustes não estão descartados caso o cenário econômico se desvie das projeções atuais.
No comunicado, foi chamado a atenção para o cenário internacional de elevada incerteza, marcado por riscos geopolíticos, tensões comerciais e volatilidade na condução das políticas monetárias globais. Esses fatores, somados a potenciais fragilidades internas como pressões fiscais, instabilidade cambial e desancoragem das expectativas, podem adicionar pressão inflacionária.
Nos Estados Unidos, o Fed anunciou redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, que agora encontra-se entre 4% e 4,25% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado. A decisão foi pautada na desaceleração no mercado de trabalho, porém sem abrir mão do combate à inflação. Um quesito que ganhou holofotes foi a divergência dentro do Comitê, uma vez que um dos diretores (Stephen Miran) votou pelo corte de 0,50 ponto percentual.
Já na Zona do Euro, a inflação anual medida pelo CPI ficou no patamar de 2,0% no mês de agosto, repetindo o valor de julho e alinhada à meta estabelecida pelo Banco Central Europeu. Já o núcleo da inflação, que exclui energia, alimentos não processados, álcool e tabaco, manteve-se em 2,3%, o que pressiona os membros do BCE a acompanharem o cenário com cautela.
Entre os componentes, alimentos, álcool e tabaco continuaram exercendo influência significativa, apesar de uma leve queda nos ritmos de alta. Preços de energia seguiram em queda anual, embora menos intensamente do que em meses anteriores, atenuando seu efeito de arraste sobre o índice geral.
Para a panultima semana de setembro, teremos decisão de política monetária na China, seguida pelas divulgações da terça feira com a ata da última reunião do Copom, e os PMIs do setor manufatureiro e de serviços dos Estados Unidos referentes ao mês de setembro. Na quinta feira sairá a prévia da inflação brasileira de setembro, representada pelo IPCA-15, e o principal indicador de inflação observado pelo Fed, o PCE de agosto, na sexta feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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