Nossa Visão – 23/01/2017

Retrospectiva

Enquanto no Brasil, a semana que passou foi marcada pela trágica morte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, nos Estados Unidos aconteceu a posse de Donald Trump na presidência do país.

Embora de naturezas distintas, ambos os eventos trazem incertezas. Com o desaparecimento do ministro Teori ficou adiada até a definição de um novo relator, a homologação de todo o conteúdo das delações premiadas da Odebrecht, que pode envolver mais de duzentos políticos de diversos partidos e o próprio andamento da operação Lava Jato.

Por outro lado, com o adiamento da homologação da delação, que poderia atingir o centro do poder e os principais partidos políticos do país, o governo ganha precioso tempo para seguir negociando com o Congresso importantes medidas de caráter econômico, como a reforma da previdência e outras.

Embora o discurso de posse de Donald Trump não tenha trazido novidades, é impossível garantir que o seu governo não o faça. Há muito mais dúvidas do que certezas ao seu respeito. Para o Brasil existe por um lado o risco do protecionismo exagerado e por outro, a oportunidade de negociações, na medida em que o país não entrou em sua lista de desafetos.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, na semana que passou foi divulgada a confirmação da inflação do consumidor em dezembro, que atingiu a taxa anual de 1,1%. E em reunião realizada na quinta-feira, o Banco Central Europeu decidiu manter em 0% a taxa de refinanciamento, em -0,40% a sua taxa de depósito, bem como o programa de compra de ativos de 80 bilhões de euros mensais.

Nos EUA, foi divulgado que a produção industrial cresceu 0,8% em dezembro, sobre o mês anterior, quando caiu 0,7%. Já a inflação do consumidor no último mês do ano foi de 0,3%, fechando 2016 com alta de 2,1%, a maior desde 2011. E na sexta-feira, a presidente do FED, Janet Yellen falou sobre a política monetária americana no sentido de se evitar o risco de superaquecimento da atividade econômica.

Na China, a agência oficial do governo informou que o PIB do último trimestre do ano evoluiu 6,8%, fazendo com que o PIB do ano de 2016 tenha avançado 6,7%. Foi o menor ritmo de crescimento desde 1990.

Para as bolsas internacionais, foi outra semana de resultados alternados. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,01%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu 1,90%. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 0,23% na semana e o Nikkey 225, da bolsa japonesa, subiu 0,22%.

Em relação à economia brasileira, o IBGE divulgou que o IPCA-15 de janeiro avançou 0,31%. Houve aceleração em relação a dezembro, quando a taxa ficou em 0,19%, no entanto, a taxa de janeiro, com a energia mais barata foi a menor para o mês desde 1994, quando foi criado o Plano Real.

Dos demais indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe, que abriu o mês de janeiro de 2017 com elevação de 0,75% desacelerou na segunda quadrissemana para 0,69%. O IPC-S, ao contrário, acelerou de 0,50% na primeira quadrissemana do mês, para 0,62% na segunda, por conta dos reajustes das mensalidades escolares e pelo aumento da gasolina e da tarifa de ônibus. Já o IGP-M, subiu 0,76% na segunda prévia de janeiro.

Foi também divulgada a ata da última reunião do Copom, em que a taxa Selic foi reduzida para 13% aa. Nela o comitê citou a desaceleração da inflação e a atividade econômica aquém do esperado, inclusive no último trimestre de 2016, como fatores que permitiram a antecipação de um ciclo de reduções maiores da taxa.

Na semana, o Ibovespa avançou 1,37%, acumulando uma alta de 7,13% em 2017. Já o dólar, se desvalorizou 0,36% e acumula queda de 2,06% neste ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou ligeira queda de 0,06% na semana e acumula um avanço de 1,85% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,71% em 2017, sendo que na semana anterior a expectativa era de uma alta de 4,80%. Para 2018 a expectativa é que suba 4,50%, como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o boletim informou que para o fim do próximo ano, a média das expectativas situou-se em 9,50% frente a 9,75%, da semana anterior.  Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 9,38%, sendo que na semana anterior era que estivesse em 9,50%.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,5%, como na semana anterior e para 2018 um avanço de 2,20%, também como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,40, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,50, também sem alteração frente a última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 70 bilhões em 2017 e US$ 71,46 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da confiança do consumidor e do PMI composto, em janeiro.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas de novas moradias e as encomendas de bens duráveis em dezembro, a confiança do consumidor em janeiro e o PIB do quarto trimestre de 2016.

No Brasil, além dos indicadores parciais de inflação serão divulgadas as transações correntes em dezembro.

Do lado da economia internacional, serão importantes as primeiras medidas do governo Trump, nos EUA, no que o mercado no Brasil também estará focado.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 23/01/2017

Índices de Referência – Dezembro / 2016

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