RETROSPECTIVAS
Divulgado pelo IBGE, o PIB brasileiro cresceu 0,9% no terceiro trimestre de 2024 em comparação com o segundo trimestre do ano. A leitura foi acima das expectativas do mercado. Na comparação com o terceiro trimestre de 2023, a expansão foi de 4%.
A análise da decomposição do indicador sugere que o resultado é fruto de um mercado de trabalho que segue aquecido, mas sem ganhos expressivos de produtividade, o que por sua vez pressiona o hiato do produto (crescimento realizado versus crescimento potencial), que por sua vez, pressiona a inflação.
O índice de confiança dos gerentes de compras, medido pelo PMI referente ao mês de novembro para os Estados Unidos tiveram alta em comparação ao mês anterior. O PMI de serviços atingiu 56,1 pontos, pouco abaixo da leitura inicial de 57 pontos. Contudo, o número refletiu uma expectativa de melhora do setor, frente a aumento de pedidos e pela melhora de condições trazido pelo ciclo de corte de juros.
O PMI industrial fechou em 49,7 pontos, ainda em patamar contracionista, porém em melhor posição em relação ao mês anterior. O PMI composto, fechou em 54,9 pontos, no patamar mais alto dos últimos 31 meses.
O Nonfarm Payroll, que informa o número de vagas criadas, registrou 227 mil vagas criadas em novembro, em revisão para cima. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, porém nada alarmante.
Na Europa, o PIB do terceiro trimestre subiu 0,4% em relação ao trimestre anterior e 0,9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, em linha com as expectativas do mercado.
A inflação ao produtor de outubro, medida pelo PPI, registrou 0,4% de alta em comparação com o mês anterior. Na variação em 12 meses, a leitura é negativa em -3,2%, o que corrobora também, para mais cortes de juros por parte do Banco Central Europeu.
Na agenda da semana, contaremos com bateria de divulgações da inflação ao consumidor na China (domingo), Estados Unidos (quarta feira), e no Brasil (terça feira).
Ainda no Brasil, teremos reunião de política monetária (COPOM) na quarta-feira, em que o mercado espera mais uma alta da Selic. Na contramão, mais um corte de juros é esperado na reunião do Banco Central Europeu que ocorrerá na quinta feira.
Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.
Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo atual da Selic, fundos de renda fixa passivos voltam a apresentar possibilidade de rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, contudo, a estratégia de gestão ativa ainda se apresenta como alternativa atrativa para o RPPS.
Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de elevação na taxa de juros, é aconselhável cautela no IRF-M e no IRF-M 1+, os índices pré-fixados, devido à volatilidade desses indicadores.
Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 que era de 10%, passa a ser de até 12%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.
Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.
Após muitas mudanças nas expectativas de quando o ciclo de corte de juros poderia ocorrer, o FED iniciou a sua redução em setembro, porém não deixou claro qual taxa de juros terminal deve ser alcançada. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.963/21. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo deem sequência na queda de juros, podendo aumentar a demanda por ativos de risco. Sugere-se a entrada no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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