RETROSPECTIVA
Após duas semanas positivas, o Ibovespa encerrou a semana com queda de 0,71%, aos 127.599 pontos. Já o dólar se valorizou em âmbito global, fechando a sexta-feira aos R$ 5,15, com alta de 1,66%. Após um Copom sem unanimidade, a preocupação com o fiscal e os balanços das empresas desanimadores, o humor do investidor do Brasil segue em ruim.
Na última quarta-feira, 8, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 10,50% ao ano. A decisão foi dividida, com os últimos quatro membros nomeados do comitê votando a favor de um corte de 0,50 p.p. e os demais votando em 0,25 p.p. No comunicado divulgado juntamente com a decisão, a avaliação em relação as perspectivas da inflação foram altistas, em razões do cenário fiscal do Brasil e a dificuldade enfrentada pelos Estados Unidos para controlar a inflação.
Em relação a inflação no Brasil, o IPCA referente a abril foi de 0,38%, acima das expectativas do mercado (0,35%). O acumulado no ano é de 1,80%, enquanto os últimos 12 meses permanecem abaixo do teto da meta, em 3,69%. Dos nove grupos analisados, sete tiveram alta, com destaque para Saúde e cuidados pessoais e Alimentação e bebidas, que tiveram os maiores impactos no índice. Apesar de alta em relação a expectativa, o núcleo da inflação mostrou alívio, com serviços subjacentes e industriais subjacentes recuando na margem.
Já o INPC, indicador que é usado para corrigir o salário-mínimo, apresentou alta de 0,37% em abril, acumulando 3,23% nos últimos 12 meses.
A balança comercial registrou superávit de 9 bilhões de dólares em abril, abaixo do esperado pelo mercado (US$ 9,4 bilhões). As exportações seguem em alta, beneficiada pela desvalorização do real e pelo bom desempenho das commodities. Enquanto as importações continuam acelerando na margem, registrando valores acima do mesmo mês em 2022 e 2023.
Importante para avaliar o desempenho econômico do país, as vendas no varejo registraram queda de 0,3% no comparativo mensal, abaixo das medianas do mercado. Dos 10 setores analisados, 9 contraíram na margem. No primeiro trimestre de 2024, as vendas no varejo subiram 2,5%, corroborando a visão de que o consumo das famílias está forte em 2024.
Na Inglaterra, o BoE (Banco Central da Inglaterra) não surpreendeu e manteve a taxa de juros em 5,25%. Sua comunicação foi similar ao do Fed no início do ano, reconhecendo que a inflação está em queda, porém, afirmando a necessidade de mais dados para começar a cortar os juros.
Para esta semana, o mercado aguarda atentamente a ata do Copom, na terça-feira, além do IBC-Br na quarta. Para a ata do Copom, o documento trará mais informações acerca da leitura do BC sobre a conjuntura doméstica e o cenário global, enquanto é esperado outro movimento de corte de 0,25 p.p. para próxima reunião.
No âmbito internacional, o destaque será a divulgação da inflação ao consumidor, o CPI, e as vendas no varejo nos Estados Unidos em abril. Após derrubar o último CPI derrubar os mercados, a expectativa é que o resultado de abril fique em torno de 0,3% e 0,4%. Na quinta-feira, a China trará diversos dados econômicos, como a produção industrial, os investimentos em ativos fixos, a taxa de desemprego e os dados de venda no varejo.
Em nossa estratégia de Longuíssimo Prazo, recomendamos aumentar a exposição em Fundos IMA-B 5+, que podem trazer retornos reais, pois são protegidos da inflação. Além disso, a perspectiva fiscal do Brasil foi melhorada, com reformas estruturais aprovadas, como a reforma tributária, e o rating soberano do Brasil elevado, tudo isso contribui para um cenário mais estável e menos volátil. Importante notar que sua carteira teórica é composta por NTN-Bs com prazo acima de 5 anos e possuem uma parte pré-fixada, por isso, recomendamos cautela neste segmento, pois essa parte pré-fixada traz alta volatilidade para o fundo. Ainda no Longo Prazo, mantemos nossa recomendação de 10% de exposição em fundos deste segmento, como IMA-B.
Adicionalmente, aumentamos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.
Para um horizonte de médio prazo, reduzimos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.
Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10%. Com o cenário de queda da Selic, os índices de curto prazo tendem a ser os primeiros a sentirem os efeitos da política monetária.
Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.
O cenário global terá nos próximos meses corte de juros em suas principais economias. A depender principalmente dos Estados Unidos, que ditará o ritmo de corte de juros ao redor do mundo e deve começar apenas em setembro, países dentro da Europa devem começar a flexibilização dos juros antes. Recomendamos uma exposição de 10% nos fundos de investimento no exterior, tanto os de Renda Fixa como os fundos de ações ou multimercado exterior. A CVM 175 também abrirá as portas para estes fundos, que agora poderão ser destinados a investidores gerais (sem Pró-Gestão no caso do RPSS) e com isso abre a oportunidade de dolarizar o patrimônio do RPPS.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável, mantendo a nossa recomendação de 20% de exposição.
Em relação aos Fundos Multimercado, recomendamos reduzir a exposição para 5% e alocar essa parcela em Fundos de Investimento Imobiliários (FII). O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento. Recomendamos uma exposição de 5% para este subsegmento.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
Deixe um Comentário