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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 21/08/2017

Retrospectiva

Depois de uma ampla discussão interna, inclusive com a ala política do governo, a equipe econômica anunciou, na última terça-feira, um aumento da meta do déficit primário, neste e nos próximos três anos. Em 2017, o déficit previsto de R$ 139 bilhões e em 2018, o de R$ 129 bilhões foram elevados para R$ 159 bilhões. Já a previsão do de 2019, de R$ 65 bilhões passou para R$ 139 bilhões e o superávit de 2020, estimado em R$ 10 bilhões teve a previsão alterada para um déficit de R$ 65 bilhões.

Entre as justificativas apontadas para a revisão das metas está a frustração com a arrecadação federal, por conta da recessão e da inflação mais baixa, causada por preços mais baixos, que ensejam uma menor receita com impostos. Para que as novas metas sejam alcançadas, o governo ainda depende da aprovação dos valores, pelo Congresso Nacional, além de uma série de medidas de aumento das receitas e corte nos gastos com servidores.

Uma das principais consequências das novas metas será o aumento da dívida pública, que poderá chegar a 92% do PIB em 2023, sendo que hoje situa-se ao redor de 75%. Para alguns economistas, apenas em 2024 o Brasil voltará a ter superávit primário. Para outros, sem a reforma da Previdência, dificilmente o país voltará a ter superávits.

A agência de classificação de riscos Standad & Poor’s Global, afirmou que não pretende reduzir o rating do Brasil no curto prazo, dada a sinalização do governo de que está comprometido em resolver o desequilíbrio fiscal do país. Mas dependendo da evolução dos acontecimentos, não descarta faze-lo em 2018. Para a agência Moody’s, a revisão da meta não impacta em seu cenário base para o Brasil, embora uma trajetória mais lenta para uma consolidação fiscal seja negativa.

Ao mesmo tempo em que o governo tenta retomar a reforma da Previdência, a equipe econômica avalia privatizações, a elevação da contribuição previdenciária dos servidores públicos, leilões de reservas do pré-sal e a tributação de fundos de investimentos exclusivos para aumentar as receitas, por exemplo. O ajuste fiscal passou a depender ainda mais da agenda legislativa.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a produção industrial em junho, frente a maio recuou 0,6% e avançou 2,6% na base anual, quando a expectativa era de uma alta de 2,8%. Por sua vez, a inflação do consumidor em julho repetiu o mês anterior, ao registrar alta anual de 1,3%.

Já o PIB do segundo trimestre, teve sua alta revisada de 2,1% para 2,2%, mostrando uma expansão maior do que a prevista pelos economistas.

Nos EUA, foi divulgado que a produção industrial em julho subiu 0,2%, frente ao mês anterior e que as vendas no varejo aumentaram 0,6% nesse mesmo mês.

Por outro lado, a ata da última reunião do FED revelou que os membros do comitê de política monetária estão divididos sobre os riscos da inflação e alguns integrantes acreditam na necessidade de serem pacientes antes de novo aumento da taxa de juros.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi de resultados mistos. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 1,26% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, 0,19%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 0,65% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 1,31%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe registrou alta de 0,22% na segunda leitura de agosto, depois de avançar 0,04% na primeira. O IPC-S, que havia subido 0,41% na primeira quadrissemana de agosto, reduziu sua alta para 0,40% na segunda. Já o IGP-M, depois de ter registrado queda de 0,03% na primeira quadrissemana de agosto, apresentou alta de 0,03% na segunda.

Em relação à atividade econômica, o índice IBC-Br, do Banco Central, surpreendeu em junho ao registrar alta de 0,50% em relação a maio e de 0,25% no segundo trimestre. Ainda em junho, conforme o IBGE, o comércio varejista surpreendeu ao registrar avanço de 1,2% em relação ao mês anterior.

Para a bolsa brasileira, foi outra semana de alta. O Ibovespa subiu 2,01%, acumulando alta de 14,09% no ano e de 16,27% em doze meses. O dólar, por sua vez caiu 0,13%, aumentando a variação negativa para 2,88% no ano. O IMA-B Total, por sua vez subiu 0,26% na semana, acumulando alta de 10,59% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,51% em 2017, frente a expectativa de 3,50% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,20%, como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que agora, para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 7,5%, como na pesquisa anterior e para o final de 2018 em 7,50%, também como na última pesquisa.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,34%, como na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,00%, também como no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,23, no fim de 2017, frente a R$ 3,25na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,39, frente a R$ 3,40 no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e de US$ 76,75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, do PMI composto e da confiança do consumidor em agosto.

Nos EUA, serão divulgados o PMI composto e a confiança do consumidor em agosto e os pedidos de bens duráveis em julho.

No Brasil, serão divulgados, os indicadores parciais de inflação, com destaque para o IPCA 15, além das contas externas em julho.

No exterior as atenções estarão voltadas para os dados de atividade da zona do euro e dos EUA. No Brasil, o mercado estará atento ao IPCA-15 e o efeito do aumento dos combustíveis na inflação, além da evolução dos trâmites das reformas. O governo deverá enfrentar dificuldades para aprovar no Congresso o aumento do rombo no seu orçamento, dadas as insatisfações inclusive na base aliada.

Entendemos que, dado o expressivo avanço já ocorrido dos índices que referenciam os fundos de investimentos em títulos públicos, em julho, no ano e em doze meses, por conta da queda da inflação e da redução da taxa Selic, por um lado, e da piora do quadro fiscal e do aumento da inflação por conta dos preços mais altos dos combustíveis, por outro, é chegado o momento de revermos a alocação recomendada e sugerir a realização dos lucros obtidos com as aplicações de longuíssimo prazo.

Permanecer com uma exposição no vértice de longuíssimo prazo neste momento de maiores incertezas, pode não representar ganhos expressivos em função do fator risco a ser incorrido.

Sendo assim, recomendamos uma exposição de 30% no vértice de longo prazo, representado pelo IMA-B Total. Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) mantemos a nossa recomendação de uma exposição de 10%. Os recursos saídos do longuíssimo prazo deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 30%, e para as aplicações no IRF-M 1 a alocação sugerida é de 5%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, o percentual máximo de alocação em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV é de 30%. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de bom retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 21/08/2017

Índices de Referência – Julho / 2017


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