RETROSPECTIVAS
Na China, o Banco Central (PBoC) manteve as taxas de juros inalteradas em julho. A taxa de juros de um ano ficou em 3,0% e a de cinco anos em 3,5%, conforme esperado pelo mercado. A decisão ocorre em meio a sinais de perda de fôlego da atividade econômica, pressionada por tarifas dos EUA, consumo interno fraco e crise prolongada no setor imobiliário.
Ainda na China, o PIB cresceu 5,2% no segundo trimestre, ligeiramente acima da projeção de 5,1%, mas abaixo dos 5,4% registrados nos dois trimestres anteriores. No acumulado do primeiro semestre de 2025, a economia avançou 5,3%. Apesar disso, persistem pressões deflacionárias, com os preços ao produtor registrando a maior queda desde julho de 2023. Para suavizar os efeitos das tarifas americanas, a autoridade monetária já havia cortado os juros em 10 pontos-base em maio.
O PMI composto de julho dos Estados Unidos subiu para 54,60 pontos. O principal motor foi o setor de serviços, cujo índice avançou para 55,20 pontos em julho, superando expectativas e atingindo o ritmo mais forte desde janeiro. A indústria, por outro lado, perdeu tração: o PMI manufatureiro caiu para 49,50 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos e contrariando projeções, refletindo queda nos pedidos e recuo na produção.
Apesar do avanço geral, o otimismo das empresas diminuiu, tanto nos serviços quanto na indústria, diante de preocupações com as tarifas. Os custos operacionais aumentaram com os impactos tarifários. Mesmo assim, o setor de serviços seguiu com contratações enquanto a indústria começou a cortar postos de trabalho pela primeira vez desde abril.
Na Zona do Euro, o PMI composto de julho subiu para 51 pontos, maior patamar em 11 meses. O resultado superou um pouco as projeções de 50,80 pontos. O crescimento veio principalmente dos serviços (51,20 pontos), enquanto a indústria ainda operou em contração leve (49,80 pontos), porém melhor nível desde 2022.
Após mais de um ano de queda contínua, os pedidos pararam de recuar, o que deu sustentação à produção nos dois setores. Esse cenário levou as empresas a retomarem as contratações, algo que não acontecia havia cinco meses. Já os custos de produção subiram menos, o que ajudou a estabilizar os preços cobrados pelos produtos e serviços.
Ainda sobre o velho continente, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu pela manutenção das suas taxas de juros em julho, após uma sequência de oito cortes que levou os juros aos menores patamares desde 2022. A taxa de refinanciamento segue em 2,15%, e a de depósito permanece em 2,0%. A decisão reflete cautela frente aos efeitos das incertezas comerciais persistentes e o possível impacto das tarifas dos EUA sobre a atividade econômica e a inflação.
Já no Brasil, a prévia da inflação ao consumidor, (IPCA‑15) subiu 0,33% em julho, ante 0,26% em junho, superando levemente a expectativa de alta mensal de 0,30%. Em 12 meses, o índice alcançou 5,30%, acima dos 5,27% registrados no período anterior. O principal impulso veio do grupo Habitação, que subiu 0,98%. Outros setores como Transportes (0,67%), Despesas Pessoais (0,25%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,21%) e Comunicação (0,11%) também registraram alta, enquanto Alimentação e Bebidas (-0,06%), Artigos para Residência (-0,02%) e Vestuário (-0,10%) apresentaram queda.
A agenda econômica da última semana de julho será bastante cheia. Na terça feira, será divulgado o número de vagas de emprego abertas referente ao mês anterior dos Estados Unidos.
Na quarta-feira, além das decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos, teremos a leitura do PIB norte americano do segundo trimestre, e no Brasil divulgação dos dados de emprego do CAGED de junho e IGP-M de julho. Na China, será divulgado o PMI industrial de julho.
Na quinta feira, descobriremos a taxa de desemprego de junho do Brasil e veremos o principal indicador de inflação observado pelo Fed, nos Estados Unidos, o PCE referente ao mês de junho.
Na sexta feira, 01° de agosto, além do relatório Nonfarm Payroll e da taxa de desemprego dos Estados Unidos de julho, teremos o PMI industrial de julho da S&P Global e do ISM. Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor de julho (CPI) também será divulgada.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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