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Consultoria em Investimentos

NOSSA VISÃO – 22/06/2020

Retrospectiva

As bolsas de valores das principais praças fecharam a semana no terreno do ganho, na medida em que os bancos centrais de diversos países deram declarações de apoio às economias e se prontificaram a injetar mais dinheiro nos mercados, alguns anunciando novos pacotes de estímulos. E por conta da enorme liquidez internacional e expectativa de juros baixos, até negativos, por um período prolongado, observou-se um importante fluxo de recursos para os mercados de riscos.

Nos EUA, o banco central local anunciou um novo pacote o presidente do FED (Federal Reserve, o banco central local), Jerome Powell, disse em discurso que a economia do país enfrenta uma recessão profunda, porém não muito longa, e que o banco apoiará incondicionalmente a economia mantendo juros baixos pelo período necessário para que a taxa de desemprego volte ao patamar pré-crise.

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), anunciou que o juro permanecerá no patamar atual, de 0,10% ao ano, além da expansão do volume do programa de compra de títulos corporativos para 745 bilhões de libras, equivalente a US$ 4,93 bilhões, após ver o PIB do Reino Unido encolher 20,4 % em abril, anulando 18 anos de crescimento econômico.

O Banco do Japão (BoJ, pela sigla em inglês) anunciou que irá manter sua política monetária inalterada, mas vai ampliar o volume de um programa especial de financiamento para empresas prejudicadas pela pandemia, de 75 trilhões de ienes para 110 trilhões de ienes (US$ 1,025 trilhão).

Por outro lado, os investidores mantiveram preocupação com uma possível segunda onda de contágio pelo “coronavírus” em diferentes países e regiões. Além da porção sul dos EUA e também na Itália e Espanha, que já iniciaram o processo de reabertura do comércio local, agora também entrou em alerta a região de Pequim, após um mercado local surgir como foco de infecção ao registrar mais de 200 casos. As autoridades chinesas isolaram a região e monitoram todos os casos.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de valorizações. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 3,2%, e o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 3,1%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 1,89% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 0,8%.

Por aqui, destaque para a reunião do COPOM. O colegiado não surpreendeu e ofereceu o que o mercado esperava: um corte de 75 pontos na taxa Selic, que passou para 2,25% ao ano, a menor da série histórica e a oitava redução consecutiva. No comunicado pós-reunião, o COPOM deixa em aberto novos movimentos, mas não descarta novo ajuste no atual grau de estímulo monetário. A decisão foi baseada no impacto recessivo provocado pela pandemia do “coronavírus” na economia doméstica, com impacto profundo nos índices de inflação e no mercado de trabalho.

No tocante a demanda, o IBGE divulgou que o comércio varejista nacional recuou 16,8% em abril frente a março, na série com ajuste sazonal, queda mais acentuada da série histórica iniciada em janeiro de 2000, refletindo os efeitos do isolamento social sobre o consumo. Em relação à atividade, foi divulgado que o IBC-Br, considerado a prévia do PIB brasileiro, sofreu uma contração de 9,73% no mês de abril ante março, conforme revelou o Banco Central. Os números de abril refletem o primeiro mês cheio de quarentena no Brasil, visto que as medidas de isolamento social para conter o avanço de coronavírus começaram a ser implementadas no fim de março.

No campo da política, o ambiente permaneceu conturbado, Destaque para o pedido de demissão do ministro da educação, Abraham Weintraub, diante da situação insustentável depois de seguidos ataques as instituições, em especial ao STF. Outro ponto de atenção do Planalto ficou por conta da prisão preventiva de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro na assembleia legislativa carioca, no curso da investigação que apura um esquema de “rachadinha” na ALERJ.

Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, acompanhando os movimentos das bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana positiva em 4,07%, aos 96.572 pontos, acumulando valorização de 10,5% no mês, e desvalorização de -16,5% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,318 para a venda. Na semana, a moeda avançou 5,4% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 32,6%. Já o IMA-B Total encerrou a semana recuando -0,4%, enquanto no mês acumula alta de 1,2% e no ano desvalorização de -2,4%. Em 12 meses a valorização é de 6,0%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram a tendência e reviram as estimativas para a inflação deste ano, ainda em meio à economia doméstica fragilizada. Nesta semana, as previsões para a inflação foram ajustadas para cima, revelando que a expectativa é de que o IPCA encerre o ano em 1,61%, ante 1,60%. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 1,57%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,00%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,13%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado manteve a projeção da semana anterior. Após o Bacen anunciar na semana passada que a taxa Selic foi reduzida para 2,25% ao ano, a pesquisa dessa semana mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen não deva estacionar a taxa no atual patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 3,00%. Há quatro semanas a estimativa era de 3,14%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5″, as estimativas para a taxa Selic ao final do ano foram ajustadas para 1,75% na mediana das coletas, uma previsão de corte de mais 50 pontos bases até o final do ano, ante taxa de 2,25% da estimativa semanal anterior. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,63% na mediana das coletas, ante previsão de 2,25% da semana passada.

Os analistas do mercado reduziram, pela primeira vez após dezoito semanas, suas expectativas para o tombo da economia em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -6,51% para -6,50%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -5,89%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,50%. Quatro semanas atrás, estava nos mesmos 3,50%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou que a projeção dos economistas para o câmbio ao final de 2020 foi mantida em R$ 5,20. Um mês atrás a projeção era de R$ 5,40. Para 2021, a projeção para o câmbio também foi mantida em R$ 5,00. Um mês atrás a projeção para o câmbio era de R$ 5,03.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 60,00 bilhões, mesmo número da semana passada, enquanto que para 2021 a expectativa também foi mantida em US$ 75,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 65,00 bilhões e US$ 76,00 bilhões, respectivamente.

Perspectiva

Os mercados de riscos seguem pautados pela expectativa do avanço no número de casos de contágios pelo “coronavírus” em regiões que já haviam passado pelo pior momento e iniciam a abertura gradual da atividade comercial e relaxamento do distanciamento social. A questão é se uma eventual nova onda de contágios será grande o suficiente para que essas regiões imponham medidas de isolamento social mais severas, produzindo um efeito negativo sobre a atividade econômica local.

Por aqui, aparentemente os grandes centros atingiram certa estabilidade no número de pessoas infectadas, porém nas regiões mais extremas o contágio segue avançando. Além disso, há a expectativa quanto aos efeitos da reabertura do comércio e flexibilização das regras de distanciamento social no potencial aumento do número de casos, o que se obsevará nos próximos dias na medida em que várias regiões do país estão retomando as atividades. O número de novos casos e de óbitos no Brasil segue avançando. Até agora são mais de 1 milhão de infectados e 50 mil óbitos.

Na agenda da semana, destaque para a divulgação de dados da atividade nos EUA e Europa, onde serão revelados os PMIs, além da revisão do PIB do primeiro trimestre e número de pedidos de bens duráveis nos EUA.

Por aqui, destaque para a divulgação da ata da reunião do COPOM que decidiu pela redução da taxa Selic para 2,25% ao ano, além de deixar em aberto a possibilidade de nova redução mais à frente. Importante acompanhar, também, a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação – RTI, que dará uma ideia de como a autoridade monetária enxerga os efeitos dos mecanismos monetários, de produção e demanda sobre a inflação de curto, médio e longo prazos. Na pauta da semana estará a divulgação da prévia da inflação de junho, o IPCA-15, além de dados relativos a confiança do consumidor.

Além, obviamente, do cenário político que poderá trazer muita volatilidade diante da repercussão envolvendo o Planalto nos casos dos inquéritos das “fake news” e dos financiamentos de atos antidemocráticos, além dos desdobramentos da prisão preventiva do ex-assessor de Flávio Bolsonaro enquanto Deputado Estadual na ALERJ.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários – 19/06/2020

Índices de Referência – Maio/2020

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