RETROSPECTIVA
Em uma semana mais curta devido ao feriado nacional de Tiradentes, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do Brasil fechou com leve alta de 0,44%, o que representa 104.367 pontos. Apesar da alta no último dia útil da semana, o índice tem uma queda considerável no acumulado da semana de 1,80%. Já para o acumulado do mês, existe um avanço de 2,44% e para o ano um recuo acumulado de 4,89%.
Ainda na quinta-feira (20) a moeda americana voltou a ganhar espaço no Brasil e recuperar o patamar acima dos R$ 5,00. No respectivo dia, o dólar avançou em 2,21%, sendo cotado em R$ 5,09, o movimento representa a sua terceira alta consecutiva. Ainda assim, no mês, a moeda americana cede espaço frente ao real em 0,21% e para o ano, tem um recuo de 4,16%.
O mercado ainda apresenta sinais de incertezas quanto ao arcabouço fiscal e parece ter devolvido, ao menos em partes, os bons resultados da semana retrasada, observados tanto na bolsa brasileira quanto no câmbio.
Como causa para movimento fraco na bolsa para a última semana, assim como para o avanço do dólar na economia doméstica, segundo economistas e analistas, parece sido motivado pela desconfiança do mercado em relação a capacidade do novo governo de pôr em pratica o novo arcabouço fiscal, como por exemplo, que o ministro da fazenda Fernando Haddad leve adiante leis e acordos que aumentem a arrecadação do governo federal, um dos pressupostos para “colocar a economia nos trilhos” através do novo plano.
A notícia que tomou conta dos grandes noticiários econômicos na semana foi o recuo do governo federal que acenava para o fim da isenção do imposto de importação para encomendas no valor de até US$ 50,00 para pessoas físicas.
Após a repercussão muito negativa e que teve como reflexo a queda da popularidade do novo governo entre os brasileiros, segundo informações, a pedido do presidente Lula na terça-feira, o ministro da Fazenda Fernando Haddad, recuou e desistiu da taxação das respectivas compras que até então eram isentas do imposto.
Ainda na mesma semana, quarta-feira (19), a pesquisa Quaest, divulgou que a aprovação do governo Lula caiu quatro pontos desde fevereiro, passando de 40% para 36%, já para a taxa de desaprovação subiu de 20% para 29%.
As notícias boas da última semana parecem ter ficado por conta do cenário externo, mediante novos dados que foram divulgados pela maior economia do mundo em relação a solicitação de seguro desemprego por parte dos americanos e das vendas de moradias usadas.
Nos Estados Unidos, o número dos pedidos de seguros-desemprego subiu em 5 mil na semana passada em relação à semana anterior, de acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho, a solicitação de novos seguros-desemprego no país foram de 245 mil. O resultado divulgado vem acima do esperado pelo mercado e contrariou a previsão dos analistas consultado pelo “The Wall Street Journal” que estimavam pedidos em torno de 240 mil.
Sinais como esses emitidos pela economia americana tendem a reforçar a visão dos analistas que já apontam para um estacionamento das políticas monetárias contracionistas no pais, uma vez que a atividade econômica parece estar perdendo força, movimento que indica que a inflação está arrefecendo no país e que, pode não haver mais necessidade de novos aumentos nas taxas de juros estabelecidas pelo FED.
Não obstante, ainda há indícios de que para a próxima reunião do FED, o órgão deverá elevar a meta da taxa de juros no país por pelo menos mais uma vez. A reunião acontecerá no dia 03/05, mesma data que o COPOM se reunirá.
Outro sinal positivo para a desaceleração da inflação no país na mesma semana, ficou por conta dos dados divulgados pela Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA, observando que as vendas de casas usadas caíram 2,4%, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 4,44 milhões de unidades no mês passado. A queda é de 22% na comparação anual com encerramento em março.
Já no continente Europeu, a notícia negativa ou menos animadora ficou por conta do Reino Unido, mediante a divulgação dos dados referente a inflação no território.
Na última quarta-feira, os dados da inflação vieram acima do esperado pelo mercado europeu e o Reino Unido foi o único país na Europa Ocidental com a inflação de dois dígitos no mês março. A inflação no país caiu para uma taxa anual de 10,1%, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, já para o mês de fevereiro o dado estava em 10,4%, mas bem acima da expectativa de economistas que projetavam uma inflação de 9,8% e de 9,2% pela expectativa do Banco Central.
