NOSSA VISÃO – 26/10/2020

RETROSPECTIVA

Semana mais calma com poucos indicadores econômicos sendo divulgados, levando os investidores a focarem mais em pautas políticas e eleitorais. Entretanto o cenário macro continua praticamente o mesmo, com a contaminação do Covid-19 ainda em ascensão na Europa, as preocupações com o quadro fiscal no Brasil e as eleições americanas.

As novas ondas de contágio do Covid-19 pautam o mês e na semana as expectativas de um novo” lockdown” em mais países da Europa, em principal a Alemanha, vem fazendo com o que os mercados recuem por lá.

Situação que ocorre de maneira similar nos Estados Unidos, por lá os recordes de contágio estão sendo diariamente alcançados, porém após uma primeira onda tão austera e com os aprendizados e melhora de infraestrutura trazidos por ela, os impactos estão sendo mais leves, mas estão longe de deixar de preocupar.

O que já se sabe é que a cada medida de restrição social imposta para combater os efeitos do vírus, tem enorme impacto na economia, sendo assim, quando o vírus insiste em permanecer em circulação afetando a população e as medidas de restrição entram em pauta novamente e o mercado reage negativamente.

O que acalmará o mercado frente a essa situação será a liberação das vacinas emergências para a população, aos olhos dos agentes de mercado, isso poderia conter a desaceleração da economia, de acordo com Donald Trump, no último debate presidencial, nas próximas semanas já será possível ministras as vacinas emergenciais.

Sobre o ultimo debate, sendo muito menos agressivo, porém mais inconclusivo, enxergamos que a vitória em um debate se dá por conta de conseguir reverter votos para si ou convencer os indecisos, fato que não parece ter ocorrido, uma vez que os candidatos não se expuseram e utilizaram de estratégias que garantiam a sua base de eleitorado.

Os investidores também monitoram a implementação do novo pacote de estímulos econômicos nos EUA, gerando incerteza ao mercado devido a demora para se chegar a um acordo entre câmara e tesouro.

Na Europa, parece que União Europeia e Reino Unido estão novamente dispostos a retomar as negociações e discussões sobre o Brexit, fato importante para sanar as incertas criadas por lá, porém ainda não suficiente para gerar otimismo.

Tivemos a divulgação de alguns indicadores Asiáticos na semana, com a China anunciando PIB do terceiro trimestre expandindo 4,9% na comparação anual (previsão era +5,3%), produção industrial anualizada de +6,9% para setembro, indicando melhora sobre a expectativa, vendas no varejo com +3,3% e investimentos em ativos fixos com expansão nos nove meses de 2020 de 0,8%. As vendas de moradias cresceram 6,2% no ano.

No Japão, as exportações de setembro encolheram 4,9%, vindo pior do que era previsto, mas o governo avalia que a economia está melhorando, em paralelo a isso o Banco Central Japonês pode flexibilizar ainda mais a política monetária por lá.

Por aqui, o nosso cenário ainda gira em torno da deterioração do quadro fiscal, rolagem de dívida e a necessidade em continuar com o auxílio emergencial. Durante a semana o Presidente Jair Bolsonaro vetou a compra de doses da vacina chinesa, gerando conflitos com o ministro da saúde Eduardo Pazuello, e com o governador de São Paulo, João Doria.

Ainda resta saber de onde sairão os recursos para eventualmente estender o programa de auxílio ou programas ligados a renda mínima, sem ferir a regra de ouro, onde proíbe o governo de fazer dívidas para pagar despesas correntes, como salários, benefícios de aposentadoria, contas de luz e outros custeios da máquina pública e sem ferir o  teto de gastos seja ferido.

Por enquanto, as agências que classificam o risco país, olham para os próximos passos do governo para reverem suas posições.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 2,65% para 2,99%. Para 2021, a previsão para o IPCA subiu de 3,02% para 3,10%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de -5% para -4,81% para este ano. Para 2021, a estimativa saiu de 3,47% para 3,42%. As projeções ficaram em 2,50% para 2022 e 23.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar saiu de R$5,35 para R$5,40 este ano. Para 2021, a projeção saiu de R$5,10 para R$5,20. Já para 2022, a projeção ficou em R$4,90 e R$4,90 para 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em 2,00% para 2020. Para 2021, subiu de 2,59% para 2,75%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e saiu de 5,50% para 6% em 2023.

PERSPECTIVA

A próxima semana promete mexer bastante com os mercados e aumentar a sua volatilidade devido a proximidade das eleições americanas e seu desenrolar na câmara e no senado, podendo mudar as diretrizes atuais, uma vez que o poder pode trocar de lado.

Os efeitos do corona-vírus na economia americana e europeia sugere novos estímulos fiscais e monetários que podem alterar a precificação dos ativos de risco e desequilibrar o câmbio.

A bolsa de valores após uma semana positiva onde subiu 3% e superou o Dow Jones, Nasdaq e Dax na semana, promete se manter a esse patamar dos 100.000 pontos a espera de algum direcionamento mais claro, principalmente do governo.

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, segue como principal pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas do mercado seguem as mesmas, não enxergando espaço para uma queda brusca e esperando algum gatilho advindo das medidas do governo para um posicionamento mais forte nos ativos de risco.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Ainda segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Fato que não acontecia desde 2002 e que agora vem acontecendo nos últimos 2 meses, são as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, mantemos a estratégia de alocação em 15%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior,  aos que possuírem porcentagem inferior a 15%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários – 23/10/2020

Índices de Referência – Setembro/2020

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