RETROSPECTIVAS
Na bateria de dados de inflação da Zona do Euro, a inflação ao consumidor de agosto subiu para 0,2% no mês, após estabilidade no mês anterior, levando a taxa anual para 2,1%. A alta foi sustentada por alimentos não processados, que avançaram 5,5%, enquanto a energia continuou em queda, mas em ritmo menor (-1,9%).
Já o núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentos, ficou em 2,3% pelo quarto mês consecutivo. No mês a alta foi de 0,3% após queda de 0,2% em julho. Essa resiliência pode gerar divisões dentro do Banco Central Europeu: parte do conselho pode enxergar espaço para cortes de juros ainda este ano, enquanto outra pode defender cautela diante da persistência da pressão inflacionária.
Já a inflação de preços ao produtor na zona do euro subiu 0,4% em julho. Os bens não duráveis ficaram estáveis e os intermediários recuaram -0,2%. Na comparação anual, a inflação ao produtor desacelerou para 0,2%, após 0,6% em junho, ainda levemente acima do esperado pelo mercado.
Ainda na Zona do Euro, o PMI composto subiu para 51 pontos em agosto, a maior expansão da atividade em um ano, com leve retomada da indústria (50,7 pontos) e crescimento mais moderado nos serviços (50,5 pontos). O avanço foi sustentado pelo aumento dos novos pedidos, que interromperam uma sequência de 15 meses de quedas, estimulando contratações no maior ritmo em mais de um ano.
Nos Estados Unidos, o PMI composto medido pela S&P Global foi revisado para 54,6 pontos em agosto, abaixo da prévia e do patamar de julho (55,1 pontos), conforme perda de ritmo nos serviços (54,5 pontos). A demanda avançou no ritmo mais forte do ano, sustentando novas contratações, enquanto a inflação de custos seguiu elevada, embora com leve alívio em relação ao mês anterior.
O Livro Bege do Fed mostrou que a economia dos EUA segue praticamente estagnada, com a maioria dos distritos relatando pouca ou nenhuma mudança na atividade e apenas alguns indicando crescimento moderado. O consumo das famílias continua pressionado pela perda de poder de compra e pelo impacto das tarifas, o que tem levado empresas de varejo e turismo a oferecer descontos para manter a demanda. Por outro lado, a indústria investe em automação e infraestrutura tecnológica, especialmente data centers, que aparecem como pontos de dinamismo. O quadro desenhado reforça a possibilidade de cortes de juros pelo Fed neste ano.
Ainda nos Estados Unidos, as vagas de emprego abertas em julho foi para 7,18 milhões, o menor nível desde setembro de 2024 e abaixo da projeção de 7,4 milhões, com quedas mais acentuadas em saúde e assistência social.
Já no Brasil, o PIB avançou 0,4% no segundo trimestre de 2025, acima da projeção de 0,3%, mas abaixo do ritmo de 1,3% do trimestre anterior. O crescimento foi sustentado pelo consumo das famílias (+0,5%), enquanto o gasto do governo recuou (-0,6%). No setor externo, exportações subiram 0,7% e importações caíram 2,9%.
Para esta semana, teremos a divulgação da inflação ao produtor e ao consumidor referente ao mês de agosto da China (terça feira). Ainda sobre o tópico de inflação, será divulgado a inflação ao consumidor do Brasil (IPCA) referente a agosto e a inflação ao produtor dos Estados Unidos, na quarta feira. Por fim, na quinta, o Banco Central Europeu se reununirá para decidir as suas taxas de juros e os Estados Unidos divulgarão a inflação ao consumidor também referente a agosto.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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