O pico da inflação no Reino Unido fora observado no mês de outubro do ano passado quando chegou ao patamar de 11,1%, nível que fora observado pela última vez a mais de 40 anos. Tal patamar elevado continua pressionando os salários e reforça a necessidade de uma política contracionista necessária para melhorar as perspectivas econômicas no continente.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção aumentou de 6,01% para 6,04% em 2023. Para 2024, a previsão permaneceu em 4,18%. Para o ano de 2025 e em 2026, a projeção também permaneceu em 4,00%.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) aumentou de 0,90% para 0,96% em 2023, para 2024, avançou de 1,40% para 1,41%. Em 2025, a projeção recuou de 1,72% para 1,70%, e para o ano de 2026, se manteve em 1,80%.
A taxa de câmbio em 2023 teve a sua projeção recuou de R$ 5,24 para R$ 5,20. Para o ano de 2024 teve a projeção recuou de R$ 5,26 para R$ 5,25. Em 2025 a taxa também foi mantida em comparação com o boletim Focus anterior, ficando em R$ 5,30 e para o ano de 2026 a taxa recuou de R$ 5,35 para R$ 5,32.
Para a taxa Selic, a projeção para o ano de 2023 se manteve em para 12,50%. Para 2024 a projeção foi mantida em 10%. Já em 2025 a projeção também foi mantida em 9,00% e por fim, para o ano de 2026 a projeção foi mantida em 8,75%
PERSPECTIVAS
A semana que se inicia nessa segunda-feira, contará com uma agenda econômica internacional movimentada, devido a divulgação do PIB trimestral dos Estados Unidos, atualmente com a projeção de um avanço de 2% entre janeiro e março, segundo analistas consultados pela investing.com, quando o PIB americano avançou em 2,6%. Já na próxima sexta-feira (28), serão divulgados dados referente ao Índice de Preços mensal do país, dado que capta a inflação americana.
Os dados acima podem ajudar a balizar as políticas econômicas do país para o ano e ver em qual medida as políticas contracionistas, que visam o arrefecimento da inflação no pais estão surtindo efeito.
Na China, com uma semana mais curta devido ao feriado do dia do trabalho no país, sexta-feira (28), serão divulgados os dados referente ao PMI Industrial e o PMI Industrial Caixin, referente ao mês de abril.
No Brasil serão divulgados os dados referente às vendas no varejo mensal e anualizados, o índice de evolução de emprego do CAGED de marco, e não menos importante a taxa de desemprego do pais.
Tendo em vista a alta taxa Selic, os títulos públicos federais, principalmente na parte curta da curva, tonam-se atrativos para o RPPS. Devido ao período de incertezas, mantivemos a recomendação de cautela quanto aos novos aportes em fundos de investimento de longuíssimo prazo (IMA-B 5+), adicionalmente recomendamos até 5% em fundos de investimento de longo prazo (IMA-B/ IMA-Geral/ FIDC/ Crédito Privado). Além disso, recomendamos 5% em fundos Gestão Duration, tendo em vista a estratégia de gestão ativa do segmento.
No médio prazo, recomendamos índices pós fixados (IDKA IPCA 2A e IMA- B 5), chegando ao patamar de 15%.
Quanto a exposição em curto prazo, recomendamos fundos atrelados ao CDI e ao IRF-M1 na totalidade de 20%.
Recomendamos a aquisição gradativa de títulos privados (Letra Financeira e CDB), chegando ao patamar de 15%.
Quanto aos fundos de investimento no exterior, recomendamos cautela devido ao atual cenário econômico onde há expectativas de alta na taxa de juros nas principais economias do mundo, trazendo volatilidade no mercado acionário exterior à curto prazo. Recomendamos a exposição de 10% em fundos que não utilizam hedge cambial.
Quanto a fundos de ações atrelados a economia doméstica recomendamos a entrada gradativa de modo que o investidor fique atento a oportunidades da bolsa de valores, construindo um preço médio mais atrativo.
Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.




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