RETROSPECTIVA
O Ibovespa repetiu um feito que não ocorria desde 2017, registrando 10 altas consecutivas neste mês. O principal índice de ações da bolsa brasileira avançou 0,47%, fechando a semana na marca de 128.896,98 pontos, acumulando um ganho de 2,08% na semana e 4% no mês. No entanto, no ano, o índice ainda apresenta uma queda de 3,9%. Já o dólar recuou frente ao real nesta sexta-feira, encerrando a semana em baixa de 0,20%, cotado a R$ 5,43.
A recente valorização das commodities também contribuiu para o desempenho positivo do Ibovespa, que tem quase metade de seu peso em ações de empresas desses setores. Tanto o petróleo, que registrou quatro semanas consecutivas de alta, quanto o minério de ferro, vêm se valorizando. O petróleo é o principal produto de exportação da Petrobras, e o minério de ferro, da Vale. Juntas, essas duas empresas representam 25% da composição do Ibovespa.
Apesar do recuo do dólar nos últimos dias, ele ainda se mantém em um patamar elevado, distante das previsões do Boletim Focus. Essa “supervalorização” da moeda americana impacta negativamente a inflação, mas beneficia as exportadoras brasileiras que têm receitas em dólar.
As taxas de juros norte-americanas continuam no foco dos investidores, especialmente após a divulgação de novos dados de inflação. De acordo com o Departamento de Trabalho, o índice de preços ao produtor nos EUA subiu 0,2% em junho, após ficar estável em maio, superando as expectativas de um aumento de 0,1%. Essa alta segue os bons resultados da inflação ao consumidor (CPI), divulgados recentemente. Os preços caíram 0,1% em um mês, surpreendendo as previsões de um leve aumento de 0,1%, e a inflação anual ficou em 3,1%.
Esses dados reforçaram as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) iniciará cortes nas taxas de juros em setembro. Jerome Powell já havia afirmado que a inflação nos Estados Unidos “permanece acima” da meta de 2% do Fed, mas destacou melhorias recentes. Ele também mencionou que novos dados econômicos positivos fortaleceriam o argumento a favor de cortes nas taxas de juros.
A economia da China desacelerou no segundo trimestre, conforme revelaram dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (15). A segunda maior economia do mundo cresceu 4,7% entre abril e junho, o que representa o ritmo mais lento desde o primeiro trimestre de 2023 e abaixo da previsão de 5,1% feita por analistas. Esse crescimento também foi inferior à expansão de 5,3% registrada no trimestre anterior.
Em termos trimestrais, o PIB cresceu 0,7% entre abril e junho, abaixo das expectativas de um aumento de 1,1% e em comparação com o ganho revisado de 1,5% no trimestre anterior.
No Brasil, a inflação oficial medida pelo IPCA desacelerou em junho, passando de 0,46% para 0,21%, abaixo da expectativa do mercado de 0,32%. O maior impacto veio do grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 0,44% e contribuiu com 0,10 ponto percentual (p.p.) para o índice geral, uma variação mensal inferior à de maio, quando os preços desse grupo subiram 0,62%.
No cenário doméstico, os investidores continuam atentos aos sinais sobre o quadro fiscal brasileiro. Além do adiamento da votação da desoneração da folha para 17 setores pelo Congresso, há uma expectativa crescente pela aprovação da reforma tributária, que agora está nas mãos do Senado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que uma expansão fiscal não seria benéfica para o país no momento e reiterou que Lula cortará gastos se necessário. O ministro também comentou sobre a repactuação da dívida dos estados com o governo federal e os avanços na reforma tributária.
Na semana terá importantes dados de atividade no Brasil e no exterior. No Brasil, a segunda-feira (15) traz a divulgação do IBC-Br de maio. Esse índice, divulgado pelo Banco Central, é considerado uma prévia informal do PIB e deve reforçar o cenário de resiliência da economia brasileira, especialmente após os dados positivos de maio do varejo e do setor de serviços.
Nos Estados Unidos, haverá um discurso do presidente do Fed, Jerome Powell. As novas declarações de Powell, juntamente com os dados econômicos, podem consolidar um cenário favorável para o início do ciclo de cortes de juros em setembro, alimentando o otimismo dos mercados. Ainda na américa, teremos a divulgação do Livro Bege que ocorrerá na quarta feira em que serão passados maiores detalhes a respeito dos aspectos conjunturais que são observados pelo Federal Reserve.
Na quinta-feira, a zona do euro terá uma importante decisão de política monetária. Após ter cortado os juros em junho, o Banco Central Europeu (BCE) deve manter as taxas atuais, em resposta à estagnação do processo de desinflação no bloco europeu.
Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.
Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.
Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M e no IRF-M 1+, que são índices pré-fixados, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.
Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 é prevista para 10%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.
Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.
Após a inflação mostrar ser mais resiliente quanto o esperado, o Fed mudou sua comunicação, mostrando ressalva em cortar os juros mais cedo. A expectativa do mercado, que já foi de até sete cortes no ano, agora é de 1 a 2 cortes, com o primeiro deles em setembro. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.96321. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo devem começar o processo de queda de juros, aumentando a demanda por ativos de risco. Sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%. O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
Deixe um Comentário