Nossa Visão 04/03/2024

RETROSPECTIVA

Apesar do PIB impulsionar a Bolsa na primeira sessão de março, o Ibovespa fechou a semana com queda de 0,18% na semana, aos 129.180 pontos. Já o dólar perdeu força perante ao real devido ao recuo das treasuries americanas e encerrou a semana com queda de 0,82%, aos R$ 4,95. Em Nova York, as bolsas fecharam a semana em alta, na medida que a Nasdaq e o S&P 500 atingiram sua máxima histórica.


Com crescimento de 2,9% frente a 2022, o PIB totalizou 10,9 trilhões de reais em 2023. O crescimento no PIB feio concentrado na agropecuária (15,1%), Serviços (2,4%) e Indústria (1,6%). Em valores correntes, o setor de serviços teve o maior crescimento, 6,4 trilhões de reais, com todas as atividades apresentaram crescimento. O resultado do PIB veio em linha com o que era esperado pelo mercado, após um ano de crescimento da produção agrícola, principalmente no primeiro semestre, além do consumo das famílias e das exportações recordes. A projeção do mercado para 2024 é mais contida, com crescimento de 1,5%, com viés de alta.


Outro destaque da última semana foi a divulgação da taxa de desemprego, feita pelo PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). No trimestre móvel até janeiro, a taxa de desemprego subiu para 7,6%. O dado mais preocupante foi o crescimento dos rendimentos reais do trabalho (salários reais), que aumentaram pelo quinto mês consecutivo e podem representar um alerta para inflação, um risco já descrito pelo Banco Central em última ata do COPOM.


No campo da inflação, o IPCA-15 de fevereiro veio a baixo das expectativas do mercado. Com alta de 0,78%, a índice acumula alta de 4,5% em 12 meses. A boa notícia veio em relação ao El Niño, que pressionou a inflação em 2023 e teve seus efeitos dissipados mais rapidamente em 2024.

O cenário nos Estados Unidos continua preocupante. A segunda leitura do PIB, apesar vir mais baixa que a primeira, mostrou avanço de 3,2% no 4º trimestre de 2023. Com essa leitura, o PIB de 2023 cresceu 2,5% em 2023, mostrando a resiliência da economia norte-americana mesmo diante das altas taxas de juros.


O dado mais preocupante foi a inflação, com alta de 0,4% no Core PCE (o núcleo da inflação do consumo), a medida preferida de inflação nos Estados Unidos. Apesar de vir em linha com as expectativas, a inflação persistente diminui as chances de cortes de juros no primeiro semestre de 23, e aumentam para julho ou depois.


Na zona do euro, o cenário segue semelhante ao norte-americano. A prévia da inflação ao consumidor na zona do euro no mês de fevereiro ficou acima das expectativas, com 2,6% em 12 meses ante 2,8% em janeiro. O setor de serviços causou mais preocupação, mostrando uma reaceleração no mês e ficando acima da média histórica para fevereiro (0,5%). Sendo assim, o corte de juros deve ser adiado por parte do Banco Central Europeu.






PERSPECTIVAS

Com diversos indicadores nesta semana aqui no Brasil, o destaque será em relação aos resultados do setor público consolidado e para a produção industrial e contas externas de janeiro. Na agenda política, teremos a discussão da desoneração da folha das prefeituras como a principal pauta.

No cenário internacional, o mercado de trabalho dos Estados Unidos será o destaque. A divulgação do Nonfarm Payroll e do relatório JOLTS será primordial para avaliação da atividade econômica do país e devem direcionar o mercado para quando o primeiro corte do Fed pode ocorrer. Além disso, o Banco Central Europeu terá reunião de política monetária na quarta feira e a expectativa é de manuntençaõ das taxas.


Na agenda internacional desta semana, na quarta-feira, teremos a segunda estimativa do PIB dos Estados Unidos para o quarto trimestre de 2023. A primeira leitura registrou um crescimento robusto de 3,3% em relação ao trimestre anterior, em termos dessazonalizados e anualizados. Na quinta-feira, serão publicados os dados de inflação medida pelo núcleo do deflator das despesas de consumo pessoal (PCE) nos Estados Unidos relativos a janeiro.


Em nossa estratégia de Longuíssimo Prazo, recomendamos aumentar a exposição em Fundos IMA-B 5+, que podem trazer retornos reais, pois são protegidos da inflação. Além disso, a perspectiva fiscal do Brasil foi melhorada, com reformas estruturais aprovadas, como a reforma tributária, e o rating soberano do Brasil elevado, tudo isso contribui para um cenário mais estável e menos volátil. Importante notar que sua carteira teórica é composta por NTN-Bs com prazo acima de 5 anos e possuem uma parte pré-fixada, por isso, recomendamos cautela neste segmento, pois essa parte pré-fixada traz alta volatilidade para o fundo. Ainda no Longo Prazo, mantemos nossa recomendação de 10% de exposição em fundos deste segmento, como IMA-B.


Adicionalmente, aumentamos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, reduzimos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10%. Com o cenário de queda da Selic, os índices de curto prazo tendem a ser os primeiros a sentirem os efeitos da política monetária.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.


Com o fechamento da curva de juros de longo prazo nos EUA, a pressão inflacionária começou a se alivar e os mercados começaram a responder positivamente. Com expectativa de corte de juros no 2T de 2024 por parte do Fed, recomendamos uma exposição de 10% nos fundos de investimento no exterior, tanto os de Renda Fixa como os fundos de ações ou multimercado exterior. A CVM 175 também abrirá as portas para estes fundos, que agora poderão ser destinados a investidores gerais (sem Pró-Gestão no caso do RPSS) e com isso abre a oportunidade de dolarizar o patrimônio do RPPS.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável, mantendo a nossa recomendação de 20% de exposição.


Em relação aos Fundos Multimercado, recomendamos reduzir a exposição para 5% e alocar essa parcela em Fundos de Investimento Imobiliários (FII). O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento. Recomendamos uma exposição de 5% para este subsegmento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












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