RETROSPECTIVA
O Ibovespa fechou a semana com alta de 2,04%, voltando a casa dos 120 mil pontos e atinge o maior nível desde agosto. A inflação abaixo do esperado contribuiu positivamente para a alta do IPCA. O dólar encerrou a semana aos R$ 4,91, com queda de -0,51% na sexta. A inflação abaixo do esperado e a desaceleração na economia doméstica indica que o ciclo de corte da Selic deve permanecer até meados de 2024.
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Foi divulgado na última sexta-feira, 10, o IPCA referente ao mês de outubro. Com alta de 0,24%, o indicador fica no campo positivo pelo quarto mês seguido. No acumulado no ano, a alta é de 3,75% e nos últimos 12 meses é de 4,82%. As altas foram dadas em 8 dos 9 grupos pesquisados, com destaque com a alta em Transportes e Alimentação e Bebidas, ambos com o maior impacto no índice (0,7 p.p.). Transportes teve alta de 0,35% apesar na queda no preço dos combustíveis (gasolina com -1,53%, gás veicular -1,23% e etanol com -0,96%). O aumento nos preços das passagens aéreas (23,70%) foi o que mais contribuiu para o resultado do grupo, com impacto de 0,14 p.p. No grupo de Alimentação e bebidas, a alta foi de 0,31%, com destaque para as altas em alimentação no domicílio, 0,27%, e alimentação fora do domicílio, 0,42%.
O INPC também teve seu resultado divulgado pelo IBGE, com alta foi de 0,12% no mês de outubro, 3,04% no ano e 4,14% nos últimos 12 meses. Após uma queda de 0,74% em setembro, os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,23% em outubro. Nos produtos não alimentícios, a alta foi de apenas 0,09%.
A PEC (Proposta de emenda à Constituição) da reforma tributária foi finalmente aprovada em dois turnos pelo senado federal e agora retorna a Câmara dos Deputados para apreciação das alterações no texto que deve acontecer ainda em 2023. Caso os deputados optem por alterar alguma parte do texto, a aprovação deve ser concluída apenas em 2024. Entre as principais mudanças aprovadas (vale ressaltar que o texto original da PEC 45 já foi modificado), estão entre elas uma trava para a carga tributária, a ampliação do Fundo de Desenvolvimento Regional em 20 bilhões de reais e a inclusão de revisões de regimes especiais a cada cinco anos. Além disso, o texto aprovado conta com algumas alterações que favorecerão setores da economia como taxistas, clubes de futebol, bancos, entre outros. A mudança ajudará a trazer transparência para carga tributária do Brasil, além de diminuir a complexidade do sistema tributário como um todo.
O Banco Central divulgou na última semana a ata da reunião do Copom. A mensagem foi mais dura, trazendo cautela e parcimônia no processo de cortes de juros, mensagem que vem sendo repetida nos últimos meses. Ressaltou que o ambiente global é de incertezas, com os EUA tendo dificuldades no combate à inflação e a economia global mostrando sinais de desaceleração. Além disso, observou que a incerteza fiscal também é um problema e que o comitê deve ficar atento a isso. Entretanto, o documento destacou a atividade econômica mostrando sinais de fraqueza e que a inflação se mostrou benigna, fatores que contribuem para a continuação do corte de juros.
Na seara fiscal, o setor público consolidado registrou déficit de 18,1 bilhões de reais em setembro. Nos 12 meses, o déficit é de 101,9 bilhões de reais, equivalente a 1,0% do PIB e 0,3% maior que o registrado em agosto. Enquanto a Dívida Bruta do Governo Central ficou estável em 74,4% do PIB. Também foram divulgadas as vendas no varejo ampliado referentes a setembro, que registraram aumento de 0,2% em relação a agosto, puxado primordialmente pelo setor de supermercadista esperado.
No cenário internacional, o presidente do Fed, Jerome Powell, deu um discurso mais hawkish que o mercado esperava, indicando que mesmo com a economia mostrando sinais de desaceleração o banco central pode voltar a subir os juros. No Reino Unido, a economia estagnou no terceiro trimestre e o baixo dinamismo da economia pode reduzir a necessidade de o banco central manter as taxas de juros elevadas por muito tempo.
Na China, os indicadores econômicos seguem fracos e a recuperação econômica do país é colocada em cheque. Os dados da balança comercial foram abaixo do esperado, com números de exportação abaixo da expectativa e importação acima. A balança comercial registrou superávit de U$ 57 bilhões de dólares em outubro, resultado mais fraco desde fevereiro. A inflação chinesa também preocupou o mercado. A inflação ao consumidor (IPC) de outubro veio no campo negativo, ficando em -0,1% m/m.
A agenda econômica é tímida no exterior, com o principal evento sendo a divulgação do índice de preços ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos referente a outubro. Na china, oos dados de atividade serão divulgados durante a semana, incluindo produção industrial, vendas no varejo e o relatório de emprego. Na zona do euro, a leitura final da inflação ao consumidor de outubro da zona do euro será divulgada no final da semana.
No Brasil, teremos a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicador importante para avaliar o desempenho econômico do setor terciário referente a setembro. Além disso, o Índice de Atividade Economia do Banco Central (IBC-Br) será divulgado na quinta-feira. O IBC-Br é uma aproximação mensal do PIB e a estimativa do mercado é uma alta de 0,6%, resultado que encerraria o trimestre com contração e reforçaria o cenário de desaceleração da atividade doméstica neste semestre. Outro ponto de destaque é em relação a política fiscal, pois o governo tem até quinta-feira, 16, para apresentar a emenda ao projeto de lei orçamentária de 2024, com possível alteração da meta fiscal de déficit zero. A expectativa é que a nova meta deve ser um déficit de 0,5% do PIB, aproximadamente 57 bilhões de reais.Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas entre 10% e 15% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.
Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.
Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10% e 15%. Devido ao cenário de incertezas no exterior e a queda do juros aqui no Brasil, os segmentos de Curto Prazo estão ficando cada vez menos atrativos.
Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.
Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico, com inflação persistente e taxas de juros em patamares elevados, tantos os de curto quanto os juros de longo prazo (10 anos). Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
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