RETROSPECTIVA
Tivemos uma semana complicada no Brasil, após a divulgação de alguns dados que ocasionaram em queda de 0,24% do Ibovespa na semana e alta de 0,15% do dólar.
O IPCA subiu 0,84% em fevereiro, acumulando 5,60% de alta no período de 12 meses. Como resultado, o mercado diz que a tendência de desinflação aparenta estar perdendo força e a inflação está voltando a níveis elevados.
Fernando Haddad anunciou um acordo de R$ 26,9 bilhões entre a União e estados com o objetivo de compensar a diminuição da arrecadação dos está com a redução do ICMS.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que a regra do arcabouço fiscal está pronta e que irá agradar a todos, pois estabilizará a dívida pública ao mesmo tempo em que vai permitir que o governo possa investir nas áreas consideras prioritárias.
O PMI de Serviços do Brasil caiu para 49,8 pontos em fevereiro, mostrando restrição e queda da atividade pela primeira vez desde maio de 2021.
O mercado de trabalho formal criou mais de 83 mil vagas em janeiro, representando uma diminuição no ritmo de criação se comparado com dezembro de 2022.
De acordo com o Departamento do Trabalho, a abertura de vagas fora do setor agrícola nos EUA totalizou 311 mil empregos em fevereiro. O dado é utilizado pelo Fed para ajudar a definir o rumo dos juros no país, o qual pode indicar que a economia não está arrefecendo o suficiente para reduzir a inflação, reforçando a expectativa de um aumento mais forte das taxas de juros.
Além disso, o presidente do Banco Central norte americano informou em discurso que ainda não foi decidido se o aumento da taxa de juros será de 0,25% ou 0,50% na próxima reunião. Entretanto, é indicado que os juros permanecerão mais altos por mais tempo.
A taxa de desemprego dos EUA subiu para 3,6% em razão do aumento da taxa de participação no mercado de trabalho.
A taxa anual da inflação ao consumidor (CPI) da China subiu 1% em fevereiro, sendo menor do que o esperado. Já a inflação ao produtor (PPI) da China teve queda anual de 1,4% no mês.
Na estimativa preliminar da Eurostat, a inflação anual na Zona do Euro caiu para 8,5% em fevereiro, onde os itens que mais contribuíram para a inflação mensal de fevereiro foram alimentos, álcool e tabaco.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção subiu de 5,90% para 5,96% em 2023. Para 2024, a previsão para o IPCA permaneceu em 4,02%. Para 2025 continuou em 3,80% e em 2026 as projeções aumentaram de 3,77 para 3,79%.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) subiu de 0,85% para 0,89% em 2023, e para 2024 permaneceu em 1,50%. Para 2025 permaneceu em 1,80%, e para 2026 caiu de 2,00% para 1,98%.
Para a taxa de câmbio em 2023, o valor continuou em R$ 5,25. Para o ano de 2024 e 2025 continuou em R$5,30 e para 2026 as projeções permaneceram em R$ 5,35.
Para a taxa Selic, a projeção para 2023 continuou em 12,75%. Para 2024 permaneceu em 10%. Em 2025 continuou em 9,00%. Já em 2026, a projeção ficou em 8,75%.
PERSPECTIVAS
Nos EUA, há expectativas de que ocorram novas altas da taxa de juros na próxima reunião do Fed, tendo em vista que os dados referentes ao mercado de trabalho continuam apresentando criação de vagas acima do esperado.
No Brasil, as expectativas estão na divulgação do novo arcabouço fiscal que acontecera em breve. Enquanto essa divulgação não acontece, ainda é esperado que a taxa Selic apresente queda somente no segundo semestre de 2023.
Nessa semana teremos a divulgação da inflação norte americana e taxa de desemprego brasileira.
Quanto a nossa recomendação, sugerimos cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter ainda sem desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Tendo em vista a alta taxa Selic, os títulos públicos federais, principalmente na parte curta da curva, além dos fundos de vértice, tonam-se atrativos para o RPPS. Devido ao período de incertezas, mantivemos a recomendação de cautela quanto aos novos aportes em fundos de investimento de longuíssimo prazo (IMA-B 5+), adicionalmente recomendamos até 5% em fundos de investimento de longo prazo (IMA-B/ IMA-Geral/ FIDC/ Crédito Privado). Além disso, recomendamos 5% em fundos Gestão Duration, tendo em vista a estratégia de gestão ativa do segmento.
No médio prazo, recomendamos índices pós fixados (IDKA IPCA 2A e IMA- B 5), chegando ao patamar de 15%.
Quanto a exposição em curto prazo, recomendamos fundos atrelados ao CDI e ao IRF-M1 na totalidade de 20%.
Recomendamos a aquisição gradativa de títulos privados (Letra Financeira e CDB), chegando ao patamar de 15%.
Quanto aos fundos de investimento no exterior, recomendamos cautela devido ao atual cenário econômico onde há expectativas de alta na taxa de juros nas principais economias do mundo, trazendo volatilidade no mercado acionário exterior à curto prazo. Recomendamos a exposição de 10% em fundos que não utilizam hedge cambial.
Quanto a fundos de ações atrelados a economia doméstica recomendamos a entrada gradativa de modo que o investidor fique atento a oportunidades da bolsa de valores, construindo um preço médio mais atrativo.
Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.




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