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Nossa Visão – 02/05/2017

Retrospectiva

E a semana anterior, assim como esta, foi mais curta por conta de feriado, porém não menos intensa. Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou uma ampla reforma trabalhista, que altera mais de cem pontos da CLT, por 296 votos a 177. O texto aprovado, bem mais amplo do que a proposta originalmente encaminhada pelo governo, em dezembro, segue agora para a apreciação do Senado.

Por outro lado, por conta da falta de quórum, a apreciação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara foi adiada para o próximo dia três de maio. Conforme o presidente da casa, Rodrigo Maia, a votação da reforma no plenário deverá começar no dia oito.

Como forma de protesto das duas reformas foi convocada e realizada greve geral para o último dia vinte e oito, cuja mobilização ficou abaixo das expectativas. Especialistas consultados pela agência Reuters reconheceram que as manifestações trouxeram incomodo para a gestão Temer, mas não devem afetar o andamento das reformas e nem a retomada da atividade econômica.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a inflação do consumidor em abril subiu 1,9% na base anual e quase atingiu a meta de 2% do Banco Central Europeu. Mesmo assim, a autoridade monetária, decidiu, na quinta-feira, deixar a taxa básica de juros em 0% e a taxa de depósito em -0,40%.

Nos EUA, em março, a venda de casas novas superou as expectativas e atingiu 621 mil unidades, quando o esperado era 588 mil. Já a confiança dos consumidores em abril, caiu em relação a março mais do que o previsto.

Foi também divulgada a primeira prévia do PIB do primeiro trimestre deste ano, que apontou uma evolução na base anual, de apenas 0,7%, a taxa mais fraca em três anos, afetada pelos gastos dos consumidores. Os analistas previam uma expansão de 1,1%.

Nos mercados de ações internacionais, a semana foi de altas. ODax, índice da bolsa alemã, subiu3,41% eo FTSE-100, da bolsa inglesa, 1,20%. Por sua vez, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 1,20%eo Nikkey 225, da bolsa japonesa4,16%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe acelerou de 0,43% na segunda medição de abril, para 0,56% na terceira, ainda influenciado pelo grupo alimentação. O IPC-S, por sua vez, que na terceira prévia de abril subiu 0,31%, desacelerou a alta para 0,12% na última, sendo que a maior contribuição veio do grupo Habitação, para o índice do mês. Quanto ao IGP-M, que registrou queda de 1,10% no mês de abril, alcançou a menor taxa desde junho de 1989.

Conforme o IBGE, a taxa de desemprego no país atingiu 13,7% no fim de março, em comparação com os 10,9% registrado um ano antes e representou o recorde de 14,2 milhões de pessoas sem emprego.

O Banco Central, na semana divulgou o resultado do setor público consolidado, em que um déficit primário de R$ 11 bilhões foi verificado, o maior rombo para o mês em 21 anos e também o resultado das transações correntes, que em março apresentou superávit de US$ 1,4 bilhões, o melhor para um mês de março desde 2005.

Na últimasemana de abril, o Ibovespa subiu2,58% e passou aacumular umaalta de 8,59% em 2017. Já odólarsubiu1,69% na semana, mas aindaacumula uma queda de 1,86% no ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentouqueda de 0,26% na semana e de 0,32% no mês, por conta da inquietação do mercado com o andamento das reformas, mas acumula alta de 6,55% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado na terça-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,03% em 2017, frente a expectativa de 4,04% na semana anterior. Para 2018 a expectativa é que suba 4,30%, frente a 4,32% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou quepara o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em8,50%, comona semana anterior. Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, também comona pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,46%, frente a 0,43% da última pesquisae para 2018 um avanço de 2,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,23, no fim de 2017, como na pesquisa anteriore para o final do próximo ano em R$ 3,38, frente a R$ 3,40na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 78 bilhõesem 2017 e US$ 80 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana, está prevista a divulgação, na zona do euro, das vendas no varejo em março, do PMI industrial e do desemprego em abril e da evolução do PIB no primeiro trimestre de 2017.

Nos EUA, serão divulgadosos gastos pessoais em março, o PMI industrial e a taxa de desemprego em abril, bem como haverá reunião do FED para a decisão da política monetária.

No Brasil, serão divulgados, além dos indicadores semanais de inflação, a produção industrial em março.

Do lado da economia internacional,a reunião do FED é o fato mais importante. No Brasil,o andamento das reformas trabalhista e da Previdência é que continuarão ocupando as maiores atenções do mercado financeiro.

É importante mencionarmos que permanece, apesar da queda normal no mês de abril, a nossa recomendaçãode uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece também a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários -  02/05/2017

Índices de Referência – Março / 2017

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