RETROSPECTIVAS
Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor de dezembro medida pelo CPI veio em 0,4% no mês, acima dos 0,3% projetados. No ano, por efeito estatístico, a alta é de 2,9%. O núcleo, que exclui os itens mais voláteis da análise, foi de 0,2%, inferior aos meses anteriores, assim como na janela anual que caiu para 3,2%.
Contudo, ainda que o núcleo da inflação tenha agradado o mercado, espera-se mais cautela por parte do FED no tocante ao ritmo de corte de juros.
Na Europa, o Banco Central Europeu divulgou a ata de sua última reunião sobre juros, quando decidiram por mais um corte de 25 pontos percentuais. A ata revelou preocupação de alguns diretores do BCE quanto a debilitada atividade econômica recente.
Na China, o Escritório Nacional de Estatísticas divulgou a primeira leitura referente ao PIB do quarto trimestre. Em 2024, conforme divulgado, a meta de 5% foi alcançada, através dos crescimentos de 5,3% no 1T, 4,7% no 2T, 4,6% no 3T e 5,4% (o melhor desempenho) no 4º trimestre.
Após desaceleração da atividade entre o segundo e o terceiro trimestre, o mercado mostrou apreensão e desconfiança se a meta do governo seria atingida. O Partido Comunista anunciou uma série de medidas de estímulo para retomar e intensificar o consumo das famílias que se encontravam inertes às medidas econômicas anteriores.
No Oriente Médio, as tensões entre Israel e o Hamas diminuíram após um acordo de cessar-fogo e a libertação de reféns por parte do Hamas, e a liberação de palestinos por parte de Israel. O conflito até o momento durava mais de um ano.
No Brasil, a prévia do PIB medida pelo Banco Central, o IBC-Br, apontou alta de 0,1% no mês de novembro. Quando comparado ao ano anterior, a variação é de 4,1%. Apesar de um dado superior ao esperado, a leitura reforça uma desaceleração em relação aos dados dos meses anteriores.
Nesse cenário de atividade aquecida e mercado de trabalho pujante, a pressão inflacionária sofre pressões e o Banco Central se vê pressionado a subir os juros, que é o esperado para a reunião que ocorrerá ainda no fim de janeiro.

Ao longo da semana, os principais eventos ocorrerão na sexta feira com a divulgação do IPCA-15 referente ao mês de janeiro e a divulgação do índice PMI dos Estados Unidos do continente europeu.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS. Para tanto, recomendamos a diminuição de maneira gradativa da exposição em fundos atrelados as durations mais longas dos IMAs, como o IMA-B 5+ e o IMA-B e IMA-Geral.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição do RPPS em fundos deste segmento para o patamar de 5% do portfólio.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto a ser atingido pela Selic, recomendamos cautela por parte dos investidores na exposição de ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros e suas revisões altistas, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.



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