NOSSA VISÃO – 21/12/2020

RETROSPECTIVA

Na última semana cheia de 2020 o otimismo tomou conta dos mercados, com o Ibovespa zerando as perdas no acumulado do ano e os indicadores do mercado acionário americano novamente batendo recordes.

Um dos acontecimentos mais importantes da semana, foi a manutenção dos juros, a ampliação da compra de ativos e clara intenção do uso de políticas expansionistas por partes dos principais Bancos Centrais, como é o caso dos Estados Unidos, Japão e Europa.

Em resumo, os países que ainda possuem alguma folga fiscal, estão fazendo rodadas de Quantitative Easing com o intuíto de reanimar a economia doméstica, intensificando a compra de títulos, avançando nas discussões sobre o pacote de estímulos ideal para o impulsionamento econômico e afrouxando as políticas monetárias.

Como reflexo do aumento de liquidez generalizado, o apetite por risco vem aumentado, podendo explicar em parte o aumento significativo do segmento de renda variável. No Brasil vimos esse efeito nos meses de novembro e dezembro, com a significativa entrada de capital estrangeiro.

Nos Estados Unidos a semana foi de expectativa a espera do acordo entre Democratas e Republicanos no que se refere ao pacote de estímulos fiscais. O desfecho veio ao fim da semana, com o provável consenso sobre um estímulo na ordem de U$900 Bilhões, que se encontra em linha com o esperado pelo mercado.

Tivemos na semana indicadores do setor de trabalho, vendas no varejo e PMI de serviços ficando abaixo das projeções de mercado, fazendo com que os americanos fiquem mais atentos as decisões governamentais.

Na Europa, o assunto mais pertinente segue sendo o Brexit, aproximando do seu prazo final, o peso do acordo de US$ 1 trilhão em comercio por conta de cotas e tarifas. As negociações se mantem paralisadas em dois pontos, a atividade de pesca em águas britânicas por parte da UE e as chamadas concorrências equitativas.

Por lá tivemos medidas expansionistas como já mencionado, o Banco Central Europeu ampliou a compra de títulos, a medida passou de 500 bilhões de euros para 1,85 trilhão de euros e ainda anunciou juros inalterado.

Na Ásia, tivemos dados de PMI, no Japão o índice composto (indústria e serviços) de dezembro encolheu para 48 pontos (ainda em contração), indicando fracas expectativas para o setor no período.

O BOJ manteve a taxa de depósito -0,10%, porém ampliou compras de ETFs (Exchange Trade Funds) em 12 trilhões de ienes, aumentou compras de comercial papers e bônus corporativos em 15 trilhões de ienes e estendeu o prazo do programa de empréstimos em seis meses (setembro de 2021) para empresas afetadas pela pandemia.

Por aqui, o lado político apresentou cenários conturbados. O presidente Bolsonaro segue com seu discurso não favorável as vacinas sem aprovação da Anvisa, no congresso as disputas sobre o comando da Câmara e do Senado começaram a se intensificar, deixando o ambiente mais tenso.

Durante a semana houve outros pontos que merecem destaque, como o STF votando sobre obrigatoriedade das vacinas, a posse de novo ministro no Turismo e as declarações do vice-presidente sobre tecnologia 5G.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções saíram de 4,35% para 4,39%. Para 2021, a previsão para o IPCA saiu de 3,34% para 3,37%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de menos 4,41% para menos 4,40% este ano. Para 2021, a estimativa saiu de 3,50% para 3,46%. As projeções ficaram em alta de 2,50% para 2022 e 2023.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar saiu de R$5,20 para R$5,15 este ano. Para 2021, a projeção saiu de R$5,03 para R$5,00. Já para 2022, a projeção saiu de R$4,50 para R$4,98 e saiu de R$6,00 para R$4,97 em 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 2,00% para 2020. Para 2021, ficou em 3,0%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e 6,0% em 2023.

PERSPECTIVA

Para as próximas semanas, espera que os países que já iniciaram a vacinação em parte da população sigam com respostas animadores referente aos resultados. O Brasil segue atrasado no que tange as vacinas, mas podemos ter notícias positivas na próxima semana.

A semana que entra será mais curta devido ao Natal, então se espera menos volatilidade aos mercados, o que nos preocupa são os rugidos políticos que podem interferir no desempenho da Bovespa e principalmente do câmbio. Como 2020 é um ano totalmente atípico, o mais interessante é manter a cautela para provisionar risco.

A expectativa fica na manutenção do ambiente estável conquistado nas últimas semanas, podendo contribuir para um desenvolvimento econômico mais constante, que possivelmente colaboraria para cessar o auxílio emergencial no Brasil, favorecendo o quadro fiscal do país.

Com o decorrer da semana e ao se aproximar do final do ano, se espera o máximo de atividade possível do governo no que tange as reformas.

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, ainda segue como principal pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas do mercado seguem as mesmas, não enxergando espaço para uma queda brusca e esperando algum gatilho advindo das medidas do governo para um posicionamento mais forte nos ativos de risco.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Ainda segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Fato que não acontecia desde 2002 e que aconteceu em setembro e outubro, são as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 10%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 10%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários 18/12/2020

Índices de Referência – Dezembro/2020

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