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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 22/05/2017

Retrospectiva

Dezoito de maio de 2017 foi o dia em que o mercado financeiro brasileiro viveu os seus piores momentos desde a crise financeira de 2008. Quando terminou, a bolsa tinha caído 8,8%, a maior baixa em quase nove anos. O dólar, apesar de o Banco Central ter vendido US$ 4,4 bilhões para deter o avanço das cotações, tinha subido 8,07%, a terceira maior alta em um dia desde o início do Plano Real. E no mercado de renda fixa, as aplicações em títulos atrelados à inflação, por exemplo, tinham amargado as maiores desvalorizações dos últimos anos. O caos tomou contados mercados.

Nesse mesmo dia dezoito, publicamos um Nossa Visão Especial narrando o início desta crise e recomendando aos clientes agir com cautela na movimentação de seus recursos financeiros. De lá para cá, a evolução dos fatos tem sido amplamente divulgada pela imprensa e apesar do final de semana ter permitido uma trégua para o mercado financeiro respirar, o seu comportamento futuro é incerto, na medida em que o desfecho da crise ainda é imprevisível.

Nessas situações, a experiência adquirida em outros momentos de crise, acaba por facilitar o trabalho do nosso Comitê de Investimento, no sentido de levar aos clientes as nossas ponderações. Assim, mais adiante, quando falarmos das perspectivas, voltaremos ao assunto.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a agência Eurostat confirmou que o PIB da região cresceu 0,5% no primeiro trimestre, em relação ao anterior e 1,7% na base anual. Já em abril, a inflação do consumidor foi efetivamente de 1,9% anualizada e em maio a confiança do consumidor permanece estável, em relação ao mês anterior.

Nos EUA, em abril, a produção industrial surpreendeu favoravelmente, ao subir 1% frente a março, quando a expectativa era de um aumento de 0,4%. Já os indicadores antecedentes, que revelam a força da economia como um todo, permaneceram sólidos ao subir 0,3% em abril, frente ao mês anterior, dentro das expectativas.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi de quedas. O Dax, índice da bolsa alemã, caiu 1,41%, enquanto o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 0,01%. Por sua vez, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 1,05% e o Nikkey 225, da bolsa japonesacaiu1,66%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe desacelerou para 0,30% na segunda quadrissemana de maio, frente a 0,58% que havia subido na primeira. O IPC-S, que subiu 0.26% na primeira semana deste mês, acelerou para 0,30% na segunda leitura. Já o IGP-M, que caiu 0,99% na segunda prévia de abril, registrou 0,89% de queda na segunda prévia de maio.

Por seu turno, a atividade econômica apresentou resultado positivo no primeiro trimestre deste ano, depois de um longo período recessivo, com a alta de 1,12% em relação ao último trimestre de 2015, do IBC-Br, espécie de sinalizador do PIB calculado pelo Banco Central.  Outra boa notícia foi a geração de 59.856 empregos no país em abril, de acordo com o Caged.

Na semana anterior, com o vendaval que se abateu sobre o mercado financeiro na quinta-feira e com alguma recuperação na sexta, o Ibovespa caiu 9,72%, mas ainda acumula uma alta de 2,27% em 2017. Já o dólar subiu 8,04% na semana e agora acumula uma alta de 3,73% no ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou queda de 6,43% na semana, mas ainda acumula alta de 1,36% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou, apesar da crise, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,92% em 2017, frente a expectativa de 3,93% na semana anterior. Para 2018 a estimativa é que suba 4,34%, frente a 4,36% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório continuou informando que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 8,50%, como na semana anterior. E para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, também como na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,50%, como na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,50%, também como no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,23, no fim de 2017, frente a R$ 3,25na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,36, como na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 79,50 bilhões em 2017 e US$ 78,75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, do PMI composto de maio e a evolução do PIB da Alemanha no primeiro trimestre de 2017.

