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Nossa Visão – 19/12/2016

Retrospectiva

A semana mal começou e a tensão tomou conta dos mercados, com o cenário político insistindo em permanecer nos holofotes. Desta feita, veio a público o depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que afirmou ao Ministério Público Federal (MPF), em depoimento, que o presidente Michel Temer teria pedido à empreiteira, doação no valor de R$ 10 milhões ao PMDB em 2014, durante a campanha eleitoral. O texto cita mais de 20 políticos, dentre eles os que formam a cúpula do PMDB (Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, o secretário Moreira Franco, além dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia).

Ainda na segunda-feira, foi noticiado que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo recebimento de R$ 800 mil, em 2010, via doações oficiais pela empresa Serveng.

O agravamento do desgaste político do presidente tem desidratado a cada pesquisa de opinião divulgada. Em levantamento divulgado na sexta-feira pelo Ibope, o governo Temer é avaliado como ruim ou péssimo por 46% dos entrevistados. Esse percentual era de 39% em setembro. O Datafolha divulgou, no último domingo (11) um percentual ainda maior de ruim ou péssimo: 51%. Em julho, data da amostra anterior, o dado era de 31%. A aprovação apontada pelos dois institutos, no entanto, se assemelha: 13% para Ibope e 10% para o Datafolha.

De positivo, a semana reservou a aprovação da chamada PEC do Teto, que limita os gastos federais nos próximos 20 anos, em segundo turno no Senado, por 53 votos favoráveis e 16 contrários. A PEC foi promulgada na quinta-feira, em sessão solene no Congresso Nacional.

No campo da economia, o destaque da semana foi para a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee, na sigla em inglês) em elevar a taxa de juros americana em 25 pontos-base, para a banda entre 0,50% e 0,75%. De certa forma, o ajuste já era esperado pelo mercado. A surpresa foi a indicação, pela autoridade monetária, de mais três ajustes ao longo de 2017, contra dois previstos na reunião de setembro.

Por aqui, destaque para o anúncio de um pacote de medidas para estimular a economia pelo presidente Michel Temer. Além da equipe econômica, estavam presentes os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros. O pacote, segundo Michel Temer, tem como propósito estimular o crescimento e reduzir o desemprego.

Dentre as medidas, de um total de 12, destaque para o programa de regularização tributária para empresas com dívidas vencidas até 30 de novembro. O governo permitirá que parte dessas dívidas seja compensadas com créditos de qualquer tributo administrado pela Receita Federal, e também a utilização de créditos de prejuízos fiscais para compensar débitos fiscais ou previdenciários.

Outra medida será a regulamentação da Letra Imobiliária Garantida, instrumento para captação de crédito imobiliário, com objetivo de ampliar a oferta de crédito imobiliário de longo prazo para o setor de construção.

As medidas também atingem as pessoas físicas. Do lado da oferta de crédito, a redução do juro do cartão de crédito está no radar, além da redução do prazo de repasse aos lojistas, e será aprovada via Medida Provisória. O governo também pretende criar uma central de registro de duplicatas, de recebíveis de cartões de crédito, permitindo a concessão de crédito com spread reduzido.

Também estão previstas mudanças no FGTS. O governo pretende eliminar a multa de 10% sobre o saldo do FGTS, paga pela empresa que demite o empregado sem justa causa. O objetivo é reduzir um ponto percentual por ano, durante os próximos 10 anos. Outra medida é aumentar a remuneração do FGTS ao trabalhador, mediante distribuição do resultado líquido do FGTS.

Do lado da desburocratização, estão previstas medidas para aumentar a competitividade das empresas, tais como: simplificação do pagamento das obrigações trabalhistas; simplificação do processo de abertura e encerramento de empresas; expansão do portal único do comércio exterior, objetivando reduzir em até 40% no tempo par procedimentos de importação e exportação.

O IBGE divulgou que o volume de vendas do setor de serviços recuou 2,4% na passagem de setembro para outubro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Frente a outubro do ano passado, a queda foi de 7,6% — pior resultado para o mês e da série iniciada em janeiro de 2012, e pior do que esperavam os analistas. Pesquisa realizada pela Reuters indicava queda de 5,5% nessa comparação. Em 2016, o setor acumula recuo de 5%, enquanto em 12 meses encolheu 5,1%.

A atividade em geral segue em declínio. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central – IBC-Br, considerado a prévia do PIB, recuou 0,48% ante setembro, com ajuste sazonal. Em setembro havia cedido 0,08% ante agosto. O índice de atividade calculado pelo BC passou de 132,95 pontos para 132,31 pontos na série dessazonalizada de setembro para outubro. A previsão oficial do BACENC para a atividade doméstica deste ano é de queda de -3,3%, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) publicado no fim de setembro.

A FGV divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) subiu de 0,15% para 0,17%, na segunda prévia de dezembro, puxado pelo grupo alimentação. Na média, os itens alimentícios ficaram 0,17% mais caros ante uma alta de 0,09%.

