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Panorama Janeiro – Inflação e aversão a risco dão o tom aos investimentos em janeiro

Embora 2011 tenha começado com expectativas positivas para os segmentos do mercado financeiro e para a Bolsa de Valores, a segunda metade do mês de janeiro freou o ímpeto dos mais otimistas, com o sentimento de aversão ao risco – seja focada no noticiário europeu, ou na crise política no Egito – voltando a predominar. Este fatores em conjunto trouxeram um cenário negativo e de incerteza e  incerto para o segmento de renda variável. Por este motivo, o Índice Bovespa encerrou o mês com recuou de 3,94%.

Se servir de consolo o índice da bolsa brasileira não ficou com posto de pior investimento de janeiro, o ouro desta vez ficou no topo do ranking de pior rentabilidade. A commodity recuou  8,61%  no mes a despeito do cenário de maior aversão ao risco, que normalmente se revela promissor para a obtenção de resultado positivo para esta modalidade de investimento. Vale ressaltar no ano de 2010 o ouro ficou com o posto de melhor rentabilidade dentre às várias modalidades de investimento, com alta de 32%.

Por sua vez a variação cambial medida pela taxa Ptax apontou valorização de apenas 0,43% no mes. A despeito da variação positiva, o dólar registro retorno abaixo da inflação, encerrando  janeiro com retorno real de -0,36%. Da mesma forma a poupança, apontou rentabilidade real negativa de -0,22% no primeiro mês de 2010.

Dentre as principais métricas de investimento a superar a variação do IGP-M – Índice Geral de Preços – Mercados,  neste em janeiro, que registrou alta de 0,79%, foram os  CDBs pré-fixados com prazo de 30 dias e o CDI. O CDB proporcionou retorno ligeiramente acima da variação do CDI, ficando desta forma o primeiro lugar no ranking de melhor investimento do mês.

A volatilidade no mercado de juros por conta das incertezas em relação aos indicadores de inflação fez com que os índices de mercado com base  na negociação dos títulos públicos federais divulgados pela  Anbima apresentassem rentabilidade insatisfatória no mês.

O IDKA IPCA 3 anos mostrou a melhor rentabilidade no período com variação de 0,35%, o IDKA IPCA 30 anos, mais longo, variou -7,03%. Em relação aos índices IMA, a melhor performance ficou por conta do IMA Geral que variou 0,26%, o IRF-M apresentou retorno de -0,08 e o IMA-B o pior desempenho com retorno negativo de 0,31%.

Cenário macroeconômico

Atendendo as expectativas do mercado financeiro, a autoridade monetária sob o comando Alexandre Tombini ,  elevou a taxa básica de juros , Selic, para 11,25% ao ano em sua primeira reunião à frente do Copom -Comitê de Política Monetária do Banco Central. O presidente do Banco Central ainda fez menção a uma possível redução da meta de inflação no longo prazo. Apesar do aumento da taxa Selic, a inflação ainda preocupa.

O FMI realçou que o Brasil apresentou uma deterioração ‘acentuada’ nas contas fiscais, fazendo com que o governo não alcançasse a meta do superávit primário. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reagiu às críticas, afirmando que a análise deve ter sido feita por um “velho ortodoxo”.

Em uma análise mais positiva, o Banco Mundial estima que o PIB – Produto Interno Bruto do Brasil avance entre 4,4% e 4,3% em 2011 e 2012, respectivamente. Por outro lado a agência de rating  Moody’s assegurou que os ratings soberanos dos países da América Latina e do Caribe devem ser favorecidos em 2011 pelas “significativas conquistas de 2010″. Conforme a agencia Moody’s, uma avaliação do rating  Brasil, Baa3, deve acontecer no segundo trimestre deste ano.

Por sua vez, a Standard & Poor’s rebaixou a nota para a dívida soberana japonesa e, em conjunto com a Moody’s, informou que poderia reavaliar o rating da dívida soberana norte-americana caso não acontecessem alterações na direção da política fiscal. Em discurso ao Congresso norte-americano, o presidente Barack Obama garantiu que os gastos do governo são insustentáveis e assumiu o compromisso com as políticas de redução de gastos, com mais de US$ 400 bilhões que poderiam ser economizados na próxima década.

Em relação à economia norte-americana,PIB e relatório de emprego foram os destaques entre as notas negativas – de acordo com o presidente do FED, Ben Bernanke, a expectativa é que a economia norte-americana cresça de 3% a 4% em 2011, um ritmo saudável. Por sua vez, o crescimento da economia chinesa veio melhor do que o que se acreditava, trazendo de volta a cena receios de que um novo aperto monetário possa ocorrer.

A luta para impulsionar o dólar

Com manutenção da política monetária, pelo Banco Central norte- americano, com o objetivo de  não atrapalhar a recuperação econômica dos EUA, o Banco Central  brasileiro colocou em prática várias medidas para tentar impedir a valorização do Real. Além dos leilões no mercado à vista, a autoridade monetária brasileira passou a intervir também no mercado futuro, com leilões de swap cambial reverso, e informou que realizará leilões no mercado a termo pela primeira vez em sua história.

Entretanto, não foram estas às únicas intervenções do Banco Central no câmbio. No início de janeiro, o governo noticiou que a partir de 4 de abril passaria a recolher dos bancos brasileiros, sob forma de depósito compulsório, 60% do valor das posições de câmbio vendidas em dólar que ultrapassarem US$ 3 bilhões ou o patrimônio de referência do dealer. A medida tem por objetivo reduzir em mais de US$ 6 bilhões as posições vendidas dessas instituições.

Europa e Egito preocupam

Os mercados acompanham atentos a evolução da crise fiscal européia. O ponto positivo foram os leilões das dívidas portuguesa, italiana e espanhola que surpreenderam positivamente os mercados. No entanto, os investidores passaram a temer uma reestruturação da dívida grega após de afirmações de Lars Feld, assessor econômico do governo alemão. John Lipsky, diretor do FMI, afiançou que outro resgate pode ocorrer na Zona do Euro, caso os países periféricos fracassem em seu processo de reestruturação.

Para discutir a situação da Zona do Euro, as autoridades européias se reuniram em Bruxelas e a seguir em Davos. O presidente do BCE –  Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, destacou a necessidade de realizar reformas estruturais na Zona do Euro, com destaque para os ajustes fiscais, necessitando que sejam rapidamente implementadas com o objetivo de fortalecer as bases para um crescimento sustentado da região. Por sua vez, Nicola Sarkozy assegurou que as maiores economias do mundo necessitam adotar medidas para transformar o sistema monetário mundial, aperfeiçoar a governança econômica e conter a volatilidade nos mercados de commodities.

O cenário político é uma fonte de preocupação imprevista para o mercado. As manifestações continuam no Egito, resultando em mortes, feridos e prisões em confrontos entre os manifestantes e as forças do governo. Fatores como o alto índice do desemprego, a inflação, a corrupção e o autoritarismo do presidente Hosni Mubarak, há mais de 30 anos no poder, são os principais pretextos para a fúria dos manifestantes. Em virtude do cenário turbulento, a agência de rating Fitch Ratings rebaixou de estável para negativa o rating do país, e a Moody’s cortou a nota.

Ibovespa

O pregão que marcou o encerramento de janeiro foi de queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa.

A Bovespa perdeu o tom positivo da abertura do ano e caiu 3,94% no primeiro mês de 2011.

Parte da queda é atribuída a uma mudança de postura do investidor estrangeiro, que reduziu compras preocupado com inflação e juros no mercado local.

O Índice encerrou janeiro aos 66.574 pontos, menor patamar desde 8 de setembro de 2010 (66.407).

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