RETROSPECTIVA
O principal índice da bolsa de valores B3 em São Paulo, o Ibovespa, andou de lado na última semana, fechando o pregão desta sexta-feira com baixa de 1,02% e encerrando a semana com alta de 0,37%. No mês, o Ibovespa apresenta variação de -4,46%, baixa significativa puxada por indefinição política e uma saída do capital estrangeiro, antecipando o corte de juros do Banco Central para uma possível “realização de lucro”. O dólar fechou nesta sexta-feira com queda de 0,19%, em R$ 4,871, reagindo ao tom mais contracionista do discurso de Jerome Powell, presidente do FED, dado no simpósio Jackson Hole, na última sexta-feira.
Nesta última semana, foi aprovado depois de muita discussão no Congresso, o texto final do arcabouço fiscal. O texto passou por mudanças no Senado que foram avaliadas na Câmara dos Deputados, dentre as principais mudanças, podemos destacar a decisão de manter de fora do limite de gastos o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e a exclusão de outras medidas como os gastos com ciência, tecnologia e inovação. Essas mudanças deverão ser acompanhadas com novas medidas para arrecadação do governo, pois o novo arcabouço permitirá um crescimento nos gastos de 2,5% acima da inflação para os próximos anos.
O resultado do IPCA-15 surpreendeu o mercado, apresentando alta de 0,28% contra uma expectativa de 0,16% do mercado. Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,2% ante 3,2% em julho. A alta pode ser dada pelo fim do programa de incentivo à compra de automóveis e ao fim do desconto dado pela usina hidrelétrica de Itaipu, fatores que ajudaram o movimento de deflação nos 2 últimos meses. Ao abrir o índice, podemos ver que o núcleo permanece com queda gradual, com exceção do setor de serviços, que apresentou alta em relação a leitura de julho. O mercado segue acreditando que o processo desinflacionário permanecerá ao longo do segundo semestre, com uma desaceleração progressivo e consistente com a atual política monetária do Banco Central.
A notícia que agitou o cenário doméstica na última semana foi o anúncio da expansão do BRICS. Os 6 novos integrantes serão: Arábia Saudita, Argentina, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e o Irã e passarão a integrar o bloco em janeiro de 2024. Com isso, o bloco passará a deter mais de 30% do PIB mundial, com a China liderando com mais do dobro da soma dos outros países, quase 50% da produção de petróleo do mundo e quase metade da população mundial. Essa mudança tira a força do Brasil e consolida o poder da China no cenário geopolítico mundial.
No cenário internacional, foi destaque o simpósio do Jackson Hole, evento que reuniu os principais banqueiros dos EUA para discutir as tendências econômicas e política monetária. O discurso mais esperado era do presidente do FED, Jerome Powell, que reiterou o tom mais duro do banco central norte-americano, não descartando um possível aumento da taxa de juros nos próximos meses, a depender de resultados da inflação e atividade econômica.
O crescimento acelerado da economia norte-americana preocupa e Powell deixou claro que o ciclo de alta permanecerá até que a inflação comece a convergir para a meta de 2%. Para isso, um crescimento abaixo do esperado ou até mesmo uma recessão da principal economia do mundo pode ser necessária.
Ainda sobre os EUA, a volatilidade dos juros longos nos EUA preocupa. Nas últimas semanas, os juros do Tesouro Americano, com destaque aos de vencimento de 30 anos, tiveram alta significativa, chegando aos 4,45%, contra 4,10% no início de agosto. Considerada a “mãe de todas as curvas”, usada como benchmark para ativos livres de risco ao redor do mundo, essa elevação causa um efeito negativo nas bolsas ao redor no mundo, com destaque aos países emergentes, que perderam valor contra o dólar.
Na zona do euro, a divulgação do PMI (índice de gerente de compras) preocupa com números abaixo do esperado. Com contração, o PMI de serviços teve contração, foi de 50,9 para 48,3 entre julho e agosto. Já o PMI industrial avançou de 42,7 em julho para 43,7 em agosto, porém, continua muito abaixo do neutro (50 pontos).
Na China, o setor imobiliário continua sendo o tema de maior preocupação, com vendas modestas e poucos estímulos por parte do governo. O Banco Central da China anunciou o corte da taxa de juros de empréstimos de 1 ano, porém, manteve a taxa de juros de 5 anos, que é a taxa de referência para as hipotecas. Ainda assim, é esperado que o governo faça estímulos mais robustos nas próximas semanas, pois a China corre sérios riscos de ter um crescimento abaixo dos 4% a.a.
No Brasil, a semana será robusta com divulgações de diversos indicadores econômicos. A começar com divulgação do PIB do 2T23, na 6ª feira, com expectativa de crescimentos de 0,5% em relação ao 1T23. Além disso, terá a divulgação dos principais índices referentes ao mercado de trabalho: o CAGED, na 4ª feira, e o PNAD, 5ª feira. O CAGED deve apresentar um aumento na geração de empregos formais, enquanto o PNAD deve mostrar queda leve na taxa de desemprego no mês de julho. Por fim, a divulgação do resultado primário do governo central será divulgada na 5ª feira e deve registrar um déficit de 34 bilhões de reais.
Na agenda internacional, assim como no Brasil, é esperado a divulgação dos dados de emprego e PIB nos EUA. Em relação ao PIB, leituras iniciais indicam um aumento de 2,4% em relação ao 1° trimestre, mostrando a resiliência da economia norte-americana. Nos dados de emprego, a divulgação do JOLTS e do relatório de emprego nos EUA (Nonfarm Payroll) mostrará a criação de vagas e a oferta de mão de obra no mercado de trabalho, resultado que mostrará se o mercado de trabalho continua aquecido nos EUA e pode mudar o rumo da política monetária.
Na zona do euro, é esperado a divulgação da inflação ao consumidor, que será importante para definição dos juros e mostrará se o processo inflacionário continua resistente. Na China, os mercados ficarão atentos a divulgação do PMI referente a agosto, que podem esclarecer se a economia chinesa permanece com crescimento desacelerado.
Deixe um Comentário