RETROSPECTIVA
Tivemos uma semana conturbada no Brasil, onde o Ibovespa registrou queda de 3,09% aos 98 mil pontos. Já o dólar registrou queda de 0,61% em relação ao real, ao encerrar a semana sendo cotado a R$5,25.
Na reunião do Comitê de Política Monetária da semana passada, a taxa Selic foi mantida em 13,75% ao ano pela quinta vez consecutiva, em linha com o que era esperado pelo mercado.
Em comunicado pós-reunião, o Copom reafirmou que seguirá vigilante e que sua estratégia atual consiste em manter a taxa no patamar atual por um longo período. Além disso, o banco central afirmou que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não aconteça conforme esperado. Por outro lado, caso a atividade econômica desacelere, ocorrerão cortes graduais da taxa básica.
Ademais, o Comitê afirmou que, mesmo que a reoneração dos combustíveis tenha reduzido a incerteza dos resultados fiscais de curto prazo, ainda há alguns fatores de risco para o cenário inflacionário. Entretanto, o presidente Lula não aprovou a decisão do Copom, já que deseja que a taxa seja reduzida para que a economia possa ter um aumento nos investimentos.
O IPCA-15 desacelerou em março na comparação com o mês anterior e apresentou alta de 0,69%. Como resultado, há alta de 5,36% no acumulado de 12 meses.
O presidente Lula afirmou novamente que o novo arcabouço fiscal será divulgado em abril, após a viagem a China. O arcabouço dará diretrizes dos gastos do governo nos próximos períodos e pode ajudar na tomada de decisão da próxima reunião do Copom.
Haddad afirmou que o arcabouço será apresentado até dia 25 de abril, junto com o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024, o qual passará por um reajuste para recompor os orçamentos de saúde e educação.
Foi divulgado o Relatório de Reprogramação de Receitas e Despesas, que projeta déficit primário de R$ 107 bilhões em 2023, abaixo dos R$ 228 bilhões previstos na Lei Orçamentária.
O Federal Reserve elevou a taxa de juros em 0,25%, passando assim a um intervalo de 4,75% a 5% e em linha com as expectativas do mercado, tendo em vista que a inflação continua elevada nos Estados Unidos. O presidente do banco central norte americano informou que foi cogitada fazer uma pausa no ciclo de aperto, mas mudaram de ideia e que ainda pode haver novas elevações da taxa caso a inflação não seja controlada, discurso que não foi bem-visto pelo mercado, já que as bolsas de valores enfrentaram queda logo em seguida.
O banco Credit Suisse foi vendido para o UBS por US$ 3.2 bilhões, onde há a expectativa de conter a crise de confiança que poderia acontecer na Europa e nos EUA. Com isso, houve questionamentos se Suíça é realmente o país mais seguro para se investir.
No Reino Unido, o Banco Central da Inglaterra elevou a taxa de juros em 0,25%, atingindo 4,25%, onde foi afirmado que novas altas serão necessárias se a pressão inflacionária continuar sendo persistente.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção caiu de 5,95% para 5,93% em 2023. Para 2024, a previsão para o IPCA subiu de 4,11% para 4,13%. Para 2025 foi elevada de 3,90% para 4,00% e em 2026 as projeções foram mantidas em 4,00%.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) subiu de 0,89% para 0,90% em 2023, e para 2024 caiu de 1,47% para 1,40%. Para 2025 foi elevada de 1,70% para 1,71%, e para 2026 caiu de 1,80% para 1,78%.
Para a taxa de câmbio em 2023, o valor continuou em R$ 5,25. Para o ano de 2024 e 2025 continuou em R$5,30 e para 2026 as projeções permaneceram em R$ 5,40.
Para a taxa Selic, a projeção para 2023 continuou em 12,75%. Para 2024 permaneceu em 10%. Em 2025 e 2026 continuou em 9,00%.
PERSPECTIVAS
Teremos a divulgação de dados da inflação, PIB dos Estados Unidos e a ata da última reunião do Copom, que dará indicações sobre a decisão da taxa Selic.
No Brasil as expectativas estão voltadas para a divulgação do arcabouço fiscal. Além disso, é esperado que a taxa Selic apresente queda a partir do segundo semestre de 2023.
Já no exterior, espera-se que as principais economias ainda enfrentem algumas elevações nas taxas básicas em suas próximas reuniões, a fim de controlar a inflação que continua persistente.
Quanto a nossa recomendação, sugerimos cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter ainda sem desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Tendo em vista a alta taxa Selic, os títulos públicos federais, principalmente na parte curta da curva, além dos fundos de vértice, tonam-se atrativos para o RPPS. Devido ao período de incertezas, mantivemos a recomendação de cautela quanto aos novos aportes em fundos de investimento de longuíssimo prazo (IMA-B 5+), adicionalmente recomendamos até 5% em fundos de investimento de longo prazo (IMA-B/ IMA-Geral/ FIDC/ Crédito Privado). Além disso, recomendamos 5% em fundos Gestão Duration, tendo em vista a estratégia de gestão ativa do segmento.
No médio prazo, recomendamos índices pós fixados (IDKA IPCA 2A e IMA- B 5), chegando ao patamar de 15%.
Quanto a exposição em curto prazo, recomendamos fundos atrelados ao CDI e ao IRF-M1 na totalidade de 20%.
Recomendamos a aquisição gradativa de títulos privados (Letra Financeira e CDB), chegando ao patamar de 15%.
Quanto aos fundos de investimento no exterior, recomendamos cautela devido ao atual cenário econômico onde há expectativas de alta na taxa de juros nas principais economias do mundo, trazendo volatilidade no mercado acionário exterior à curto prazo. Recomendamos a exposição de 10% em fundos que não utilizam hedge cambial.
Quanto a fundos de ações atrelados a economia doméstica recomendamos a entrada gradativa de modo que o investidor fique atento a oportunidades da bolsa de valores, construindo um preço médio mais atrativo.
Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.




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