NOSSA VISÃO – 18/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana com perdas, em meio à abertura gradual das atividades em alguns países e o receio pelo aumento do número de casos de pessoas infectadas pelo “coronavírus” diante do afrouxamento das regras de distanciamento social naqueles países em que o pico das infecções ficou pra trás. Além dessas incertezas, pesou no mercado a deterioração no relacionamento entre EUA e China, após o presidente norte-americano sugerir um corte nas relações com seu par chinês, em razão da incapacidade das autoridades chinesas em lidar com o vírus, fator que representaria um retrocesso nos avanços comerciais obtidos até a assinatura do acordo preliminar de paz, em janeiro deste ano.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostraram uma estabilização no fator de crescimento do número de infectados e óbitos. Os dados mais recentes informam a infecção de pouco mais de 4,7 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 316 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 14% no número de contágios e de 12% no número de óbitos em uma semana, indicando a manutenção no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Em semana de poucos indicadores no exterior, destaque para a divulgação do PIB do primeiro trimestre na zona do euro.

Conforme divulgou a agência Eurostat, o PIB da eurozona encolheu 3,8% no primeiro trimestre do ano ante o quarto trimestre de 2019, sofrendo a maior contração da série histórica iniciada em 1995. Em termos anualizados, a economia da região registrou um tombo de 14,2% no trimestre. Entre as maiores economias, a França (-5,8%), Espanha (-5,2%) e a Itália (-4,7%) lideraram as perdas. Na Alemanha, maior economia do bloco, a retração foi de 2,2%.

Nos EUA, foi divulgado pelo Departamento de Trabalho que a inflação ao consumidor registrou deflação de -0,8% em abril, após recuo de 0,4% em março.

Outro dado importante divulgado foi o resultado das vendas no varejo do mês de abril nos EUA, em meio ao fechamento do comércio na medida em que a pandemia manteve a população em casa. Conforme divulgou o Departamento do Comércio, as vendas no varejo recuaram 16,4% em abril, ante recuo de 83% em março, o maior declínio desde o início da série histórica, em 1992.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de baixa generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, despencou -4,02%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -2,29%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -2,25% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, recuou -0,70%.

Por aqui, o mercado repercutiu a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Bacen, o IBC-Br, que é considerado a prévia do PIB brasileiro. O índice apresentou queda de -5,9% em março na comparação com abril, em linha com a mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg. O índice registrou queda acumulada de -1,95% no primeiro trimestre ante o último trimestre de 2019.

Porém, é no campo da política que os sustos se acumulam. Desta vez a surpresa foi o pedido de demissão do Ministro da Saúde, Nelson Teich, menos de um mês após a posse. Em breve pronunciamento ao anunciar sua saída, o agora ex-ministro não deu pistas sobre os motivos da decisão. Entretanto, especula-se que discordâncias de opiniões sobre o uso do medicamento cloroquina e sobre regras de flexibilização do distanciamento social foram os motivos da iniciativa.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, acompanhando as bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana com queda de -3,37%, aos 77.556 pontos, acumulando desvalorização de -3,66% no mês de -32,93% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,839 para a venda. Na semana, a moeda avançou 1,73% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 45,51%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -0,54%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,90%. Em 12 meses a valorização é de 6,53%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,59%, ante 1,76% da semana passada, décima semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,23%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,20%, ante 3,25% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,40%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado reduziu ainda mais a expectativa. Agora, o boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, em junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 3,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 4,50%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas para 2,25%, agora alinhada à mediana do grupo agregado. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,50% na mediana das coletas, também alinhada à mediana do grupo agregado.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima quarta semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -4,11% para queda de -5,12%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -2,96%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 3,10%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi alterada para R$ 5,28, ante projeção de R$ 5,00 na semana passada. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,80. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,83 para R$ 5,00, ante R$ 4,50 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em ajuste pra baixo. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 65,00 bilhões, ante US$ 70,75 bilhões da semana anterior e US$ 71,00 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi alterada para US$ 76,00 bilhões, ante R$ 79,00 bilhões da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em alta acelerada, diante da redução no aumento do número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram o processo de relaxamento da quarentena. Outro fator de alívio veio na esteira do anúncio sobre resultados positivos no desenvolvimento em primeira fase de uma vacina contra o “coronavírus” pela empresa americana de biotecnologia Modena Inc. O FDA, órgão que regula os medicamentos nos EUA, autorizou a segunda fase dos testes. Ainda nos EUA, o presidente do Federal Reserve (FED, ma sigla em inglês), Jerome Powell, afirmou que a economia americana deve se recuperar gradualmente no segundo semestre, e que as munições estão prontas para serem utilizadas no combate a recessão.

Por aqui, as atenções estão voltadas para a condução da crise sanitária, após a saída do ministro da Saúde, Nelson Teich. Desta vez o presidente Jair Bolsonaro parece não demonstrar pressa em escolher o substituto, crescendo a avaliação de que o ministro interino, Eduardo Pazuello, permaneça à frente da pasta por pelo menos mais uma semana. Repercute também entre os investidores o relato do empresário Paulo Marinho ao jornal “Folha de S.Paulo”. Em entrevista publicada no domingo, o ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro afirmou que o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente, foi avisado sobre investigações da Polícia Federal realizadas em 2018 e que envolviam seu gabinete – na ocasião, Flavio ocupava o cargo de deputado estadual.

Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 241 mil infectados e 16,0 mil óbitos, apontando um aumento de 45% nos casos de infectados e óbitos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Estados e Municípios seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.

Em semana de agenda econômica fraca por aqui, destaque para a divulgação de dados parciais sobre a inflação de maio.

Nos EUA, será divulgada a ata da reunião do FOMC, que pode trazer indicações sobre o rumo das taxas de juros por lá, além da divulgação de PMIs. Em outros países, a agenda é mais fraca, com destaque para a divulgação de PMIs da zona do euro, onde os dados têm mostrado uma economia fortemente castigada pela pandemia.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –15/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020

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