Com valorização de 8,70%, o ouro, mais uma vez ficou em primeiro lugar no ranking dos investimentos mês de outubro. O cenário de incertezas a respeito dos rumos da economia global e provável reedição de pacotes de estímulo provocaram instabilidade nos principais mercados. O mercado de cambial, do mesmo modo, esteve em foco no mês tanto por aqui quanto lá fora, em uma queda de braços entre economias emergentes e os EUA.
Por aqui, os resultados corporativos de peso e os efeitos da conclusão da capitalização da Petrobras também ecoaram no Ibovespa. Em outubro, o índice Bovespa apresentou valorização de 1,79%, ficando em segundo lugar no ranking investimentos no mês.
Cabe ressaltar que, desde junho, o ouro e o Ibovespa se alternam na liderança do ranking de rentabilidade – em junho e agosto, o ouro predominou. Já o Ibovespa liderou em julho e setembro.
Na sequencia, após grande oscilação no mês, vieram os índices da família IMA. O IMA-B registrou alta de 1,62%, seguido pelo IMA-C que rendeu 1,20%, o IRF-M valorizou 0,84% e por fim o IMA-S que rendeu 0,81%. Ainda no seguimento de renda fixa, as aplicações em CDBs pré-fixados de 30 dias apresentou retorno de 0,85% em outubro, acima do benchmark CDI, que subiu 0,77%. A caderneta de poupança, por sua vez, proporcionou retorno nominal de 0,55% em outubro.
O dólar seguido pela variação da Ptax registrou rentabilidade nominal de 0,42% no mês – que, embora positiva, apresentou o pior retorno do mês entre as principais métricas de investimento.
Finalmente, o dólar comercial terminou o mês de outubro com valorização de 0,65%.
Panorama global
Nos EUA, há uma grande repercussão sobre um novo pacote de flexibilização quantitativa – já batizado de QE2 – as apostas agora deixaram de ser sobre sua existência ou não deste pacote e sim sobre seu tamanho, a expectativa gira em torno de US$ 1 trilhão inicial. A divulgação do pacote é aguardada para o encerramento da próxima reunião do FED, na próxima quarta-feira dia 3/11.
No entanto, os indicadores no final do mês apresentaram certa evolução, mostrando preocupação de que o número final do pacote pode ser menor do que o precificado pelo mercado. O PIB – Produto Interno Bruto americano do terceiro trimestre, que mostrou crescimento dentro das estimativas, alimentou esta percepção.
No cenário internacional, deste modo como no mês setembro, as discussões a respeito de uma “guerra cambial” permaneceram no centro das atenções. A troca de acusações entre China e EUA se propagou pelos demais mercados emergentes e às principais economias do mundo, que debateram a questão na mais recente reunião de ministros do G-20.
Cabe ressaltar que, além da questão cambial, o aumento das taxas de referência para depósitos e empréstimos, a inflação e o PIB sustentaram a China em foco dos mercados. A autoridade monetária japonesa resolveu implantar nova política de flexibilização monetária.
Na Europa, a Irlanda mais uma vez está no centro das preocupações ao ter seu rating cortado pela Fitch. A Moody’s por sua vez colocou o rating da Irlanda em revisão para possível rebaixamento. A Moody’s também rebaixou o rating espanhol. A política monetária européia permaneceu inalterada, com Bank of England e Banco Central Europeu optaram por manter as taxas básicas de juro.
Foi destaque também no noticiário internacional, as novas projeções do FMI – Fundo Monetário Internacional, que diminuiu as estimativas de crescimento para os EUA e aumentou as do Brasil para 2010.
Dólar
No cenário domestico, além da eleição presidencial, o câmbio também ganhou as manchetes do noticiário, deixando em segundo plano a decisão do Copom – Comitê de Política Monetária de conservar a Selic em 10,75% ao ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente Lula e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles têm se preocupado em garantir que o governo está monitorando de perto o fluxo cambial no País e a possível formação de “bolhas”.
Portanto, o mês de outubro se caracterizou por medidas da autoridade monetária para tentar refrear a queda do dólar – que, no caso de o FED – Federal Reserve resolva colocar no sistema US$ 1 trilhão para estimular a economia norte-americana, só tende a piorar. A primeira medida foi a elevação do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras sobre capital estrangeiro no mercado de renda fixa brasileiro, para 4% – uma semana após esta elevação foi novamente majorado, agora para 6%. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega ainda divulgou a elevação, de 0,38% para 6%, do IOF cobrado sobre a margem de garantia, apenas para investimentos estrangeiros no mercado de futuros.
O CMN – Conselho Monetário Nacional noticiou que, fora as operações com derivativos, investidores estrangeiros que transferirem seus recursos das operações financeiras de aplicações com renda variável, tanto na bolsa de Valores quanto na de Mercadorias e Futuros, serão submetidos a uma regra de câmbio simultâneo. O CMN, proibiu ainda as instituições financeiras autorizadas pelo Bacen a realizarem aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários e ouro como ativo financeiro a investidores estrangeiros que desejem usar os recursos obtidos com operações nos mercados de derivativos.
O Banco Central proibiu a utilização de cartas de fiança como garantias aceitas pelas câmaras de compensação da BM&F Bovespa como garantia colateral de operações realizadas por investidores estrangeiros.
Tudo para tentar conter o avanço da moeda brasileira.
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