RETROSPECTIVAS
Com dados divulgados ao redor do mundo, a prévia do PIB brasileiro, o IBC-Br, apresentou queda de 0,10% em junho, abaixo das projeções que apontavam para um leve crescimento. Apesar da retração no mês, o segundo trimestre apresentou avanço de 0,3%, dado principalmente ao desempenho do setor de serviços e a arrecadação de impostos, que compensaram as quedas na agropecuária e na indústria.
Analistas destacam que a atividade econômica continua influenciada pelos juros elevados e o encarecimento dos custos de crédito e a perda de dinamismo em alguns setores, fatores que limitam uma recuperação mais robusta. Não é de se descartar que a retração de junho possa indicar que o PIB do segundo trimestre terá crescimento relativamente baixo, ao se considerar os impactos dos juros elevados e desaceleração da indústria. Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção desse ritmo fraco.
Na China o PBoC (sigla em inglês do banco central chinês) manteve, pelo terceiro mês seguido, as taxas de juros em mínimas históricas na fixação de agosto, com a LPR de um ano em 3,0% e a de cinco anos em 3,5%, apesar de sinais de desaceleração econômica.
Já nos Estados Unidos, a ata da reunião do FOMC de julho trouxe que a manutenção da sua taxa básica de juros entre 4,25% e 4,50% foi justificada pela cautela em relação aos indicadores de inflação apesar do mercado de trabalho dar sinais de enfraquecimento. A ata trouxe que a maioria dos participantes avaliou que o crescimento havia moderado no primeiro semestre, mas que a economia permanece resiliente, com a taxa de desemprego relativamente baixa e inflação ainda em patamares elevados.
A incerteza sobre os efeitos das tarifas comerciais foi ressaltada como um complicador importante para avaliar futuros passos. Dois membros (Bowman e Waller) divergiram, defendendo um corte imediato de 0,25 p.p., e sinalizando que, sem efeitos persistentes das tarifas, a inflação já estaria próxima da meta.
Complementando, no simpósio de Jackson Hole que aconteceu na última semana, o presidente do Fed, Jerome Powell, adotou tom cautelosamente otimista, indicando abertura ao corte de juros já na reunião de setembro, diante de sinais de fragilidade no mercado de trabalho e dos persistentes riscos inflacionários vindos das tarifas. Sua fala ressaltou que os riscos para o emprego estavam “às vezes maiores” que os de inflação, e que a política monetária poderia ser ajustada se o cenário se deteriorasse.
Ainda nos Estados Unidos, o PMI composto dos EUA avançou para 55,40 pontos em julho, com serviços mantendo crescimento sólido e a manufatura se recuperando para 53,30 pontos. Custos de insumos subiram expressivamente, pressionados pelas tarifas. Embora o sentimento empresarial tenha melhorado, persistem preocupações com as políticas governamentais.
Por fim, no velho continente, a inflação da Zona do Euro permaneceu em 2% a.a em julho de 2025, em linha com a meta e um pouco acima das expectativas do mercado (1,9%). Esse resultado marcou o segundo mês consecutivo no alvo, mesmo com desaceleração nos serviços (3,2% ante 3,3%), compensada por alta nos preços de bens industriais não energéticos (0,8% ante 0,5%) e alimentos, bebidas e tabaco (3,3% ante 3,1%). Já os preços de energia continuaram em queda, mas em ritmo menor (-2,4% ante -2,6%). O núcleo da inflação ficou em 2,3%, menor nível desde janeiro de 2022. No comparativo mensal, a inflação não teve variação, o que reforça a tendência de normalização após períodos de volatilidade.
Para esta semana, contaremos com a divulgação do IPCA-15 de agosto, na terça feira e o IGP-M de agosto, na quinta; também na quinta feira, teremos dados de emprego do Brasil (CAGED de julho) e a divulgação do PIB do 2° trimestre dos Estados Unidos; na sexta feira, o principal índice de inflação observado pelo Fed, o PCE, será divulgado.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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