RETROSPECTIVAS
Em semana mais curta por conta do feriado natalino, o principal destaque na agenda econômica local foi a divulgação do IPCA-15 de dezembro que fechou o ano acima do teto da meta de inflação.
No mês, a variação foi de 0,34%, pouco abaixo das expectativas de 0,45% do mercado. Em 2024, a leitura foi de 4,71%, como dito, acima do teto da meta (4,5%).
Do cesto que compõe o índice, os alimentos foram os maiores responsáveis pela alta, com destaque para soja e carnes, que subiram 9% e 8%, respectivamente. O item responsável pela leitura do IPCA-15 menor do que o esperado foi a passagem aérea, em que o mercado esperava alta superior a 20%, porém que só subiu 4%.
O IBGE também divulgou a taxa de desemprego através da PNAD Contínua, que apontou 6,1% no fechamento de novembro, dado bastante baixo na série histórica. A leitura dos especialistas aponta que este é um dos indicativos de um cenário possivelmente inflacionário visto que a demanda, ainda mais para serviços, tende a ficar pressionada.
No exterior, o Banco Central chinês (PBoC, sigla em inglês) decidiu por manter as taxas de juros nos atuais patamares. A taxa de 1 ano (mais utilizada em empréstimos) ficou em 3,1% enquanto que a taxa de 5 anos (principal utilizada no segmento imobiliário) se manteve em 3,6%.
Contudo, para o próximo ano, o mercado aguarda uma série de estímulos pela autoridade monetária da gigante asiática para fazer frente às metas de crescimento, estímulos ao setor imobiliário e eventual mudança de modelo econômico direcionado para o setor de alta tecnologia.
Na agenda econômica da semana dos últimos dias de 2024, mais curta por conta do ano novo, o principal destaque será a bateria de divulgações dos índices PMI da China (segunda e quarta feira), Estados Unidos e Zona do Euro (quinta feira).
Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.
Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo atual da Selic, fundos de renda fixa passivos voltam a apresentar possibilidade de rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, contudo, a estratégia de gestão ativa ainda se apresenta como alternativa atrativa para o RPPS.
Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de elevação na taxa de juros, é aconselhável cautela no IRF-M e no IRF-M 1+, os índices pré-fixados, devido à volatilidade desses indicadores.
Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômico, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 que era de 10%, passa a ser de 12,25%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.
Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.
Após muitas mudanças nas expectativas de quando o ciclo de corte de juros poderia ocorrer, o FED iniciou a sua redução em setembro, porém não deixou claro qual taxa de juros terminal deve ser alcançada. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.963/21. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo deem sequência na queda de juros, podendo aumentar a demanda por ativos de risco. Sugere-se a entrada no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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