Nossa Visão – 19/06/2017

Retrospectiva

Terminou ontem o prazo para que a Polícia Federal conclua a sua parte na investigação do presidente Temer por suspeitas de corrupção. Agora, a Procuradoria Geral da República tem cinco dias para concluir o inquérito e decidir se apresenta denúncia contra o presidente. Para virar réu, o que o afastaria do cargo, é preciso antes que o processo seja autorizado pela Câmara, através dos votos de 342 dos 513 deputados, e em seguida pela maioria dos 11 ministros do STF.

Enquanto a incerteza política continua, o Banco Central e o mercado financeiro em geral se interessam mais pelo andamento das reformas e do ajuste fiscal. Na última terça-feira, o governo conseguiu cumprir mais uma etapa da tramitação da reforma trabalhista, uma das prioridades do governo Temer.

A Comissão de Assuntos Sociais encerrou a discussão sobre a matéria que deve ser votada nesta semana. Em seguida o texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça. Em relação à reforma da Previdência, cujo texto se encontra na Câmara, o seu relator acredita ser difícil a votação antes da apreciação de eventual denúncia contra o presidente.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgado na semana passada que a produção industrial nos 17 países que compõe a região registrou alta de 0,5% em abril, em relação ao mês anterior e de 1,4% em relação a um ano antes.

Já a inflação do consumidor recuou 0,1% em maio, em relação ao mês anterior, mas avançou 1,4% na base anual, como era esperado.

Nos EUA, a produção industrial e a inflação do consumidor em maio recuaram 0,1% frente ao mês anterior, enquanto as vendas no varejo recuaram 0,3%, quando a previsão era de alta de 0,1%.

No evento mais importante da semana, o banco central americano aumentou a taxa básica do intervalo de 0,75%-1% aa, para 1%-1,25% aa, mesmo com a inflação muito baixa. Mas com o mercado de trabalho se fortalecendo cada vez mais, deu a entender que neste ano deverá ter mais uma alta, dentro da estratégia de normalizar a política monetária de forma bem gradual.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi de novas quedas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, caiu 0,49%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou 0,85%. O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 0,06%, mas o Nikkey 225, da bolsa japonesa caiu 0,35%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S, que subiu 0,39% na primeira leitura de junho, desacelerou para 0,13% na segunda. Já o IGP-10, caiu 0,62% em junho, depois de ter caído 1,10% em maio.

Por sua vez, o índice de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, cresceu 0,28% em abril, frente a março e 0,51% frente a abril de 2016.

Para a bolsa brasileira, a semana foi de queda com o Ibovespa caindo 0,94%. O dólar, por sua vez subiu 0,46% e o IMA-B Total, 0,60%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado ontem, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,64% em 2017, frente a expectativa de 3,71% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,33%, frente a 4,37% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório continuou informando que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 8,50%, como nas semanas anteriores.  E para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, também como nas pesquisas anteriores.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,40%, frente a 0,41% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,20%, frente a 2,30% do último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,30, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,40, também como no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 78,57 bilhões em 2017 e US$ 78,75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da confiança do consumidor e o PMI industrial e o de serviços, em junho.

Nos EUA, serão divulgados o PMI industrial e o de serviços.

No Brasil, será divulgado, além dos indicadores parciais de inflação, o relatório trimestral de inflação do Banco Central.

No que diz respeito à economia internacional, a agenda da semana apresenta com maior importância indicadores de atividade.

No Brasil, a divulgação do IPCA-15 de junho deve trazer um número ainda inferior aos 0,24% de maio, em um momento em que se fala na redução da meta de inflação para 4,25% em 2019.

Seguimos com a nossa recomendação de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total).

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) reduzimos a nossa recomendação de uma exposição de 20% para 10%. Os recursos deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 15% (5% anteriormente). As aplicações no IRF-M 1, representado pelos vértices mais curtos da taxa pré-fixada, deverão igualmente migrar para as aplicações em fundos DI, mantendo-se apenas o estritamente necessário para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, que permite o percentual máximo de 30% em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

É importante lembrarmos que a crise é de ordem política e não econômica. As quedas ocorridas em consequência acabaram por criar oportunidades de investimento que não merecem ser desprezadas.

Para os clientes que seguem integralmente a nossa carteira sugerida, recomendamos permanecer nas posições atuais. Para os clientes que seguem as alocações sugeridas apenas em renda fixa, lembramos a oportunidade criada na renda variável, principalmente em ações. E para os clientes que não estão seguindo em qualquer aspecto a nossa sugestão de carteira, acreditamos que este é um bom momento para fazê-lo.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 19/06/2017

Índices de Referência – Maio / 2017

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