Nos EUA, será divulgada a ata da última reunião do FED, as vendas de novas moradias e moradias usadas em abril, a segunda revisão do PIB do primeiro trimestre e a confiança do consumidor em maio.

No Brasil, serão divulgados, além dos indicadores parciais de inflação, os resultados das contas externas e da política fiscal em abril.

No que diz respeito à economia internacional, a ata da última reunião do FED é que merece o maior acompanhamento. Mas há de se ressaltar que também se esboça uma crise política nos EUA, por conta de Donald Trump ainda não ter entendido o que é ser presidente, que pode influenciar os mercados, e assim também deve ser monitorada.

No entanto, nada se compara a atenção que o cenário local vai demandar. Antes de sabermos como serão afetados os andamentos das reformas e mesmo se o atual presidente tem condições de governar, a manutenção da atual equipe econômica é indispensável para que os mercados financeiros possam se tranquilizar.

No auge do turbilhão, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles declarou sua disposição de permanecer no cargo e negociações políticas foram iniciadas com o intuito de blindar a equipe econômica.

Para o Banco Central, o quadro de incerteza é muito recente e ainda não é possível avaliar os possíveis impactos na inflação, na atividade econômica e na evolução das taxas de juros. Entretanto, conforme declaração do seu presidente, Ilan Goldfajn, na sexta-feira, o Brasil tem “amortecedores robustos” e por isso é menos vulnerável a choques internos ou externos.

Disse ainda que a política monetária a ser seguida não tem relação direta e mecânica com o momento. Ela é uma decisão que sempre será tomada nas reuniões ordinárias do Copom baseada em seus objetivos tradicionais.

O Relatório Focus publicado hoje, que ilustra a média das opiniões dos economistas que militam no mercado financeiro, nos trouxe, apesar da crise, a expectativa de que o IPCA esteja ainda menor no final deste ano, do que no relatório anterior e que a taxa Selic e a evolução do PIB serão as mesmas da última pesquisa.

Também para o FMI, o Brasil tem colchões de proteção importantes para enfrentar momentos voláteis, além de um sistema financeiro sólido e empresas saudáveis. Já o banco Morgan Stanley, por exemplo, afirmou continuar construtivo em relação ao país devido à melhoria continuada das suas contas externas e á capacidade do Banco central de minimizar movimentos desordenados.

Ao sugerir um modelo de alocação de recursos financeiros, aos nossos clientes, a Consultoria sempre se apoiou em aspectos fundamentais. Embora a crise atual seja grave e ainda imprevisível, os indicadores macroeconômicos mais relevantes, que permitiram a nossa visão otimista, continuam presentes. Na terça-feira, por exemplo, será divulgado o IPCA-15 de maio, em que a inflação em doze meses deverá atingir patamar abaixo de 4%, pela primeira vez desde agosto de 2007.

Assim, acreditamos que a reação dos mercados financeiros neste momento de crise, possa ter sido precipitada e exagerada, mesmo que os preços dos ativos não retornem por enquanto ao patamar anterior. Há oportunidades de investimentos que se apresentaram ainda com mais força tanto no segmento de renda fixa, quanto variável. O cenário econômico efetivamente não mudou, ainda que as reformas devam atrasar.

Portanto, permanece a nossa recomendação de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5,IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece também a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

É importante reiterarmos que a crise é de ordem política e não econômica. As quedas ocorridas na semana passada acabaram por criar oportunidades de investimento que não merecem ser desprezadas.

Para os clientes que seguem integralmente a nossa carteira sugerida, recomendamos permanecer nas posições atuais. Para os clientes que seguem as alocações sugeridas apenas em renda fixa, lembramos a oportunidade criada na renda variável, principalmente em ações. E para os clientes que não estão seguindo em qualquer aspecto a nossa sugestão de carteira, acreditamos que este é um bom momento para fazê-lo.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 19/05/2017

Índices de Referência – Abril / 2017

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