RETROSPECTIVA
Na última sexta-feira (10), o principal índice da bolsa de valores de São Paulo fechou em leve alta de 0,07%, ficando em 108.078 pontos, após relativa volatilidade no respectivo pregão por conta dos questionamentos do governo federal em relação a política monetária adotada, em especial, pelo nível atual da taxa de juros definida pelo COPOM e a meta para inflação definida pelo CMN.
No acumulado anual o principal índice da bolsa acumula uma queda de 1,51%, queda de 4,72% no mês e de 0,41% no acumulado da semana.
Com a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2023, o setor bancário começa a sentir o impacto do escândalo contábil envolvendo a empresa Americanas. O Banco Itaú, por exemplo, divulgou o seu balanço na última terça-feira (07).
Para o último trimestre do ano passado, o banco apresentou um lucro líquido de 7,7 Bi, o que significa um crescimento de 19%.
Não fosse o evento negativo envolvendo a empresa, o lucro do banco seria de 9 bi, mas a provisão para inadimplência no banco teve um acréscimo de 1,3 bi.
Já o banco Santander, não citou o caso Americanas nominalmente em seu balanço, mas analistas apontam que a provisão para o evento pode ser de 30% para o caso de inadimplência da empresa para com o banco, ou seja, o montante provisionado foi de 1,1 bi de um total de 3,7 bilhões.
Já o Banco Bradesco, o segundo maior banco privado do país, realizou uma provisão em seu último balanço, divulgado na semana passada, de 100% da sua carteira de crédito cedida à empresa Americanas, nesse caso de 4,9 bilhões.
O dólar viu a sua cotação frente ao real se desvalorizar em 1,07%, sendo cotada no fim do pregão em R$ 5,2220, após ter tocado uma máxima no mesmo dia de R$ 5,8032. Apesar do recuo da moeda americana, o dólar acumulou, na respectiva semana, um avanço sobre o real em 1,45%, não obstante, ainda no mesmo pregão, o desempenho da moeda brasileira demonstrou melhor resultado se comparado com outras divisas da américa latina no último fechamento.
Alguns estrategistas do Banco J. P. Morgan entenderam que o movimento da moeda americana observada nas últimas semanas está em linha com as expectativas do banco em relação a sua variação perante o real, observando uma volatilidade, como a que tem acontecido no ano presente, entre R$ 5,00 e R$ 5,30, apesar de não poderem confirmar se o viés é de alta ou baixa na taxa de cambio.
Apontam ainda que alguns assuntos em aberto tais como, a indefinição do plano fiscal do novo governo, a nomeação de novos membros para o Banco Central, a reabertura da China, deixam o atual cenário com maiores incertezas e mais desafiador dentro da esfera cambial.
A semana teve como destaque e reflexos alguns dos pronunciamentos do presidente Lula questionando a atual da taxa de juros em 13,75% mantida na última reunião do COPOM.
Ainda nesse ponto, em entrevista a RedeTV, o presidente Lula entende que a inflação atual não está sendo fomentada por uma questão de pressão da demanda e sim por outras questões como por exemplo, de problemas na cadeia de produção, ou seja, pela ótica da oferta. Dessa maneira, mediante a teoria econômica, uma manutenção ou elevação na taxa de juros elevada tem pouco a oferecer para arrefecer o quadro inflacionário no país.
O presidente ainda confirmou que aguardara o termino do mandato do atual presidente do Banco Central Roberto Campos neto para discutir questões como a meta para a inflação buscada pelo Conselho Monetário Nacional – CMN que, atualmente tem como meta para a inflação em 5,78% para 2023, 3,93% para o ano de 2024 assim como para o ano de 2025, o que segundo o presidente é uma meta muito justa para uma economia emergente e que essa meta pode comprometer o crescimento do país, se referindo as metas definidas para o ano de 2024 em diante.
O destaque positivo ficou por conta da revisão para o crescimento da China no ano de 2023 feita pelo do FMI (Fundo Monetário Internacional) que elevou a taxa de crescimento do país para 5,2%, quando no pronunciamento anterior feito pela instituição a previsão ficou em 4,4%. Já para a ONU e nas previsões do Banco Mundial a previsão é de um crescimento entre 4,8% e 4,3% respectivamente.
