Nossa Visão 20/11/2023

RETROSPECTIVA

A semana foi positiva para Bolsa de Valores no Brasil, fechando o pregão de sexta-feira aos 124.773, com alta de 3,79% na semana e atingindo seu maior patamar desde 2021. Impulsionada principalmente pela notícia que o governo deve manter a meta de déficit zero e pelos dados de inflação mais fracos nos EUA. O dólar andou na contramão, encerrando a semana aos R$ 4,89 e baixa de 1,30% na semana.


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Os resultados do IBC-Br e do setor de serviços vieram abaixo da expectativa do mercado, corroborando com as estimativas de contração do PIB no 3° trimestre. Com recuo de 0,06% em setembro, o IBC-Br frustrou o mercado, que esperava uma alta de 02,0% no mês. O faturamento real de serviços também decepcionou, com queda de 0,3% em setembro, muito abaixo do consenso de mercado (+0,4%).


Governo deve manter a meta fiscal com déficit zero, segundo relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias na Câmara, Deputado Danilo Forte. A notícia agradou os mercados e, mesmo que o atingimento da meta seja difícil, a sinalização do governo de tentar cumprir é positiva.


Dados de inflação nos EUA trazem alívio ao mercado com resultados abaixo do esperado. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro foi de 3,2%, apresentando queda em relação a setembro, 3,7%. O núcleo também apresentou desaceleração e foi de 4,2% em setembro para 4,0% em outubro. Apesar das baixas, o índice ainda está muito acima da meta de inflação dos EUA (2,0%). O Índice de Preços ao Produtor (PPI) também apresentou queda, com baixa de 0,5%.


A agência de classificação de risco Moody’s abaixou a perspectiva de rating dos EUA de AAA estável para AAA- negativa, ressaltando os riscos fiscais que a alta dívida pública causa. Os resultados estão de acordo com a política monetária restritiva que o Fed vem aplicando neste ano e indicam que a atividade econômica no país (que ainda mostra resiliência) tendem a desacelerar nos próximos meses, na medida que a política monetária opera com defasagens.


A inflação na Zona do Euro referente a outubro também foi divulgada esta semana. Com resultado abaixo da expectativa, a leitura final da inflação ao consumidor subiu 0,1% em outubro, abaixo dos 0,2% esperados pelo mercado. O núcleo também mostrou desaceleração, com alta de 4,2% em outubro ante 4,5% de setembro. A inflação ano a ano teve seu menor resultado desde julho de 2021, com 2,9% e, apesar dessa surpresa baixista, ainda está acima dos 2% da meta do Banco Central Europeu. A expectativa é que o BCE (Banco Central Europeu) tenha encerrado o ciclo de aperto monetário.


Na China, os dados de atividade vieram mistos, enquanto os dados de produção industrial e vendas no varejo vieram acima da expectativa, os dados do setor imobiliário decepcionaram mais uma vez. A produção industrial de outubro cresceu 4,6% a/a em outubro e o varejo 7,6% a/a. No setor de construção, a queda foi de 9,3% entre janeiro e outubro deste ano, enquanto o crescimento do investimento em ativos fixos desacelerou para 2,9% no acumulado do ano comparado ao mesmo período do ano passado. Os dados mistos mostram um cenário chinês fraco, apesar de não tão preocupante quanto os especialistas esperavam. Uma queda mais intensa e/ou persistente da atividade econômica da China pode ser preocupante para o Brasil, na medida que a o país é o maior destino de nossas exportações.


O final de semana foi marcado pelo segundo turno das eleições presidenciais na Argentina. Com mais de 55% dos votos, o liberal Javier Milei derrotou o peronismo de Sergio Massa e a posse acontece no dia 10 de dezembro. Dentro suas principais propostas, Milei quer dolarizar o peso argentino, acabando com a desvalorização da moeda, além de fechar o Banco Central e privatizar empresas estatais. Vale lembrar que a Argentina sofre com a inflação alta por mais de uma década e atualmente tem uma das maiores taxas de juros do mundo, com 143% em 12 meses.






PERSPECTIVAS

No Brasil, a semana terá destaque na seara política/fiscal, com discussões da reforma tributária e taxação de fundos exclusivos/offshore no Senado ganhando força. Além disso, na sexta feira, 24, terá a divulgação do indicador de confiança do consumidor de novembro pela FGV.


Na agenda internacional, a divulgação da ata do FOMC (o comitê de política monetária dos Estados Unidos) será divulgada na terça-feira. Durante a semana também terá a reunião de política monetária do Banco Central da China e o destaque virá para as divulgações dos PMI dos EUA, Zona do Euro e Reino Unido.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas entre 10% e 15% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10% e 15%. Devido ao cenário de incertezas no exterior e a queda do juros aqui no Brasil, os segmentos de Curto Prazo estão ficando cada vez menos atrativos.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico, com inflação persistente e taxas de juros em patamares elevados, tantos os de curto quanto os juros de longo prazo (10 anos). Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












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