Conforme informou a agência Eurostat, a inflação de novembro na zona do euro recuou -0,01% na comparação mensal, mas teve alta de 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, acelerando ante as altas de 0,5% em outubro e 0,4% em setembro na base anual. Os preços mais baixos de gás e óleo para aquecimento evitaram um avanço mais forte dos preços ao consumidor, apesar dos preços mais caros dos restaurantes, cafés e alugueis.

Nos EUA, o Departamento de Comércio informou que a construção de casas novas caiu mais do que a previsão no mês passado, depois de subir em outubro para a máxima de nove anos, indicando um progresso irregular para imóveis residenciais. Os saldos residenciais caíram 18,7% para uma taxa anualizada de 1,09 milhão em novembro, após um aumento de 27,4% para 1,34 milhão no mês anterior.

Para as bolsas internacionais foi uma semana de alta, puxada pelo aumento no preço do petróleo no mercado internacional em meio ao acordo pelo corte na produção pelos países não membros da OPEP. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 1,79%, o FTSE-100, da bolsa inglesa subiu 0,82%. O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, recuou 0,07%, em meio ao aumento do juro pelo FED, enquanto o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 2,13%.

Para o Ibovespa foi uma semana de queda. O recuo foi de 3,49%. No mês, a desvalorização é de 5,68%, reduzindo a alta acumulada no ano para 39,14%. Já o dólar teve recuo de 0,56% na semana, enquanto o IMB-B Total valorizou 0,64% na semana.

Comentário Focus

Na visão dos economistas de instituições financeiras consultados na pesquisa Focus, o Banco Central vai cumprir a meta de inflação deste ano. A média dos economistas que militam no mercado financeiro reduziu novamente a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2016 passou de 6,52% para 6,49%. Quatro semanas atrás a estimativa era de 6,80%. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,90%.

O grupo que reúne as instituições que mais acertam as projeções, chamado Top-5, já via o cumprimento da meta este ano e ajustou um pouco mais a estimativa de médio prazo, projetando a alta do IPCA agora em 6,48% sobre 6,49% no levantamento anterior. Para 2017 o grupo vê inflação de 4,52%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que a mediana das previsões para o fim de 2016 permaneceu em 13,75%, no que se consolidou e para o fim de 2017, caiu de 10,75% para 10,50% ao ano.

Para a taxa básica de juros, o Top-5 voltou a reduzir sua visão e passou a ver a Selic no ano que vem em 10,38% na mediana das projeções, contra 10,75% na semana anterior.

Com isso, passou a ficar um pouco abaixo da expectativa geral de 10,50%, com os economistas como um todo vendo aceleração do processo de corte para 0,5 ponto percentual na reunião de janeiro do Copom, para 13,25%.

Entretanto, o cenário para atividade econômica em 2017 continuou a piorar na pesquisa, com uma recuperação esperada cada vez mais fraca. A pesquisa aponta agora um crescimento de apenas 0,58%, sobre 0,70% no boletim anterior.

Para 2016, a expectativa de contração do Produto Interno Bruto foi mantida em 3,48%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,38 ao final de 2016, ante R$ 3,39 da semana anterior. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio se elevou de R$ 3,45 para R$ 3,49.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 67,16 bilhões em 2016 e de US$ 70,00 bilhões em 2017.

Perspectiva

Na última semana de trabalhos do ano, antes do recesso parlamentar, a Câmara dos Deputados votará o projeto que trata da dívida dos estados com o governo. O projeto foi aprovado pelo Senado na última quarta-feira, e havia a expectativa que fosse votado na Câmara na quinta-feira, porém houveram alterações no Senado que provocaram impasses na apreciação da matéria, o que gerou certo atraso.

Dentre os indicadores, destaque para a divulgação do IPCA-15 de dezembro, considerado uma prévia da inflação oficial. A divulgação ganha expectativa após o IPCA de novembro ter ficado abaixo do esperado e aumentado as apostar de corte na taxa Selic no início do próximo ano. Também será revelado o Relatório de Inflação do BACEN, que servirá para ancorar as expectativas sobre os juros.

Também nesta semana é esperada a divulgação de medidas estruturais pelo BACEN, no âmbito de suas atribuições em relação a crédito e depósito compulsório, alinhadas às medidas de estimulo anunciadas pelo presidente Michel Temer.

Nos EUA, será revelado o PIB final do terceiro trimestre. As expectativas são de que o número venha acima da prévia anterior, de 3,2%, atingindo 3,3%. Também é esperado com atenção o discurso que a presidente do FED, Janet Yellen, fará nesta segunda-feira. A fala ganha importância após o Fomc ter elevado o juro americano em 25 pontos base, além de ter acenado com três novas altas em 2017.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 19/12/2016


Índices de Referência – Novembro / 2016


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