Após três meses seguindo o índice de gerentes de compras para o setor manufatureiro da China ficou em 50,1 em janeiro após três meses de contração, o atual patamar indica que a economia chinesa apresenta expansão.
Ainda no pais asiático, o governo se vê confiante devido à queda nas medicas sanitárias mais flexíveis desde a segunda quinzena de janeiro contra a covid-19 e pelo estimulo econômico realizado pelo próprio governo. Além do foco na promoção do consumo e expansão da demanda interna, fatores que tornaram uma previsão de crescimento mais otimista para o ano corrente.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção aumentou de 5,78% para 5,79% em 2023. Para 2024, a previsão aumentou de 3,93% para 4,00%. Para o ano de 2025, aumentou de 3,50% para 3,60%. E para o ano de 2026, a projeção permaneceu em 3,50%.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 0,79% para 0,76% em 2023, para 2024, se manteve em 1,50%. Em 2025, a projeção recuou de 1,89% para 1,85%, e para o ano de 2026, se manteve em 2%.
A taxa de câmbio em 2023 teve a sua projeção mantida em R$ 5,25. Para o ano de 2024 teve a projeção mantida em R$ R$ 5,30. Em 2025 a taxa também foi mantida em comparação com o boletim Focus anterior, ficando em R$ 5,30 assim como para o ano de 2026.
Para a taxa Selic, a projeção para o ano de 2023 aumentou de 12,50% para 12,75%. Para 2024 a projeção também sofreu aumento de 9,75% para 10,00%. Já em 2025 a projeção foi mantida em 9,00% e por fim, para o ano de 2026 a projeção se manteve em 8,50%.
PERSPECTIVAS
Apostas em um cenário mais positivos para a China no presente ano foram divulgadas por instituições como o banco Morgan Stanley e Goldman Sachs, uma vez que essas instituições financeiras também elevaram a sua previsão para o crescimento para 2023, não obstante a já observada alta inflação que acomete as principais economias do mundo.
Ainda na China, para essa semana está prevista a divulgação do índice de inflação (consumo) do país (IPC), tanto mensal (janeiro) como também o dado anualizado, como a divulgação do IPP, índice de preços ao produtor.
No Brasil, essa semana teremos a reunião do Conselho Monetário Nacional e a divulgação do IGP-10, além da divulgação do IBC-BR.
Já na zona do Euro serão divulgadas o resultado do PIB anualizado e trimestral, as projeções econômicas, assim como a produção industrial, além do encontro do Eurogrupo.
Nos EUA será apresentado o relatório mensal da OPEP, diversos índice de inflação, dados sobre as vendas no varejo, estoque das empresas, dados referente a construção de novas casas, além dos pronunciamento de alguns membros do FOMC, o Copom Americano.
Tendo em vista a manutenção da alta taxa Selic, os títulos públicos federais, principalmente na parte curta da curva, tonam-se atrativos para o RPPS. Devido ao período de incertezas, mantivemos a recomendação de cautela quanto aos novos aportes em fundos de investimento de longuíssimo prazo (IMA-B 5+), adicionalmente recomendamos até 5% em fundos de investimento de longo prazo (IMA-B/ IMA-Geral/ FIDC/ Crédito Privado). Além disso, recomendamos 5% em fundos Gestão Duration, tendo em vista a estratégia de gestão ativa do segmento.
No médio prazo, recomendamos índices pós fixados (IDKA IPCA 2A e IMA- B 5), chegando ao patamar de 15%.
Quanto a exposição em curto prazo, recomendamos fundos atrelados ao CDI e ao IRF-M1 na totalidade de 20%.
Recomendamos a aquisição gradativa de títulos privados (Letra Financeira e CDB), chegando ao patamar de 15%.
Quanto aos fundos de investimento no exterior, recomendamos cautela devido ao atual cenário econômico onde há expectativas de alta na taxa de juros nas principais economias do mundo, trazendo volatilidade no mercado acionário exterior à curto prazo. Recomendamos a exposição de 10% em fundos que não utilizam hedge cambial.
Quanto a fundos de ações atrelados a economia doméstica recomendamos a entrada gradativa de modo que o investidor fique atento a oportunidades da bolsa de valores, construindo um preço médio mais atrativo.
Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.




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