Nossa Visão 29/08/2023

RETROSPECTIVA

O principal índice da bolsa de valores B3 em São Paulo, o Ibovespa, andou de lado na última semana, fechando o pregão desta sexta-feira com baixa de 1,02% e encerrando a semana com alta de 0,37%. No mês, o Ibovespa apresenta variação de -4,46%, baixa significativa puxada por indefinição política e uma saída do capital estrangeiro, antecipando o corte de juros do Banco Central para uma possível “realização de lucro”. O dólar fechou nesta sexta-feira com queda de 0,19%, em R$ 4,871, reagindo ao tom mais contracionista do discurso de Jerome Powell, presidente do FED, dado no simpósio Jackson Hole, na última sexta-feira.


Nesta última semana, foi aprovado depois de muita discussão no Congresso, o texto final do arcabouço fiscal. O texto passou por mudanças no Senado que foram avaliadas na Câmara dos Deputados, dentre as principais mudanças, podemos destacar a decisão de manter de fora do limite de gastos o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e a exclusão de outras medidas como os gastos com ciência, tecnologia e inovação. Essas mudanças deverão ser acompanhadas com novas medidas para arrecadação do governo, pois o novo arcabouço permitirá um crescimento nos gastos de 2,5% acima da inflação para os próximos anos.


O resultado do IPCA-15 surpreendeu o mercado, apresentando alta de 0,28% contra uma expectativa de 0,16% do mercado. Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,2% ante 3,2% em julho. A alta pode ser dada pelo fim do programa de incentivo à compra de automóveis e ao fim do desconto dado pela usina hidrelétrica de Itaipu, fatores que ajudaram o movimento de deflação nos 2 últimos meses. Ao abrir o índice, podemos ver que o núcleo permanece com queda gradual, com exceção do setor de serviços, que apresentou alta em relação a leitura de julho. O mercado segue acreditando que o processo desinflacionário permanecerá ao longo do segundo semestre, com uma desaceleração progressivo e consistente com a atual política monetária do Banco Central.


A notícia que agitou o cenário doméstica na última semana foi o anúncio da expansão do BRICS. Os 6 novos integrantes serão: Arábia Saudita, Argentina, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e o Irã e passarão a integrar o bloco em janeiro de 2024. Com isso, o bloco passará a deter mais de 30% do PIB mundial, com a China liderando com mais do dobro da soma dos outros países, quase 50% da produção de petróleo do mundo e quase metade da população mundial. Essa mudança tira a força do Brasil e consolida o poder da China no cenário geopolítico mundial.


No cenário internacional, foi destaque o simpósio do Jackson Hole, evento que reuniu os principais banqueiros dos EUA para discutir as tendências econômicas e política monetária. O discurso mais esperado era do presidente do FED, Jerome Powell, que reiterou o tom mais duro do banco central norte-americano, não descartando um possível aumento da taxa de juros nos próximos meses, a depender de resultados da inflação e atividade econômica.


O crescimento acelerado da economia norte-americana preocupa e Powell deixou claro que o ciclo de alta permanecerá até que a inflação comece a convergir para a meta de 2%. Para isso, um crescimento abaixo do esperado ou até mesmo uma recessão da principal economia do mundo pode ser necessária.


Ainda sobre os EUA, a volatilidade dos juros longos nos EUA preocupa. Nas últimas semanas, os juros do Tesouro Americano, com destaque aos de vencimento de 30 anos, tiveram alta significativa, chegando aos 4,45%, contra 4,10% no início de agosto. Considerada a “mãe de todas as curvas”, usada como benchmark para ativos livres de risco ao redor do mundo, essa elevação causa um efeito negativo nas bolsas ao redor no mundo, com destaque aos países emergentes, que perderam valor contra o dólar.


Na zona do euro, a divulgação do PMI (índice de gerente de compras) preocupa com números abaixo do esperado. Com contração, o PMI de serviços teve contração, foi de 50,9 para 48,3 entre julho e agosto. Já o PMI industrial avançou de 42,7 em julho para 43,7 em agosto, porém, continua muito abaixo do neutro (50 pontos).


Na China, o setor imobiliário continua sendo o tema de maior preocupação, com vendas modestas e poucos estímulos por parte do governo. O Banco Central da China anunciou o corte da taxa de juros de empréstimos de 1 ano, porém, manteve a taxa de juros de 5 anos, que é a taxa de referência para as hipotecas. Ainda assim, é esperado que o governo faça estímulos mais robustos nas próximas semanas, pois a China corre sérios riscos de ter um crescimento abaixo dos 4% a.a.






PERSPECTIVAS

No Brasil, a semana será robusta com divulgações de diversos indicadores econômicos. A começar com divulgação do PIB do 2T23, na 6ª feira, com expectativa de crescimentos de 0,5% em relação ao 1T23. Além disso, terá a divulgação dos principais índices referentes ao mercado de trabalho: o CAGED, na 4ª feira, e o PNAD, 5ª feira. O CAGED deve apresentar um aumento na geração de empregos formais, enquanto o PNAD deve mostrar queda leve na taxa de desemprego no mês de julho. Por fim, a divulgação do resultado primário do governo central será divulgada na 5ª feira e deve registrar um déficit de 34 bilhões de reais.


Na agenda internacional, assim como no Brasil, é esperado a divulgação dos dados de emprego e PIB nos EUA. Em relação ao PIB, leituras iniciais indicam um aumento de 2,4% em relação ao 1° trimestre, mostrando a resiliência da economia norte-americana. Nos dados de emprego, a divulgação do JOLTS e do relatório de emprego nos EUA (Nonfarm Payroll) mostrará a criação de vagas e a oferta de mão de obra no mercado de trabalho, resultado que mostrará se o mercado de trabalho continua aquecido nos EUA e pode mudar o rumo da política monetária.


Na zona do euro, é esperado a divulgação da inflação ao consumidor, que será importante para definição dos juros e mostrará se o processo inflacionário continua resistente. Na China, os mercados ficarão atentos a divulgação do PMI referente a agosto, que podem esclarecer se a economia chinesa permanece com crescimento desacelerado.












Deixe um Comentário

Repetir o Post


Arquivos
  • setembro 2026
  • agosto 2026
  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • janeiro 2015
  • dezembro 2014
  • novembro 2014
  • outubro 2014
  • setembro 2014
  • agosto 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • fevereiro 2014
  • janeiro 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • outubro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • abril 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • dezembro 2012
  • novembro 2012
  • outubro 2012
  • setembro 2012
  • agosto 2012
  • julho 2012
  • junho 2012
  • maio 2012
  • abril 2012
  • março 2012
  • fevereiro 2012
  • janeiro 2012
  • dezembro 2011
  • novembro 2011
  • outubro 2011
  • setembro 2011
  • agosto 2011
  • julho 2011
  • junho 2011
  • maio 2011
  • abril 2011
  • março 2011
  • fevereiro 2011
  • janeiro 2011
  • dezembro 2010
  • novembro 2010
  • outubro 2010
  • setembro 2010
  • agosto 2010
  • julho 2010
  • junho 2010