Nossa Visão – 16/01/2017

Retrospectiva

Na última terça-feira, o Banco Mundial divulgou seu relatório denominado Perspectivas Econômicas Globais, em que reduziu suas previsões de crescimento mundial para 2017, pelo que considera uma crescente incerteza em torno da política econômica do futuro governo de Donald Trump nos EUA. Estima que o PIB mundial aumentará 2,7% este ano, contra 2,6% em 2016. No entanto, a previsão representa 0,1% a menos que a anunciada em junho.

A leve aceleração do crescimento global se dará através da recuperação dos preços do petróleo e das commodities, o que deverá aliviar as pressões sobre os mercados emergentes exportadores de matéria-prima e as dolorosas recessões no Brasil e na Rússia devem chegar ao fim.

O crescimento das economias avançadas deverá acelerar para 1,8%, ante 1,6% em 2016, enquanto o das economias emergentes e em desenvolvimento deverá subir para 4,2% neste ano, ante 3,4% no ano anterior. Para o Brasil foi estimado um crescimento de 0,5%.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, na semana que passou foi divulgado que a produção industrial aumentou muito mais do que o esperado em novembro, uma vez que as empresas elevaram acentuadamente a produção de bens de consumo não duráveis, como vestuário e gêneros alimentícios. A produção cresceu 1,5% em relação a outubro e 3,2% em relação ao ano anterior.

Nos EUA, foi divulgado que as vendas no varejo aumentaram 0,6% em dezembro, frente ao mês anterior, um pouco abaixo da previsão de 0,7% dos analistas e na China, o primeiro-ministro Li Keqiang afirmou que o país enfrentará mais pressões e problemas em 2017, com mudanças nas políticas globais, mas confia na manutenção do crescimento econômico sustentado.

Para as bolsas internacionais, a semana anterior foi de resultados alternados. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,26%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, atingiu novo recorde de alta e subiu 1,77%. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 0,10% na semana e o Nikkey 225, da bolsa japonesa, teve queda de 0,86%.

Em relação à economia brasileira, o IBGE divulgou que o IPCA de dezembro avançou 0,30%, fazendo com que a inflação acumulada no ano, de 6,29%, ficasse abaixo do teto da meta pela primeira vez em dois anos. Já o INPC aumentou 0,14% em dezembro e registrou alta de 6,58% em 2016.

Dos indicadores parciais, o IPC-Fipe abriu o mês de janeiro de 2017 com elevação de 0,75% em relação a última semana de dezembro, quando registrou avanço de 0,72% em relação a terceira semana do mês. As maiores altas foram nos preços da habitação, alimentação e transportes. Já o IGP-M, após registrar alta de 0,20% na última semana de 2016, subiu 0,86% na primeira prévia de janeiro.

A grande notícia da semana foi a decisão do Copom de acelerar o corte da taxa Selic, reduzindo-a em 0,75 pp. para 13% aa. Possibilidade que consideramos no Nossa Visão anterior. Foi a primeira vez desde abril de 2012 que o Copom decidiu uma redução dessa ordem, isso porque o processo de queda da inflação ficou mais disseminado entre os vários produtos de consumo e a atividade econômica está pior que o esperado.

Outra notícia importante foi o retorno da Petrobrás e de uma empresa brasileira ao mercado internacional de títulos corporativos, através da emissão de bônus (Global Notes) no valor de US$ 4 bilhões, com vencimento em cinco e dez anos.

Também foi divulgado pelo Banco Central o IBC-Br de novembro, que registrou alta de 0,20% em relação a outubro. Foi o primeiro crescimento mensal da atividade econômica desde julho, mas por enquanto de forma bem modesta. Ainda em novembro, o IBGE informou que as vendas no varejo cresceram 2% em relação a outubro, mas caíram 3,5% em relação ao mesmo mês de 2015.

Na semana, o Ibovespa avançou 3,22%, já acumulando uma alta de 5,69% em 2017. Já o dólar, se desvalorizou 0,07% e acumula queda de 1,71% neste ano. Por sua vez, o IMA-B Total, apresentou forte alta de 1,79% na semana e acumula um avanço de 1,91% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,80% em 2017, sendo que na semana anterior a expectativa era de uma alta de 4,81%. Para 2018 a expectativa é que suba 4,50%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que para o fim do próximo ano, a média das expectativas situou-se em 9,75% frente a 10,25%, da semana anterior.  Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 9,50%.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,5%, como na semana anterior e para 2018 um avanço de 2,20%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,40, no fim de 2017, frente a R$ 3,45 da pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,50.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 70 bilhões em 2017 e US$ 71,10 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da inflação final do consumidor em dezembro e a realização da reunião do Banco Central Europeu que deliberará sobre as taxas de juros.

Nos EUA, serão divulgadas a produção industrial, a inflação do consumidor e novas construções residenciais em dezembro, bem como haverá discurso da presidente do FED, Janet Yellen na sexta-feira.

Na China, será divulgado o PIB do quarto trimestre de 2016, além da produção industrial e as vendas no varejo em dezembro.

E no Brasil, além dos indicadores parciais de inflação, será divulgada a ata da última reunião do Copom e as considerações acerca da decisão tomada.

Do lado da economia internacional, o evento mais importante é a reunião do Banco Central Europeu e o comunicado após a sua realização.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 13/01/2017

Índices de Referência – Dezembro / 2016

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