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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 12/06/2017

Retrospectiva

Antes da sexta-feira terminar, o fato da semana mais aguardado já tinha um desfecho. Por quatro votos a três o Tribunal Superior Eleitoral – TSE decidiu absolver a chapa Dilma-Temer no processo em que era acusada do crime de abuso do poder político e econômico, por meio de financiamento ilegal da campanha presidencial de 2014. Dessa forma, o presidente Michel Temer continua no cargo. Independentemente do mérito da decisão, a permanência da equipe econômica em seus postos representa, por enquanto, um alívio para o mercado financeiro.

Não podemos esquecer que por um lado, continua o inquérito no qual o presidente é investigado pela Polícia Federal por obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. E por outro lado, o presidente se mobiliza pelo apoio político, frente a possibilidade do PSDB abandonar o governo neste momento delicado de desgaste com a delação da JBS.

Buscando se preparar para o que pode vir nos relatos do ex-ministro Antonio Palocci, o governo editou medida provisória que aumenta os poderes do Banco Central ao elevar o teto das multas que podem ser aplicadas a instituições financeiras de R$ 250 mil para R$ 2 bilhões e da os da CVM, cujo teto das multas passou de R$ 500 mil para R$ 500 milhões. Adicionalmente criou acordo de leniência para instituições financeiras e ainda permite que o BC possa firmar negociações como o Termo de Ajuste de Conduta, que já é usado pelo Tribunal de Contas da União.

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, os mercados precificam a continuidade da evolução econômica do Brasil e que as reformas continuam em andamento no Congresso, à margem das questões políticas.

Na última terça-feira, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o relatório favorável ao projeto de lei vindo da Câmara dos Deputados, que modifica mais de cem artigos da CLT e que em seguida será analisado na Comissão de Assuntos Sociais e de Constituição e Justiça. Segundo o líder do governo no Senado, dado um acordo com a oposição, a matéria ficará pronta para ser votada em plenário no próximo dia 28.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foram divulgadas na semana passada as vendas no varejo em abril, que apresentaram crescimento de 0,1% em relação a março, quando o esperado era de 0,2%.

Em relação ao PIB da região, a última estimativa apontou um crescimento anual de 1,9%, quando a anterior era de 1,7%. Mesmo assim, o BCE manteve inalteradas as taxas de juros na sua reunião na semana passada, além do programa de estímulos quantitativos de 60 bilhões de euros mensais.

Nos EUA, as encomendas de bens duráveis tiveram queda de 0,5% em abril, quando a expectativa era de queda de 0,2% e as encomendas à indústria como um todo recuaram 0,2%, como esperado.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi de quedas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, caiu 0,06%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou 0,27%. O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 0,30% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 0,81%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe caiu 0,10% na primeira quadrissemana de junho, frente a -0,05% que havia subido no mês anterior. O IPC-S, que subiu 0,52% em maio, desacelerou para 0,39% na primeira leitura de junho. Já o IGP-M, caiu 0,51% na primeira prévia de junho, depois de ter caído 0,89% na primeira prévia de maio.

Por sua vez, o IPCA de maio subiu 0,31%, a menor taxa para o mês desde 2007. Neste ano a inflação acumulou 1,42% e em doze meses 3,60%. A maior alta foi nas contas de luz, com significativa participação nas despesas familiares. Já o INPC subiu 0,36% em maio, frente a alta de 0,08% em abril. No ano acumulou elevação de 1,43% e em doze meses 3,35%.

Na ata do Copom publicada na última terça-feira, ficou evidente que a crise política dificulta a queda mais rápida da taxa Selic e a próxima redução tende a ser mais moderada, embora ainda não se descarte num cenário político mais tranquilo uma redução de 1% novamente.

Para a bolsa brasileira, a semana foi de queda com o Ibovespa caindo 0,48%. O dólar, por sua vez subiu 1,05%e o IMA-B Total, 0,25%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado ontem, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,71% em 2017, frente a expectativa de 3,90% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,37%, frente a 4,40% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório continuou informando que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 8,50%, como nas semanas anteriores. E para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, também como nas pesquisas anteriores.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,41%, frente a 0,50% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,30%, frente a 2,40% do último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,30, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,40, também como no último relatório.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 80 bilhões em 2017 e US$ 80 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da produção industrial em abril e da inflação do consumidor em maio.

Nos EUA, serão divulgadas a produção industrial, a inflação do consumidor e as vendas no varejo em maio, além da reunião do FOMC que deliberará sobre as taxas de juros no país.

No Brasil, será divulgado, além dos indicadores parciais de inflação, o IBC-Br de abril.

No que diz respeito à economia internacional, a reunião do FOMC e a continuidade da política monetária nos EUA é o principal evento.

No Brasil, em outra semana com feriado o foco estará na decisão do PSDB sobre a continuidade no governo Temer.

Seguimos coma nossa recomendação de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total).

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) reduzimos a nossa recomendação de uma exposição de 20% para 10%. Os recursos deverão ser migrados para as aplicações em fundos DI, cuja alocação agora sugerida é de 15% (5% anteriormente). As aplicações no IRF-M 1, representado pelos vértices mais curtos da taxa pré-fixada, deverão igualmente migrar para as aplicações em fundos DI, mantendo-se apenas o estritamente necessário para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 3.922/2010, que permite o percentual máximo de 30% em fundos enquadrados no Artigo 7º, Inciso IV. A estratégia ora recomendada mantém a perspectiva de retorno ao mesmo tempo em que reduz o risco total da carteira.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

É importante lembrarmos que a crise é de ordem política e não econômica. As quedas ocorridas em consequência acabaram por criar oportunidades de investimento que não merecem ser desprezadas.

Para os clientes que seguem integralmente a nossa carteira sugerida, recomendamos permanecer nas posições atuais. Para os clientes que seguem as alocações sugeridas apenas em renda fixa, lembramos a oportunidade criada na renda variável, principalmente em ações. E para os clientes que não estão seguindo em qualquer aspecto a nossa sugestão de carteira, acreditamos que este é um bom momento para fazê-lo.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 12/06/2017

Índices de Referência – Maio / 2017

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