RETROSPECTIVAS
A inflação ao consumidor de junho na Zona do Euro mostrou leve aceleração, ao atingir 2% na janela anual, patamar buscado pelo Banco Central Europeu (BCE). A leitura do mês anterior tinha sido de 1,9%. No mês, a variação foi de 0,3% contra uma estagnação do mês anterior. O núcleo, que exclui o preço de itens mais voláteis, subiu 2,3% em 12 meses. Todas as leituras vieram em linha com as expectativas do mercado.
Ao passo de uma inflação que mostra adequação em relação à meta, o BCE está trabalhando pela linha do estímulo monetário, dado as últimas decisões de afrouxamento da taxa básica de juros. A preocupação com os impactos tarifários da guerra comercial de Donald Trump impõe pressão sobre a condução da autoridade monetária europeia.
Ainda no exterior, mas agora tratando dos dados da economia norte americana, o PMI composto dos Estados Unidos de junho medido pelo S&P Global apresentou leve diminuição para 52,90 pontos, abaixo dos 53 pontos de maio. Apesar da leve queda, o indicador continua acima dos 50 pontos, o que aponta para expansão.
No detalhe, o PMI do setor industrial de junho subiu para o mesmo patamar do índice composto, em 52,90 pontos, acima dos 51 pontos projetados. O dado reflete o maior crescimento de atividade industrial americana dos últimos anos, apesar das tarifas, que prejudicam todo o mercado.
O PMI de serviços por sua vez também subiu 52,90 pontos em junho, em linha com as expectativas, porém um pouco abaixo do registrado no mês anterior. Apesar da queda, o patamar atingido é relativamente confortável e privilegiado principalmente pela demanda doméstica enquanto a demanda externa apresentou queda dado a preocupação com as questões tarifárias.
No mercado de trabalho, o número de vagas de emprego subiu para 7.8 milhão de vagas no mês de maio, o maior patamar desde novembro de 2024, e acima das expectativas, conforme divulgado no relatório JOLTS. A maior parte das vagas criadas foram do setor de acomodação e serviços alimentícios, seguido pelo setor financeiro.
Na criação de novos postos de trabalho, 147 mil postos foram ocupados em junho, também acima das expectativas. A maior parte dos postos foram ocupados pelo setor público. A taxa de desemprego de junho caiu para 4,1% ante 4,2% dos três meses anteriores e abaixo dos 4,3% esperados pelo mercado.
Para a segunda semana do mês de julho, os principais dados que sairão a público serão: (i) inflação ao consumidor referente ao mês de junho da China, na terça feira, (ii) ata da última reunião do FOMC, na quarta-feira e (iii) IPCA referente a junho, na quinta feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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